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22 março 2009
Consumo na crise
Como consumir em tempos de crise mundial
A crise mundial, tão alardeada desde o fim do ano passado, sinalizou no Brasil neste início de ano. O crescimento da taxa de desemprego, as demissões em massa, a queda na previsão de crescimento e o corte em gastos públicos e privados têm acarretado uma evidente sensação de retração na economia do país.
O consumidor brasileiro então se pergunta: Quais os cuidados necessários para consumir em tempos difíceis?
Em um cenário de incertezas quanto aos reais impactos da crise financeira, o consumidor deve ter cuidado durante a obtenção de crédito. Existem medidas simples que podem minimizar o endividamento e torná-lo pagável: analise minuciosamente o contrato, pesquise taxas de juros em diferentes instituições de crédito, opte — sempre que possível — por prazos menores de pagamento e, principalmente, avalie se o compromisso assumido mensalmente cabe no orçamento doméstico.
Para o consumidor já endividado, vale o antigo conselho: opte pelo pagamento das dívidas mais caras, ou seja, aquelas cujos encargos da mora são mais elevados, tais como cartões de crédito e cheque especial. Renegocie as dívidas menos onerosas, sempre observando se as prestações renegociadas poderão ser honradas pela renda familiar.
Aproveitar ofertas de produtos e serviços, com preços atrativos, é viável ao consumidor em tempos de crise. Mas é preciso ter atenção se o bem adquirido é efetivamente necessário, de forma a evitar as famosas compras por impulso que, não raras vezes, tornam a oferta de hoje em produto não usado amanhã.
A preferência por compras à vista também deve prevalecer sobre as parceladas, tanto em razão dos encargos embutidos no parcelamento como para não ocultar o real preço da aquisição. Pequenas parcelas de diferentes compras somadas no mês comprometem boa parte da remuneração dos consumidores.
Além disso, é importante estar atento à idoneidade financeira do fornecedor. Desconfie de produtos com preços muito abaixos de mercado e observe o prazo e as condições de vigência da garantia, período no qual eventuais defeitos serão reparados sem ônus.
O mercado de consumo atuante fortalece a economia, gera renda, tributos e empregos e contribui para a superação da crise. Nesta equação crise x consumo, a busca pelo equilíbrio e pela conservação da renda deve ser o norte dos consumidores: compras conscientes, preferencialmente à vista e com moderação.
Fabiana de Oliveira Cunha Sech é especialista em Direito Civil, advogada e sócia do escritório Idevan Lopes Advocacia & Consultoria Empresarial.
Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2009
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