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Marília Scriboni
Eleições OAB-SP: reeleição e soberania popular
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Para começar, partem de uma premissa FALSA. Quem foi que disse que a alternância de gestão, no caso das organizações de classe como a OAB, e de poder, no caso da política, usada no artigo como viés introdutório do raciocínio sofístico nele deduzido, implica necessariamente abjuração ou abdução do que já foi feito? Ninguém, que seja minimamente racional, relegaria conquistas positivas. A alternância serve, isto sim, para oxigenar os ares administrativos, os ideais, fortalecer as conquistas positivas, pois sua mantença por outrem é a prova cabal de sua pertinência. Mas serve também para pôr sob o crivo da crítica o que desanda, o que não bom, o que é nocivo, e jamais será reconhecido pelos que se perpetuam no poder, porque na ótica dessas pessoas, inclinadas para a tirania, a dinastia e a perenidade, reconhecê-lo significaria passar atestado de incompetência.
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O novo sempre vem, é exatamente daí que emerge o conflito das gerações, porque novas conquistas são, de regra, rejeitadas pelos velhos.
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No caso específico da Ordem dos Advogados em São Paulo, não há nada de que possamo-nos verdadeiramente orgulhar em termos de conquistas para os advogados que tenha sido promovido na última gestão do Dr. D’Urso.
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A advocacia bandeirante concedeu ao Dr. D’Urso 6 anos de oportunidade para elevar o grau de estima dos advogados perante a sociedade civil. Mas o resultado disso foi um fiasco.
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(CONTINUA)...
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Os únicos que sempre defenderam a advocacia, e não o fizeram somente nesses 6 últimos anos, mas o fazem desde sempre, desde que se tornaram advogados, foram o Dr. HERMES BARBOSA e o Dr. Alberto Zacharias Thoron. Ambos são Conselheiros Federais, mas apenas o primeiro é candidato nessas eleições, encabeçando a Chapa 12 OAB PARA TODOS.
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Até o Dr. Toron deixou as fileiras cada vez mais lânguidas e depauperadas do Dr. D’Durso. Por quê? Só ele pode responder. Mas certamente não foi porque a turma D’Urso agiu com lealdade e correção, porque isso, em se tratando de alianças, essa turma não conhece. Aliança para eles é uma via de mão única, onde a regra prevalente é venha a mim, mas ao vosso reino: NADA!
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Se essa turma fosse movida pelo espírito democrático, teria submetido às alianças que consubstanciaram a base eletiva anterior a escolha do novo candidato. Mas o que foi que fizeram? Tentaram se impor. Menoscabaram o potencial eleitoral dos demais advogados e, o que é muito pior, para justificarem-se, desprezaram a inteligência de todos os advogados quando afirmaram não haver ninguém capaz para a sucessão.
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Ora, será que numa classe com mais de 230.000 — isso mesmo, são cinco zeros, 230 mil — advogados não existe ninguém capaz de nos representar? Do fundo da minh’alma, isso não é apenas um acinte. É uma ofensa coletiva, individual e corporativa, simplesmente inadmissível e intolerável.
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(CONTINUA)...
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Portanto, não me venham defender essa iniciativa autoritária, totalitária e dinástica de re-re-eleição* como se fosse a coisa mais natural do mundo. Porque não é. É um abuso! É um absurdo, esse arremedo de Hugo Chaves da OAB paulista. A contrariedade ao terceiro mandato é genérica.
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Pensem o seguinte: nos próximos 30 anos, se não ocorrer a recondução de ninguém, apenas 10 entre nós, que somos 230 mil, serão presidentes da OAB. Com recondução as possibilidades de outras pessoas serem presidentes da OAB se reduzem ainda mais. Isso sem contar com o incremento da base eletiva, pois a cada anos inscrevem-se no mínimo 8 mil novos advogados. Será isso bom para nós?
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(* o hífen é para enfatizar, pois de acordo com a ortografia correta seria “rerreeleição”, palavra morna, que não transmite a tônica da questão).
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito e doutorando pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br
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