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Meta 2

Juízes do Paraná preveem acúmulo de processos

A Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) divulgou, no último sábado (29/8), carta pública com críticas à resolução do Tribunal de Justiça do estado editada para cumprir a Meta 2 do Conselho Nacional de Justiça. A Instrução Normativa 1 foi assinada pelo corregedor e pelo presidente do TJ. A meta é que todos os processos distribuídos até 31 de dezembro de 2005 sejam julgados até o final do ano. No Paraná, 160 mil processos estão nessa situação.

Para os juízes da entidade, contudo, a resolução implicará na paralisia das varas durante os últimos quatro meses de 2009. “A consequência disto será nova acumulação de trabalho a ser enfrentada no futuro, à custa de novos sacrifícios dos juízes de primeiro grau, de indiscutíveis prejuízos ao serviço judiciário e, principalmente, ao povo, destinatário da nossa atividade”, registraram. Eles estimam que o atraso será em mais de 200 sentenças de mérito e acúmulo de dezenas de audiências.

Ainda segundo a entidade paranaense, a instrução normativa, a pretexto de solver problemas, cria outros ainda mais graves. Segundo eles, todas as varas iniciarão 2010 congestionadas. “A resolução criará um círculo vicioso de mutirões, que só tornará a Justiça ainda mais lenta”, destacou a entidade. "Os objetivos impostos pela resolução, impossíveis de cumprir, autorizam-nos a recear, com tristeza, que a Instrução sirva apenas, ao fim e ao cabo, para expor os juízes, aos olhos da opinião pública e do CNJ, como culpados únicos pelo fracasso anunciado no cumprimento da Meta 2.”

Em ofício ao presidente do TJ-PR, o presidente da Amapar, desembargador Miguel Kfouri Neto, pede a suspensão da instrução normativa. “Os juízes do Paraná são disciplinados, mas não admitem imposições sem diálogo, como se o juiz fosse um subordinado qualquer”, diz o desembargador.

Afirma ainda que a concessão das férias já programadas e estabelecidas de comum acordo pelos juízes não pode ser suspensa, por trazer maiores malefícios que vantagens.

Além disso, admite que é inviável o cumprimento da Meta 2 do CNJ. “O ministro Gilmar Mendes, presidente do STF e CNJ, admitiu de viva voz, na última sexta-feira, que o CNJ não impôs nada aos tribunais, apenas recomendou o acatamento às metas. Assim, o Conselho tem pleno conhecimento de que a consecução cabal da Meta 2 é inviável”, escreveu.

No ofício, o presidente da Amapar aproveita para pedir melhores condições de trabalho para os juízes, com a criação do cargo de assessor para todos os juízes, instalação das varas já criadas, agilização do concurso para juiz substituto.  

Eficiência da meta
Quase seis meses depois de estipulada a Meta 2 do Conselho Nacional de Justiça, metade dos tribunais está a menos de mil processos de atingir o objetivo: julgar até o final do ano todos os processos que deram entrada até 2005. Seis tribunais já atingiram a meta ou estão a menos de 10%. O CNJ não consegue, no entanto, dimensionar o tamanho real do trabalho para todo o Judiciário brasileiro cumprir a meta. Dos 91 tribunais, apenas 65 prestaram contas ao Conselho sobre o compromisso de desafogar a Justiça brasileira. Estes tribunais representam apenas 13% dos 38 milhões de processos ajuizados até 2005 e que estavam pendentes de julgamento no final de 2008. Na época, havia 74,9 milhões de processos em tramitação em todo o Judiciário.

A Justiça Estadual é o principal gargalo para o cumprimento da meta. Dos 38 milhões de processos que entraram no Judiciário até 2005, 33,7 milhões são da Justiça Estadual (88%). Esses 33,7 milhões representam mais da metade — 52% — do total de processos em tramitação na Justiça Estadual. Isso quer dizer que, para cumprir a Meta 2, os Tribunais de Justiça terão de julgar em 2009 metade de todos os processos em tramitação. Até agora, o CNJ sabe que os tribunais estaduais julgaram ínfimos 350,2 mil dos 33 milhões de casos. Mais uma vez, as estatísticas ficam distante da realidade: os TJs do Paraná, Amazonas, Maranhão e São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 3 de setembro de 2009, 0h53

Comentários de leitores

2 comentários

Demonstração de eficiência

Ronaldo dos Santos Costa (Advogado Sócio de Escritório)

Tem razão a Amapar quando diz que nada foi imposto pelo Presidente do CNJ. E nem poderia ser diferente, pois não cabe a tal Órgão interferir na liberdade de Judicatura de forma direta! A recomendação, no entanto, é uma ótima oportunidade para demonstrar o comprometimento com a causa da Justiça e a disposição de buscar um norte para um sistema aprentemente em colapso. Causa estranhesa as declarações de impossibilidade de atingir os objetivos, pois a própria matéria assinala que a maioria dos TJ´s está a um passo de conseguir. Quanto às férias suspensas,o TJ/SP, maior do país em quase todos os sentidos, tomou a mesma atitude (e não apenas ele) e seus Magistrados não se insurgiram, pois entederam que aspirações pessoais não devem se sobrepor a interesses maiores. Não é possível usufruir dos bônus sem acumular alguns ônus! faz parte do jogo!

Ainda existem juízes no Brasil

Gerivaldo (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Todo apoio aos colegas magistrados do Paraná!
Gerivaldo Neiva
Juiz de Direito/Conceição do Coité - Ba.

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