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Outra vítima

Estado deveria primeiro dar chance a cidadão

Por 

Sérgio Ferreira Pinto Junior, brasileiro, 24 anos, desempregado, pai de uma filha. É só o que se sabe do homem que foi morto em uma “ação policial bem sucedida” (clique aqui para ler mais). Também se sabe que, além da filha, tinha também mãe e irmã e que seu corpo só foi enterrado 3 dias após seu falecimento por absoluta falta de recursos. Aliás, Sérgio não foi morto, foi “neutralizado” com o disparo de um sniper (clique aqui para ler mais).

A neutralização de Sérgio ocorreu em frente às câmeras e foi transmitida para o mundo inteiro quase que em tempo real. Após, o que se viu foram aplausos. Nada muito diferente dos tempos vetustos onde, em praça pública, pessoas eram executadas debaixo de gritos e manifestações de euforia por parte de uma população que hoje consideramos ‘selvagem’ e ‘pouco desenvolvida’.

Em que diferimos daqueles? Somente quanto ao fato de que hoje, esse ‘espetáculo’ pode ser transmitido e visto por muito mais pessoas. Continuamos selvagens, ou pior: cruéis.

Não vou, aqui, entrar na seara da discussão do que é certo ou errado em termos de uma negociação onde há a vida de um refém em risco. O perigo ali era real e concreto. O que quero, caro leitor, é questionar, refletir, colocar para fora um sentimento estranho que nem sei nominar.

Quem era Sérgio?! Alguém que estava desempregado há três anos, que talvez tenha sido uma criança travessa como tantas crianças, que talvez tenha tomado escolhas erradas, mas que era um ser humano.

Na televisão, nas rádios, nos jornais, nos sites, só se viu a alívio pela ‘neutralização’ de Sérgio. Não se indagou se tinha dependentes, em que situação estava, o que o levou a tal lugar. Sérgio sequer tinha nome; era “o assaltante com a granada na mão”.

Colocar toda a culpa em Sérgio é fácil, afirmar que ser pobre não justifica entrar na criminalidade também. Difícil é ver a situação sob a perspectiva de Sérgio. Que escolhas ele teve? Que escolhas lhe foram dadas? Quem lhe deu uma chance?

Não sei. O que sei é que o mesmo Estado que ‘neutraliza’ seus cidadãos deveria, antes – e bem antes, quando Sérgio ainda era apenas aquele menino travesso – ter-lhe dado a chance de agir diferente, sem a pressão de estar sob a mira de um sniper (o novo nome dos antigos carrascos).

 É mestre em Ciências Penais pela Universidade Candido Mendes; advogada e professora de Direito Penal e Processual Penal.

Revista Consultor Jurídico, 28 de setembro de 2009, 17h45

Comentários de leitores

22 comentários

Co-Culpabilidade

Sede grande nos atos como o fostes nos pensamentos (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Penso que a Dra. refere-se a Co-culpabilidade de Zafaroni, seria saudavel que os próximos comentários conhecem a teoria...
Contudo respeito todas as opinioes aqui esposadas mesmos as mais despropositadas

Sra Carolina, que pena!

Cezar Luiz (Investigador)

Realmente concordo com a opinião do Sr Renato Carlos, o direito de Carolina se manifestar.Porém quero registrar que sou Policial Civil,e diariamente estamos em contato com os mais variados tipos de marginais, são eles Traficantes, Estupradores, Ladrões e "Adolescentes Infratores". Quero dizer que os mais ardilosos e violentos ladroes, são os mais covardes, são os que vivem reclamando de direitos humanos, são os que primeiro acusam os POLICIAIS; são os que conhecem os seus Direitos; São os que antes mesmo dos POLICIAIS terminarem as formalidades da apreensão de um menor já estão sendo liberados ou estão sendo acariciados na cabeça, pelos conselheiros tutelares, dizendo: "o meu querido, não faça mais isso" e eles mui ardilosamente, abaixam a cabeça, fazendo-se de arrependidos,fazendo-se de santos e com carinha de coitado respondem: "não vou fazer mais".
Só que esquecem que a idade passa,a maioridade chega e eles estão tão mal acostumados a ficarem impunes, que quando o POLICIAL,QUE TEM FAMILIA, VAI DEFENDER ESSA VITIMA (que tambem tem FAMILIA) E QUALQUER PESSOA QUE SEJA VITIMA DE QUALQUER TIPO DE VIOLENCIA, esse POLICIAL vai agir com firmeza, com imparcialidade, e se preciso tirar uma vida para salvar outra ele é treinado para defender a VIDA, seja ela do PRÓPRIO marginal, mas principalmente a VIDA DA VITIMA E POR FIM A SUA VIDA. CONHEÇO MUITO POBRE QUE NÃO VIVE DE ESMOLAS DO GOVERNO; QUE NÃO TEM ESCOLHA EM RESIGNAR-SE EM MORAR NO MEIO DESSES MARGINAIS, E NEM POR ISSO É LADRÃO. Então Sra Carolina, comece uma jornada para resgatar os pobres que não são marginais, os pobres que a Sra emprega em sua casa.
Parabéns ao ATIRADOR DE ELITE PELA SABEDORIA EM DAR O TIRO NO MOMENTO EM QUE A VITIMA ABAIXOU.NÃO FOI TIRADA UMA VIDA, MAS, SALVAS MUITAS OUTRAS.

Dra Carolina para refém oficial!!

Tales Souza F. Pereira (Delegado de Polícia Federal)

Acho que a Dra. Carolina devia fazer duas coisas: primeiro, ir parabenizar os PM's que deram uma chance ao Lindenberg, aquele que matou a adolescente ELOÁ por falta de um tiro de sniper numa situação em que isto era mais que recomendado.
Segundo, que quando houver outro caso desses, ela vá lá se oferecer como refém, e sinta na pele o "sociologismo" de que o bandido é só um maltratado pela sociedade e pelo estado e não deve ser "castigado".

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