SEGUNDA LEITURA: A chegada da Classe C no ensino superior

8/02/2010 14:31Raul Haidar (Advogado Autônomo)NOSSA MARCA...
Caro PLS : você diz que os que ficam nos bares são os que "pagam caros cursinhos preparatórios e passam"...Eis aí, meu caro, a distorção. Penso que se assistissem às aulas e levassem o ensino a sério, não teriam que pagar os "caros cursinhos preparatórios".Não vi erro no artigo ao dizer que "O bacharel em Direito poderá advogar...". Está implícito que poderá o bacharel advogar desde que preenchidas as demais condições previstas em lei, o que inclui a aprovação no exame de Ordem. O texto foi escrito por um ilustre jurista na certeza de que os leitores do Conjur não são leigos ou jejunos na matéria. Para ser advogado, porém, há outro requisito importante: idoneidade moral. A formação acadêmica e mesmo a aprovação no exame de Ordem não garante trabalho a ninguém. Isso não existe em nenhuma profissão. Há notícias de psicóloga trabalhando como garçonete, advogado (com OAB e tudo) que ganha a vida como comerciante, médico que é empresário no ramo de veículos, etc. O conceito de emprego está mudando. Nem a OAB nem ninguém pode garantir que o advogado vai encontrar trabalho. O que a OAB pretende, com o exame de Ordem, é atestar que o aprovado está razoávelmente habilitado ao exercício da profissão. Já essa questão de classe C, B ou A, é muito relativa. Não temos um sistema de castas. Nossa sociedade é aberta e qualquer pessoa normal pode desenvolver-se profissional e economicamente, mesmo numa economia tão competitiva como a nossa. Ninguém pode aceitar uma letra C ou Y como se fosse marca feita a ferro quente na anca do boi...Nossa marca, nós advogados é que fazemos. Mas leva tempo...
8/02/2010 11:56PLS (Bacharel - Criminal)Chegada da Classe C
A propósito sobre o comentário do Raul, sobre barzinhos cheios perto dos cursos... Pois na prática, tenho observado, que justamente esses, os dos barzinhos, os que nunca deram a mínima para o curso, os que respondem a chamada e vão embora, são os que passam no exame da OAB. Estes, na hora do "vamos ver", pagam caros cursinhos preparatórios e passam.
É contra esses fatos, reais, que estou comentando, por achar injusto com a classe C.
Criar inúmeros cursos de direito acaba sendo tiro no pé.
8/02/2010 11:49PLS (Bacharel - Criminal)Chegada da classe C
Raul, não comentastes sobre o erro do artigo, que diz que "Bacharel em Direito pode advogar". E é esse viés que comento, pois permitem acesso de TODO MUNDO aos cursos superiores, todos devidamente credenciados pelo MEC, e depois fazem o "corte" na hora de trabalhar.
Independente do que dizes, que os cursos estão fracos, que os alunos não se interessam, que é verdadeiro, também.
O que digo, é que isso não é justo, dão falsas esperanças às pessoas, que gastam o que não podem,o que não tem, se esforçam ao seu máximo, e no fim, não conseguem o tão sonhado trabalho.
Mais justo, seria a classe C ser barrada no vestibular, evitaria-se gastos inúteis e, principalmente, esperanças inúteis.
8/02/2010 11:33Vinícius da Silva Barbosa (Estudante de Direito)Classe C ou D?
Soa-me estranho classificar como de classe C os que têm renda familiar de 1 a 5 salários mínimos. Nesse quadro, parece mais apropriado falar em classe D.
8/02/2010 10:01Raul Haidar (Advogado Autônomo)ARTIGO EXCELENTE
Artigo excelente. O exame de Ordem não tem como objetivo "aniquilar" ninguém, mas apenas proteger a sociedade, evitando que despreparados possam causar prejuizos a seus possiveis clientes. Já critiquei alguns exageros do exame de Ordem. Eles ainda ocorrem em questões pontuais, mas não invalidam a prova.
Qualquer pessoa que se disponha a exercer uma profissão deve estar preparada para enfrentar tais dificuldades. O baixo indice de aprovação reflete não só a mediocridade do ensino jurídico,como a precariedade do ensino de primeiro e segundo grau.Não vi, nos ultimos 30 anos, nenhum movimento de estudantes protestando contra o mau ensino , contra os professores incapazes, contra o mercantilismo do ensino. A mais recente "manifestação estudantil" com repercussão na mídia referia-se ao uso de um vestido curto por uma aluna! Além disso, a dedicação aos estudos não parece ser comum nas faculdades, em cujas cercanias prosperam bares que reunem mais estudantes que as salas de aula.Quem leva o estudo a sério é aprovado no exame de Ordem. Quem não leva vai ser "aniquilado" , seja pelo exame de Ordem, nas provas de concursos públcos ou na fila do desemprego. Terminar uma faculdade, colocar um diploma debaixo do braço, passar a ser chamado de "doutor", nada disso é suficiente para alguém "subir" na escala social. Estamos no século 21 e agora só vai "subir" que tiver um bom preparo, revelar talento e, principalmente, dedicar-se com afinco ao estudo e ao trabalho. Há espaço para todos na Advocacia, exceto para os acomodados.
8/02/2010 00:57PLS (Bacharel - Criminal)Chegada da Classe C
"O bacharel em Direito poderá advogar,..."
Isso é um lamentável engano do autor. Bacharel não pode advogar, não pode fazer nada, pois não é nada. A OAB impõe provas cada vez mais difíceis, que nenhum advogado saberia responder as 100 questões, fazendo a coisa acontecer exatamente ao contrário do que texto diz.
Na verdade, esses 1000 cursos a mais que ele fala como sendo uma grande coisa, na real, é o que o exame de ordem aniquila.
Permitem o acesso do classe C ao curso superior de Direito, e logo ali, retiram sua aspiração de migrar de classe (só 18% passam, em média). Fazem os coitados gastar, se esforçar, ter uma ilusão, e no fim, não dá em nada. Continuam passando no exame da OAB os velhos classes A e B, que podem pagar cursinhos preparatórios...
7/02/2010 13:25Luciano Godoi (Advogado Autônomo)Brilhante...
Brilhante a percepção do missivista... Parabéns!

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