Eleições OAB-SP: reeleição e soberania popular

6/11/2009 14:53Raul Haidar (Advogado Autônomo)DIGA-ME COM QUEM ANDAS...
O comentarista que tem o hábito de escrever muito para dizer pouco fica cada vez mais divertido. Chega a imaginar que todos os 230 mil advogados deste estado sonham com a presidencia da OABSP. É o que se deduz da sua "continha" onde fala que apenas 10 "entre nós" seremos presidentes...Afirmar que só Hermes e Toron foram "Os únicos que sempre defenderam a advocacia" é também muito divertido. Como advogado há 35 anos não consigo esquecer dos que sempre defenderam a Advocacia e ainda defendem e cujos nomes não preciso citar. Muitos o fizeram no anonimato e até com riscos pessoais e jamais imaginaram ser presidentes da OABSP ! Precisamos tomar muito cuidado nesta reta final da eleição para não nos impressionarmos com manifestações infundadas, ainda que seus autores tentem legitimar-se através de titulos academicos. Advogado de verdade não precisa pendurar-se em títulos ou cargos. Também são muito divertidos os apoios e apoiadores. Tem candidato que no desespero vai buscar apoio em clube de futebol. Grande porcaria! E a chapa do Hermes recebe apoio de Conselheiro Federal de Alagoas ! Não precisamos de sapo de fora chiando nesta lagoa...Eu já havia recomendado o uso do "google" para checarmos quem é quem nessas chapas. Agora recomendo o mesmo tipo de consulta para sabermos quem são os "apoiadores"...Afinal, diga-me com quem andas...
6/11/2009 13:18Sérgio Niemeyer (Advogado Autônomo)Novamente a prodigalização de falácias.(1)
Os asseclas da perenização de uma só gestão à frente da OAB, essa gestão dinástica, em que os cargos vão sendo preenchidos com os mesmo e os filhos dos mesmo, tentam defender o indefensável.
.
Para começar, partem de uma premissa FALSA. Quem foi que disse que a alternância de gestão, no caso das organizações de classe como a OAB, e de poder, no caso da política, usada no artigo como viés introdutório do raciocínio sofístico nele deduzido, implica necessariamente abjuração ou abdução do que já foi feito? Ninguém, que seja minimamente racional, relegaria conquistas positivas. A alternância serve, isto sim, para oxigenar os ares administrativos, os ideais, fortalecer as conquistas positivas, pois sua mantença por outrem é a prova cabal de sua pertinência. Mas serve também para pôr sob o crivo da crítica o que desanda, o que não bom, o que é nocivo, e jamais será reconhecido pelos que se perpetuam no poder, porque na ótica dessas pessoas, inclinadas para a tirania, a dinastia e a perenidade, reconhecê-lo significaria passar atestado de incompetência.
.
O novo sempre vem, é exatamente daí que emerge o conflito das gerações, porque novas conquistas são, de regra, rejeitadas pelos velhos.
.
No caso específico da Ordem dos Advogados em São Paulo, não há nada de que possamo-nos verdadeiramente orgulhar em termos de conquistas para os advogados que tenha sido promovido na última gestão do Dr. D’Urso.
.
A advocacia bandeirante concedeu ao Dr. D’Urso 6 anos de oportunidade para elevar o grau de estima dos advogados perante a sociedade civil. Mas o resultado disso foi um fiasco.
.
(CONTINUA)...
6/11/2009 13:16Sérgio Niemeyer (Advogado Autônomo)Novamente a prodigalização de falácias.(2)
CONTINUAÇÃO)...
.
Os únicos que sempre defenderam a advocacia, e não o fizeram somente nesses 6 últimos anos, mas o fazem desde sempre, desde que se tornaram advogados, foram o Dr. HERMES BARBOSA e o Dr. Alberto Zacharias Thoron. Ambos são Conselheiros Federais, mas apenas o primeiro é candidato nessas eleições, encabeçando a Chapa 12 OAB PARA TODOS.
.
Até o Dr. Toron deixou as fileiras cada vez mais lânguidas e depauperadas do Dr. D’Durso. Por quê? Só ele pode responder. Mas certamente não foi porque a turma D’Urso agiu com lealdade e correção, porque isso, em se tratando de alianças, essa turma não conhece. Aliança para eles é uma via de mão única, onde a regra prevalente é venha a mim, mas ao vosso reino: NADA!
.
Se essa turma fosse movida pelo espírito democrático, teria submetido às alianças que consubstanciaram a base eletiva anterior a escolha do novo candidato. Mas o que foi que fizeram? Tentaram se impor. Menoscabaram o potencial eleitoral dos demais advogados e, o que é muito pior, para justificarem-se, desprezaram a inteligência de todos os advogados quando afirmaram não haver ninguém capaz para a sucessão.
.
Ora, será que numa classe com mais de 230.000 — isso mesmo, são cinco zeros, 230 mil — advogados não existe ninguém capaz de nos representar? Do fundo da minh’alma, isso não é apenas um acinte. É uma ofensa coletiva, individual e corporativa, simplesmente inadmissível e intolerável.
.
(CONTINUA)...
6/11/2009 13:14Sérgio Niemeyer (Advogado Autônomo)Novamente a prodigalização de falácias.(3)
(CONTINUAÇÃO)...
.
Portanto, não me venham defender essa iniciativa autoritária, totalitária e dinástica de re-re-eleição* como se fosse a coisa mais natural do mundo. Porque não é. É um abuso! É um absurdo, esse arremedo de Hugo Chaves da OAB paulista. A contrariedade ao terceiro mandato é genérica.
.
Pensem o seguinte: nos próximos 30 anos, se não ocorrer a recondução de ninguém, apenas 10 entre nós, que somos 230 mil, serão presidentes da OAB. Com recondução as possibilidades de outras pessoas serem presidentes da OAB se reduzem ainda mais. Isso sem contar com o incremento da base eletiva, pois a cada anos inscrevem-se no mínimo 8 mil novos advogados. Será isso bom para nós?
.
(* o hífen é para enfatizar, pois de acordo com a ortografia correta seria “rerreeleição”, palavra morna, que não transmite a tônica da questão).
.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito e doutorando pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Comentários encerrados em 14/11/2009

A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.