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Crianças na mídia

Rádio Justiça recebe prêmio por sua programação

A Rádio Justiça foi premiada pela Unicef por ter a melhor programação entre as emissoras da América Latina e Caribe participantes do Dia Internacional da Criança na Mídia, comemorado em 1º de março de 2009. Naquele domingo, toda a programação da rádio foi produzida por crianças e jovens de cinco a 18 anos. Eles falaram sobre direitos humanos, cidadania, leis e Justiça. A cerimônia de premiação será no dia 10 de novembro em Nova York, na sede das Nações Unidas.

Todos os anos, mais de cem nações participam desse esforço de colocar as crianças para produzir a mídia. Neste ano, além da Rádio Justiça, foram vencedoras regionais as seguintes emissoras: Euchira - Radijojo, Ghana Broadcasting Corporation, All India Radio TRAXXfm, Radio Televisyen Malaysia e Maputaland Community Radio Station. As seis emissoras são finalistas para o prêmio mundial, a ser anunciado também no dia 10 de novembro.

A Rádio Justiça foi a única entre as brasileiras a dedicar 24 horas de programação aos conteúdos produzidos e apresentados por crianças e adolescentes matriculados na rede pública de ensino, cadastrados em programas sociais do governo, voluntários em projetos sociais ou que cumprem medidas socioeducativas por terem infringido a lei.

Para atrair meninos e meninas aos estúdios da rádio, o Núcleo de Programação Visual do Supremo Tribunal Federal, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, criou mil cartazes, três mil folders e fichas de inscrição com fotos de crianças operando as mesas de som e os equipamentos da emissora. “A intenção era que uma criança, ao ver o cartaz na sua escola, pensasse: ‘se ele pode mexer nesses botões e microfones, eu também quero'”, conta Mateus Bassan, publicitário criador da campanha de divulgação.

O material foi distribuído nas escolas da rede pública, nos centros de atendimento social e nas instituições dedicadas a adolescentes infratores. Em reuniões dos representantes da Rádio Justiça com a Secretaria de Educação, foram tiradas dúvidas de como participar e surgiram ideias de como os professores poderiam incentivar seus alunos. Os quatro centros para internação de menores em conflito com a lei também foram visitados pela equipe de jornalistas. “Houve troca de experiências e conversas com diretores de escolas e dos centros até que eles enviassem realmente as propostas”, diz a coordenadora da Rádio Justiça, Madeleine Lacsko.

O esforço deu certo. Representantes das escolas públicas do DF e jovens que cumprem medidas socioeducativas foram âncoras de radiojornais, programas de entrevistas, radionovelas, radioteatros, reportagens especiais e de até programas de rap e poesia com conteúdo integralmente produzido pelos próprios grupos.

Conversa com magistrados 
As crianças entrevistaram promotores, juízes, professores universitários e o rapper Mano Brown. Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal também foram ouvidos pelos pequenos. O ministro Carlos Britto falou sobre poesia e o ministro Eros Grau explicou o que é preciso para tomar decisões como juiz. Já o presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, comentou a aplicação da Justiça no país e o ministro Ricardo Lewandowski mostrou como a falta de estrutura no nosso país, em algumas áreas, impede o cumprimento de direitos previstos na Constituição.

Os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Internação de Adolescentes Granja das Oliveiras (Ciago), no Distrito Federal, entrevistaram o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, sobre a ação do Estado diante do desamparo, ausência de cuidados e violência contra crianças e adolescentes – todos qualificados como crimes na lei brasileira.

Avaliação 
Na avaliação da coordenadora da Rádio Justiça, os resultados foram além do esperado. “As ideias das crianças foram ricas não só em conteúdo, mas também na forma de apresentação”, afirma Madeleine Lacsko. Ela conta que, em alguns casos, os programas já chegavam no formato correto para ir ao ar, sem necessidade de adaptações. Em outros, jornalistas e produtores da rádio ajudaram a dar o texto final e a marcar entrevistas, por exemplo.

Madeleine ressalta a importância da participação dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no projeto. “Em colaboração com os juízes locais, nós os trouxemos ao coração do Supremo, para conversar com os ministros”, diz.

O Dia Internacional da Criança na Mídia envolveu, no Brasil, o Conselho Nacional de Justiça, o governo do Distrito Federal e as equipes da Rádio Justiça, que coordenou o projeto desde a seleção das melhores propostas até a produção, edição, sonorização e finalização dos programas, e da Coordenadoria de Imprensa do STF que, através de seu Núcleo de Programação Visual, produziu a campanha de divulgação. Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal.

Revista Consultor Jurídico, 9 de setembro de 2009, 2h39

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