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20 março 2009
Moral provisória
Jornalista lança livro sobre ética em São Paulo

"A moral no jornalismo, é sempre a moral provisória, aquela moldada para caber em cada momento e em cada necessidade – argumentos idênticos costumam ser usados para condenar ou glorificar um personagem”. A frase é do jornalista Caio Túlio Costa, cujo livro Ética, jornalismo e nova mídia – Uma moral provisória será lançado no dia 30 de março, na Livraria Cultura, em São Paulo (Av. Paulista, 2.073), às 19h.
O autor explica que sua ideia não foi fazer um manual de ética para os jornalistas, listando o que é certo e o que é errado. No livro, originado da tese de doutorado que defendeu na Universidade de São Paulo em 2008, Caio Túlio pretende mostrar como tem se praticado o jornalismo. Ele sustenta que, apesar de todas as novidades nos meios de comunicação, o modo de fazer jornalismo não mudou.
Segundo o autor, uma “moral provisória” que atenda às circunstâncias faz parte da indústria da comunicação. Um exemplo é o uso de gravadores ou câmeras escondidas, mentindo ou omitindo informações, para investigar um assassinato ou crimes no mercado financeiro. Uma causa nobre a justificar atitudes que possam ser condenáveis.
"Jean-Paul Sartre dizia que, para conseguir administrar tantas namoradas, era obrigado a recorrer constantemente a um 'código moral temporário', que envolvia mentirinhas e meias verdades." Na capa do livro, é informado que a revelação do filósofo foi utilizada pelo autor para explicar como jornalistas usam argumentos semelhantes para justificar atitudes tidas como condenáveis . O exemplo é o uso de gravadores e câmeras escondidos para investigar um assassinato ou fraudes no mercado financeiro. "Vale mentir, ocultar e omitir porque a causa é nobre?".
O jornalista afirma, ainda, em seu site, que os "veículos de comunicação cobram de pessoas ou de instituições aquilo que eles próprios não praticam". Ele cita como exemplo o nepotismo. No dia 24 de março, às 11h, Caio Túlio Costa vai participar do Ciclo Comunicar Educação, promovido pelo portal Nós da Comunicação (Clique aqui) . O jornalista será um dos participantes de um bate-papo sobre ética.
O livro pode ser adquirido pelo site da Editora Zahar. Clique aqui para ler entrevista com o autor.
Revista Consultor Jurídico, 20 de março de 2009
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Mídia capitalista?
Já se disse muito bem que melhor uma imprensa sem governo do que um governo sem imprensa.
Essas teses devem ser vistas com muita cautela. Não que careçam de cientificidade. O autor com certeza entende do tema. Porém, na mão de governos de esquerda (principalmente), são uma arma e tanto, para fins de manipulação pública em favor de seus interesses, como sói ocorrer com o Petê.
Moral provisória...
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.
Querendo isentar a imprensa
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