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18 outubro 2009
Incerteza nas relações
Relator é contra entrada de Venezuela no Mercosul
A decisão de autorizar o ingresso da Venezuela no Mercosul está nas mãos dos 38 integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado. No dia 29, os parlamentares vão votar o parecer do senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), contrário à adesão dos venezuelanos. Para o tucano, “a personalidade e o modus operandi” do presidente venezuelano, Hugo Chávez, “trazem incertezas quanto ao cumprimento dos compromissos que a Venezuela necessariamente deverá assumir no âmbito do Mercosul”. A informação é da Agência Brasil.
“Seu comportamento [de Chávez] tem sido considerado, não por poucos analistas e forças políticas do continente, belicoso, provocativo e fomentador de divisões. Para muitos, há evidências de que se dedica a um projeto de poder que não coaduna com os interesses do Brasil e do Mercosul. Embora pregando publicamente a integração regional, a Venezuela de Chávez, por suas posições radicais, tem sido um instrumento de divisão e de desintegração na América do Sul”, disse o senador, no relatório.
Para Tasso, sob o governo chavista, a Venezuela vive um “processo acelerado de desmonte das liberdades democráticas, objetivando a perpetuação do presidente Chávez no poder, de militarização do país, de promoção de um projeto político/ideológico regional expansionista e de constante intervenção provocativa em assuntos internos de outros países”.
De acordo com parlamentares que acompanham o processo de discussão, na votação, a tendência é de o relatório do tucano ser rejeitado – portanto, arquivado. Com isso, um voto em separado deve ser aprovado e remetido ao plenário. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já elaborou o voto em separado defendendo a participação da Venezuela no bloco. Jucá tentou retirar a interpretação política da discussão concentrando seus argumentos na abordagem econômica.
Para Jucá, os presidentes da República são substituídos, por isso o que deve ser considerado é o ponto de vista econômico. A tensão deverá dominar a sessão destinada à votação, uma vez que a questão venezuelana virou tema da política interna brasileira colocando oposição e governo em lados opostos.
A votação do relatório no plenário do Senado vai ser nominal. Teoricamente poderia ser simbólica, mas como se trata de um tema bastante controvertido e polêmico, os líderes optam pela discussão, apreciação e posterior votação da proposta.
Revista Consultor Jurídico, 18 de outubro de 2009
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Não acredito!
Se os dezoito estudantes que fizeram greve foi justamente pela chegada da comissão da OEA em Venezuela. E só porque Insulza não os levou no colo pediram para que o CIDH interviesse, o qual Insulza achou mais conveniente.
Se o povo venezuelano não quisesse ao seu presidente não teriam saído às ruas a manifestar, até restituí-lo, quando deram o golpe de Estado contra ele em 2002.
O que eu vejo é um grande marketing contra países como Venezuela, Bolívia, Equador, etc. que querem ser um pouco mais independentes do cabresto norte-americano.
Por outro lado, na parte econômica, temos a casualidade de que o superávit primário de 2008 foi quase exato à balança comercial positiva do Brasil com relação à coitada Venezuela.
Enfim, o medo é pela perda de força de USA nas Américas, que traz saudades dos idos 60s, quando matavam presidentes e colocavam ditadores nesse quintal deles, como verdadeiros capitães-do-mato.
Tanta coisa... Será mesmo que Chavez come coração de crianças nas madrugadas? Será que guarda sangue na geladeira pro café da manhã? Ou que baixa o espíritu do Simón Bolívar nele? Ou presenteia às FARC com armamento pesado? Até agora tudo isso é fofoca.
VENEZUELA NÃO SATISFAZ, NÃO ENTRA É SIMPLES...
O Brasil não deve votar de maneira positiva se a Venezuela não preencher os pressupostos de admissibilidade ao Grupo, é simples, não satifaz, não entra...o Senador Jereissati está com toda a razão e estou com ele.
Chaves e Mercosul
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