Notícias
31 março 2009
Descontrole policial
Gilmar Mendes defende controle judicial da Polícia
O controle do Ministério Público sobre a Polícia é algo “litero-poético-recreativo”, que não tem funcionado a contento. “Eles mesmos [membros do MP] admitem isso”, afirmou nesta terça-feira (31/3) o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com Gilmar, a experiência de um novo órgão de controle dos atos policiais poderia partir do Conselho da Justiça Federal. “O CJF poderia fazer um experimento institucional, delegando a alguma vara criminal essa tarefa, começando a coibir abusos que a toda hora se apontam e tentam levar ao descrédito as instituições. É chegada a hora de discutir com seriedade um órgão de controle efetivo da Polícia.”
O ministro deu as declarações ao ser questionado sobre o possível viés político da Operação Castelo de Areia, deflagrada há uma semana pela Polícia Federal. A operação investiga supostos crimes financeiros cometidos pela construtora Camargo Corrêa e doações irregulares de dinheiro para campanhas políticas.
“A imputação de aparelhamento, utilização das instituições para finalidades políticas é sempre preocupante. Temos um dicionário de abusos”, disse Gilmar Mendes. As afirmações foram feitas depois de o presidente do STF assinar um convênio do Conselho Nacional de Justiça com a Polícia Federal e as polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro, para aprimorar o Sistema Nacional de Bens Apreendidos.
O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, defendeu a Polícia Federal. “Quando a Polícia se movimenta, causa desconforto. Não nos cabe rebater as críticas. Nós temos que nos pautar pelo devido processo legal e pelo rigor na produção da prova”, disse.
Corrêa afirmou que a PF não praticou nenhum ato motivado por questões partidárias ou políticas na operação. “Os interlocutores é que falaram nomes de pessoas, instituições e partidos. E estavam sendo interceptados legalmente. O juiz, ao dar publicidade do seu despacho de decisão, se fundamentou inclusive em alguns desses diálogos. Somente o juiz pode fazer isso. Foi isso que provocou o debate público.”
Rodrigo Haidar é correspondente em Brasília da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 31 de março de 2009
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 31/03/2009 Desembargadora dá lição de Direito à PF, ao juiz De Sanctis e ao MP
- 30/03/2009 PF ignorou lei ao fazer busca em departamento jurídico, diz Mariz
- 28/03/2009 Desembargadora critica excesso de suposições para fundamentar prisão
- 28/03/2009 Desembargadora dá liberdade para diretores da Camargo Corrêa
- 27/03/2009 Thomaz Bastos divide defesa da Camargo Corrêa com Cláudio Mariz
- 27/03/2009 Busca em departamentos jurídicos depende de indícios de crime, diz OAB
- 27/03/2009 Arquivada no STJ denúncia contra o ex-diretor da PF, Zulmar Pimentel
- 26/03/2009 Presidente Lula pede fim da pirotecnia a agentes da Polícia Federal
- 26/03/2009 Camargo Corrêa é acusada de desfalque de R$ 71 milhões à União
- 25/03/2009 Diretores da Camargo Corrêa são alvos de operação da PF
Comentários
Comentários de leitores: 12 comentários
Controle Externo!!
A doença infantil do ativismo judicial
E quem controla o supremo do supremo?
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 08/04/2009.