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Castro Alves

Livro de homenagem a poeta será lançado este mês

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Capa Castro Alves e seu tempo - Euclides da Cunha - Divulgação

Castro Alves e seu tempo. Este foi o tema de uma conferência incumbida ao escritor, engenheiro e militar, Euclides da Cunha, em 1907. Naquele ano, os estudantes do Centro Acadêmico XI de Agosto idealizaram a construção de hermas de três antigos alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco no século XIX: Álvares de Azevedo, Castro Alves e Fagundes Varela, grandes poetas românticos brasileiros.

Para viabilizar as homenagens, foram idealizadas conferências, com ingresso pago, para arrecadar fundos. Dessa forma, em 2 de dezembro de 1907, o já então consagrado escritor Euclides da Cunha, concordando com o convite feito pelos estudantes do centro acadêmico, ministrou, em São Paulo, a palestra.

O resultado, porém, não foi exatamente o esperado. Embora, à época, a repercussão na imprensa tenha sido boa, apenas a estátua de Álvares de Azevedo foi erguida e inaugurada naquele ano, estando atualmente instalada no Largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. As hermas de Castro Alves e Fagundes Varela não foram construídas.

Após mais de um século, a história se reescreve. Com personagens e fatos similares, no mesmo cenário, mas com outro figurino. Idealizado pela Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP, o projeto das primeiras diretorias do XI de Agosto será concluído.

Uma das ferramentas para a conclusão do projeto é o lançamento do livro Castro Alves e seu tempo. A obra levantará fundos para a construção da herma de Castro Alves e o lançamento oficial será no dia 28 de setembro, na Faculdade de Direito da USP. Na pré-venda, mais de 750 unidades foram vendidas.

Como demonstra o título da obra, a palestra proferida por Euclides da Cunha em 1907 é o tema central. Porém, para os amantes das duas personalidades, das duas vidas e obras aparentemente desiguais, Castro Alves e seu tempo vai além da simples transcrição da conferência, que aconteceu no Centro Acadêmico XI de Agosto.

Escrito de forma leve e longe da densidade literária encontrada nas obras de ambos os poetas, o livro faz um passeio pela vida de Euclides da Cunha e Castro Alves. Mostra também, por exemplo, as semelhanças pouco imagináveis entre o poeta sonhador e o escritor e engenheiro militar.

Dentre as afinidades apontadas, algumas chamam a atenção: ambos eram abolicionistas e republicanos; faziam uma literatura engajada, de instigação; viviam no meio do povo, seja em praça pública, entre os estudantes, no sertão ou na Amazônia; tinham tuberculose e a saúde sempre fragilizada; tiveram profundas desilusões amorosas; Castro Alves, com a atriz Eugênia Câmara; Euclides, com a mulher, Ana; os dois estiveram ligados à cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras – Castro Alves, como patrono; Euclides, como segundo ocupante; os dois morreram, precocemente, por ferimentos com arma de fogo – Castro Alves em função de um tiro no pé, involuntário, durante uma caçada, em São Paulo; Euclides da Cunha, em tiroteio com o amante da mulher, Dilermando de Assis, na casa deste, no Rio de Janeiro.

A introdução do livro é do historiador, editor e diretor da Editora Lettera.doc, Cássio Schubsky, que é responsável, entre outras obras, pelo livro Advocacia Pública – apontamentos sobre a História da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (Imprensa Oficial, 2008). Em 2007, Schubsky propôs à Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP a parceria para viabilizar a edição, em livro, da conferência de 1907, para levantar fundos para a construção das hermas dos poetas.

Ao demonstrar um pouco da vida dos escritores, a obra traz em fotos, documentos originais da época da conferência, como, por exemplo, uma cópia do jornal “Onze de Agosto” (editado pelos alunos do Centro Acadêmico Onze de Agosto, da Faculdade de Direito da USP). Naquela edição, o periódico destacava a palestra de Euclides da Cunha em dezembro de 1907. Recortes de jornais da época, tecendo críticas à conferência, também aparecem.

Em 152 páginas, Castro Alves e seu tempo traz também a iconografia e seleção de poemas de Euclides da Cunha e Castro Alves. O lançamento do livro comemorará também o centenário de morte de Euclides da Cunha, completados em 15 de agosto.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 17 de setembro de 2009, 17h45

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