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Marília Scriboni
Ajufe defende empenho de juízes e critica excesso de recursos de advogados
2 - É claro que há advogados que recorrem excessivamente, mas isso é da própria natureza do direito, que é dialético por excelência, admitindo, determinado instituto, sempre, entendimentos contrários, como tudo que há de humano, é bem verdade, já que a certeza pertence ao tolos e aos totalotários.
3 - A questão da morosidade da justiça está diretamente ligada, primeiro à ausência de investimento público no Setor; segundo, à forma como são admitidos os Juízes, por meio de provas que não conseguem aferir a efetiva vocação para o cargo e a ausência de exigência de cinco ou mais anos de advocacia efetiva (não aquilo de ter sido estagiários junto a uma Secretaria Judicial ou do Ministério Público, mas uma atestado da OAB afirmando, com base em peças, casos resolvidos, audiências realizadas,que tal cidadão, de fato, "viu" a sociedade em que puluam as pessoas e os fatos que vai ser chamado a julgar. A melhor universidade é a da vida e conhecer tais e tais autores, ou a distinção entre uma hipoteca e uma anticrese, e produzir uma excelente redação a respeito, não quer dizer muita coisa e sobretudo não serve para forjar um bom juiz.
4 - Será que os magistrados não querem advogados nos processos?
.
DEVERIAM ACABAR COM OS EXCESSOS DE RECURSOS, SÓ QUE ESTES BENEFICIAM AQUELES QUE DEVERIAM SUPRIMI-LOS, OS POLÍTICOS!
Vamos discutir, isto faz bem.
Em verdade, o sistema brasileiro foi feito para ser lento. Temos que valorizar mais o conteúdo do que o continente. O apego servil ao processo tem de acabar. Ainda, o ambiente de troca de acusações não irá contribuir para o avanço da Justiça Brasileira e para atingir os objetivos fundamentais previstos na Constituição da República. Acho que deveríamos ser menos corporativistas e pensar na população. Com toda a certeza, a lentidão serve a algum senhor e este não é o povo de condição social mais simples do nosso País. Que tal um pouco mais de articulação inteligente para resolver os problemas ao invés de falar obviedades? Falo de cadeira e de consciência limpa, porque trabalhei como advogado, ocupo o cargo de juiz e não tenho processos fora do prazo comigo há muitos anos. Nada obstante, na prática, sei que só isso não resolve nada...
Veja-se o seguinte trecho:
“De 2004 a 2008, foram distribuídos mais de 13 milhões de casos novos na Justiça Federal, sendo julgados 12,4 milhões de processos, com uma média de produtividade de quase 95%”, disse o presidente da entidade, Fernando Mattos".
Ora, se 13 milhões de novos processo foram ajuizados, de 2004 a 2008, e 12,4 milhões foram julgados, houve uma produtividade de 95%? Desde quando cára-pálida. e os processos em tramitação antes de 2004? Não entram na conta? E as iniciais indeferidas de plano? E os processos que foram distribuídos e cancelados por falta de pagamento das custas, por exemplo, também estão no cálculo? E as ações penais trancadas por Habeas Corpus?
Além da má-fé, o Brasil carece de levantamentos completos, em todos os níveis de poder. Fica fácil apresentar números como estes, sem se levar em conta a qualidade desses números.
E tem gente que ainda aplaude.
36. A Corte chegou à conclusão de violação pelo Estado brasileiro dos artigos 8.1 e 25.1 da Convenção, o que deve suscitar cuidados pelos Estados partícipes do Sistema Interamericano de Direitos Humanos no sentido de fazerem reformas dos poderes judiciários para adequarem a tramitação do processo ao tempo querido pela norma e pelos cidadãos continentais, superando a fase de descumprimento crônico de prazos legais pelo Judiciário e pelo restante do sistema, como a polícia, no presente caso, em cuja investigação demorou sessenta vezes mais que o prazo legal de trinta dias para findar o inquérito.
37. A demora inscreve-se entre os erros judiciários mais graves praticados pelo Estado, indenizáveis segundo a normativa internacional. A rapidez processual gera fluidez e respeito nas relações sociais, propícias ao patamar de desenvolvimento que as Nações americanas tanto querem experimentar.
Roberto Figueiredo Caldas
Juiz Ad Hoc(...)
Reprisando a fonte...
http://www.corteidh.or.cr/d
Vamos destacar, a Corte não falou de advogados, o que a corte disse foi direto: "...superando a fase de descumprimento crônico de prazos legais pelo Judiciário e pelo restante do sistema"
O que implica deslocar da zona de conforto suas Excelências que são inimputáveis, no Direito Interno, pelo descumprimento dos prazos impróprios. Só há prazo para advogado, e essa mania de com publicação eletrônica da sentença, o advogado entra com recurso antes da publicação, qual vezes tarda meses, e o Tribunal julga intempestivo o recurso?
A AJUFE deveria se preocupar com o fato da Jurisdição da CorteIDH ter se perenizado enquanto durar nossa atual constituição.
A demora do nosso judiciário vem levando o Brasil a ser condenado na Corte Interamericana, e no caso que irei indicar, não há acusações contra os advogados, e sim evidências contra as autoridades públicas.
http://www.corteidh.or.cr
CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
CASO GARIBALDI VS. BRASIL
SENTENÇA DE 23 DE SETEMBRO DE 2009
VOTO FUNDAMENTADO DO JUIZ AD HOC ROBERTO DE FIGUEIREDO CALDAS COM
RELAÇÃO À SENTENÇA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS NO
CASO GARIBALDI VS. BRASIL, PROFERIDA EM 23 DE SETEMBRO DE 2009.
"...20. É preciso mudar o enfoque também das reformas de Judiciário, pois não basta diminuir em apenas um terço, por exemplo, o tempo de tramitação dos processos, pois o sistema já está colapsado. É preciso reduzir muito mais, dez ou vinte vezes, o tempo de retenção do processo na Justiça, visando atender os preceitos de rápida tramitação, tornando os recursos
efetivamente simples e rápidos e passar a respeitar ao menos um prazo razoável. Senão, a consequência é que a Corte Interamericana continuará condenando indefinidamente pela lentidão do processo.(...)
...
A AJUFE MAIS UMA VEZ DEMONSTROU SER UM ÓRGÃO ATENTO AS CRÍTICAS INFUNDADAS E REBATEU COM MAESTRIA.
PARABÉNS AOS JUÍZES BRASILEIROS, A MOROSIDADE FAZ PARTE DA JUSTIÇA DE QUALQUER PAÍS, NÃO SE FAZ JUSTIÇA COM SOLUÇÕES DADAS EM UM PICAR DE OLHOS.
OS ADVOGADOS VIVEM NA UTOPIA DE CRITICAR SEM FUNDAMENTOS, É SÓ LER E APRENDER.
Comentários encerrados em 12/02/2010
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