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Marília Scriboni
SEGUNDA LEITURA: Prisão de Arruda não demorará mais que 20 dias
É interessante como ficamos inquietos com eventos que reclamam indiferença e impassíveis diante das injustiças praticadas rotineiramente pelo Estado.
Realmente há uma subversão de valores aprisionada em nossas mentes.
O Ministro com sua reconhecida cultura jurídica nada mais fez do que aplicar a lei. Entretanto, como o destinatário está entre os ungidos pela impunidade, instalou-se uma comoção social.
A cena que não choca é a da mãe algemada por furtar o leite que diminuiria a fome pungente de seu filho.
Os porões infectos das cadeias nunca receberá um hóspede da classe dominante.
Nestes anos de rapinagem pública centenas de investigados foram conduzidos ao cárcere e permaneceram até anos em prisão provisória por serem homens do povo, por não integrarem o poder.
Quantos não ficaram presos preventivamente até por mais de um ano e receberam uma sentença inferior que sequer hipótese de segregação física era?
E qual foi a nossa reação diante desses contrastes jurídicos?
Não há crime mais repugnante, mais hediondo, mais grave e que provoca maior mal à sociedade do que o desvio e a subtração da receita pública.
Esses criminosos são tão iguais ou piores do que os administradores dos campos de extermínio nazista, mas mesmo assim aqui merecem salas especiais.
Diariamente a pena de morte é aplicada lentamente aos milhares de miseráveis que são esquecidos debaixo das pontes, que dormem em enxergas e sobrevivem ao relento.
E os torturados pela fome, e os que gemem diuturnamente com dores até à morte sem uma visita médica e sem saber o que é um analgésico, enquanto os políticos fingem desconhecer que o dinheiro público roubado é a causa de todas as desgraças humanas?
Qual será o pudor da nação brasileira?
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