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31 outubro 2009
Liberdade de crença
Ex-fiel não consegue oferta em dinheiro de volta
O Estado não pode impedir qualquer religião ou profissão de fé, com todos os rituais que lhes são próprios, nem julgar práticas religiosas. Com esse entendimento, a juíza Célia Magali Milani Perini, de Guarulhos, negou o pedido de uma ex-fiel que queria a devolução de oferta feita à Igreja Universal do Reino de Deus. O caso chegou ao Colégio recursal dos Juizados Especiais Cíveis Criminais da 44ª circunscrição judiciária (Guarulhos—SP) após o pedido da ex-fiel ser atendido em primeira instância.
Andréia Gomes Montenegro acusou a igreja de coação e disse que durante uma campanha fez doação movida por um “ato emocional” e “impulsão”. A ex-fiel, em 2007, em evento feito pela IURD intitulado “Fogueira Santa”, doou à igreja R$ 500 e sua aliança de casamento, feita em ouro. De acordo com os autos, ela entregou os bens a pedido de um pastor. Caso a entrega não fosse feita, o pastor disse que “ela estaria servindo ao diabo”. Em primeira instância, o pedido de devolução foi aceito.
Em sua defesa, a IURD recorreu. Afirmou que “a prática da oferta remonta a milênios, está prevista na Bíblia Sagrada e é adotada por várias igrejas”. A juíza Milani Perini ressaltou não caber ao Estado analisar se a igreja explora ou não seus fiéis, ou se a forma de pregar desta ou daquela autoridade religiosa conduz seus fiéis a determinada conduta.
Ela afirmou, ainda: Pelo exposto, "além de não estar convencida de que a recorrida fez a doação alegada, também não entendo possa ser declarada nula, à luz da legislação civil, a doação reportada na inicial. Entendo, ao contrário, que na prática do ator impugnado na inicial, ambas as partes estavam no exercício regular de direitos e garantias constitucionais — a recorrente, de realizar seus cultos religiosos, segundo seus dogmas; e a recorrida, de exercer sua liberdade de crença”.
Flávio Rodrigues é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 31 de outubro de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 7 comentários
Industria da Fé
A "Justiça dos Homens" (Poder Judiciário) não é um instrumento para fazer a justiça divina pelo não cumprimento de uma promessa ou porque um Pastor ou Padre está indo contra a Palavra de Deus. O Poder Judiciário é para fazer justiça baseado nas leis promulgadas pelo Congresso e não pela Lei da Bíblia Sagrada.
Quanto ao caso em tela, juridicamente, não há cabimento tal pretensão requerida pela fiel.
No mundo não existem espertos.
IURB: coação e extorsão dos seus fiéis (continuação)
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