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Marília Scriboni
Sociedade deve questionar motivos da defasagem no salário dos juízes
Decorridos quinze anos dos fatores que contribuíram para a extinção do juiz classista na Justiça do Trabalho quando os meios de comunicação publicaram manchetes escandalosas, informações inverídicas e destituídas de qualquer analise técnica, o Tribunal Superior do Trabalho, com base nas falsas afirmações pelos meios de comunicação na época, decidiu que o juiz Classista de 1º Grau não merecia nenhum reajuste de proventos, porém, concedendo os mesmos direitos aos classistas de 2º grau e ministro classista, que recebem proventos reajustados de R$. 22.111,25 e R$. 23.450,00 respectivamente, atuando em franco tratamento discriminatório.
É claro que nossa luta passou para os Tribunais Federais que hoje contam com centenas de ações em todo o país.
Uma coisa é a extinção da representação classista na Justiça do Trabalho e outra, as decisões injustas e discriminatórias aos direitos dos aposentados.
Impossível deixar de comentar um reajuste de 3 anos de “defasagem” aos magistrados, que meritoriamente deve receber seus subsídios sempre reajustados e ignorar um reajuste de proventos a aqueles que trabalharam legalmente e legitimamente cumprindo seu dever com múnus público como se esse país o direito deve proteger somente aos detentores ativos do Poder.
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...”
TARCISIO FREIRE
Em um país onde um aposentado recebe um salário mínimo por mês depois de 35 anos de trabalho, não dá para nenhum juiz ou promotor reclamar do salário.
De outro lado, 13 mil líquidos é realmente um salário baixo, sendo inferiores aos de muitos servidores públicos deste país, inclusive aos de muitos procuradores autárquicos (ah, mas neste caso não seria sacerdócio, não é mesmo?).
Ainda, quanto a falácias como "este é o maior salário do mundo", juízes federais nos EUA recebem 180 mil dólares anuais, e lá se fala abertamente que a carreira está destruída, com inúmeros casos de juízes literamente abandonando a toga para ir à iniciativa privada. No Canadá e na Austrália, o salário anual passa em muito de 300 mil dólares. A última vez que vi na europa, o salário médio por lá era de mais de 8000 euros. Lembrem-se que, nestes lugares, compra-se um ótimo carro por 30 mil euros ou dólares, e a moradia pode ser paga pela vida toda, como no sistema de leasing de veículos.
Em nosso país, como não poderia deixar de ser, já há vários casos de juízes que estão largando a toga para advogar, assumir cartórios, ou mesmo para passar a laborar no ministério público!
Essa questão é estritamente corporativa.
A sociedade deve lutar por um Judiciário forte, independente, eficiente e célere. Ainda estamos longe disso.
A questão de a magistratura possuir salários dignos é de interesse direto da sociedade. Tal já existe.
Recompor perdas inflacionárias é questão de interesse estritamente corporativo. Não chamem a sociedade para defender seus mesquinhos interesses. Vamos lutar por uma Justiça de verdade, por férias iguais às dos trabalhores comuns, por uma Justiça eficiente e célere, de qualidade, por juízes imparciais, por moralização da categoria. Estão a fim?
Trechos do livro "Os Operários do Direito", uma pesquisa com servidores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina organizada pelo professor Herval Pina Ribeiro: "Os magistrados têm consciência de que não fazem justiça; presume-se que, a maioria das vezes, cumprem leis e códigos com probidade e zelo; outros extrapolam ou, simplesmente, se omitem. Sem dúvida, os desembargadores, sob o olhar espantado da sociedade, abusam ao arbitrar os próprios salários, os salários dos magistrados inferiores e os dos trabalhadores subalternos, os destes remetidos lá para baixo. Abusam, porque o fazem com o dinheiro público, isto é, sem serem seus donos e sem serem patrões. Uma autonomia estranha esta: a de empregados do Estado, assalariados como os demais, a distribuir entre si e a seu talante, o que não lhes pertence. Os números estão aí: mais da metade dos recursos financeiros destinados ao pagamento do pessoal Judiciário fica com os 5% dos magistrados, senso lato, e a outra metade com os 95% de 'operários do Direito'".
Hoje, o Brasil é o país que mais bem remunera no mundo a carreira de magistratura e promotoria de justiça.
Todavia, a prestação desses SERVIDORES PÚBLICOS a população brasileira é aquém o que do que se espera.
Arrogantes, prepotentes, mal preparados, descomprometidos com horário, maltratam partes, serventuários e advogados.
Penso que a magistratura é uma DAS MAIS NOBRES CARREIRAS QUE UM JURISTA PODE ADOTAR, MAS É UM SACERDÓCIO. QUEM OPTAR POR ESSA CARREIRA DEVE ESTAR CIENTE DAS DIFICULDADES QUE VAI ENCONTRAR (E NÃO SÃO POUCAS) E ENFRENTÁ-LAS COM CORAGEM. Não postular para si somente as benesses do cargo.
Que?
Favor pesquisar as 20 maiores economias do mundo, e fazer correlação PIB/ salário de juiz.
Voto para reduzir pela metade.
A estratégia selvagem de condenação dos Juízes a salários pequenos deve ser combatida com bastante persistência: a previsão de Kafka está presente hoje de forma incontestável. Os Juízes estão respondendo a um "processo" que não conhecem e recebendo a punição que o "senhor Josef K. recebeu", ou seja, o "punhal" da injustiça está ferindo o "coração judicial" dos Magistrados.
A quem interessa "matar" o Juiz? Aos criminosos em geral, aos astutos em geral, aos apegados em geral.
A quem interessa manter os Juízes dedicados de todo o coração a serviço da justiça? Ao cidadão comum que em geral comporta-se de forma equilibrada e que ainda hoje constitue a grande maioria brasileira.
É possível fazer alguma coisa? Sim, a própria Constituição Federal apontou o caminho. O Supremo Tribunal Federal pode e deve corrigir os salários dos Juízes. Precisa exercer a sua autonomia financeira que foi concedida pela Constituição.
Entendo que o Conselho Nacional de Justiça poderá exercer a administração financeira do Poder Judiciário com equilíbrio e transparência e, ainda, esclarendo a sociedade Brasileira quando quiserem distorcer a realidade para admoestar os Juízes.
Excelentíssima Senhora Juíza é hora certa de cobrar e de repetir a cobrança pois o Poder Judiciário já ganhou a sua liberdade orçamentária mas não está sabendo utilizá-la. O Poder Judiciário pode sim gerir suas finanças.
Muito obrigado pela coragem da matéria que a Senhora Juíza escreveu.
Miguel Guerrieri - Advogado tributarista em Minas Gerais.
Essas duas categoriais podem se considerar a elite salarial do Brasil, com vencimentos médios acima dos vinte mil reais, irredutíveis, inclusive por ocasião de suas aposentadorias, onde continuam a receber proventos integrais e paritários, como se em atividade ainda estivessem.
Que outra categoria de agente público, mesmo entre operadores do Direito, possuem condições remuneratórias tão favoráveis?
Será que a douta articulista sabe quanto recebe atualmente um defensor público ou um delegado de polícia, ambos operadores do Direito, concursados e que também possuem contas a pagar?
Óbvio que a magistratura deve ser bem remunerada, mas daí a afirmar que a pretensa defasagem salarial estaria a comprometer as "contas a pagar" desses profissionais me parece, "data venia", uma afirmação um tanto exagerada.
Comentários encerrados em 13/10/2009
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