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13 março 2009
Última cartada
Defesa de Cesare Battisti pede prescrição de pena
O advogado de Cesare Battisti, Luis Eduardo Greenhalgh, pediu nesta sexta-feira (13/3) a prescrição da execução da pena do ex-militante comunista. Segundo petição protocolada no Supremo Tribunal Federal, Battisti foi condenado pelos quatro homicídios na Itália no dia 13 de dezembro de 1988. Como já se passaram 20 anos, o Código de Processo Penal brasileiro prevê a prescrição, entende a defesa.
Este é a quinto pedido de soltura da defesa de Battisti. A última cartada foi revelada por Greenhalgh em entrevista à revista Consultor Jurídico publicada no dia 13 deste mês — clique aqui para ler. “O processo de extradição tem que ser julgado sob a ótica da legislação brasileira interna, que não prevê prisão perpétua. A lei brasileira prevê trinta anos como pena máxima, e o CPP estabelece que a pena de trinta anos prescreve em vinte. Então, a pena prescreveu em 13 de dezembro de 2008”, afirmou o advogado.
Na petição, o advogado lembra que dezembro de 1988 deve ser considerado porque a decisão não foi contestada pelo Ministério Público da Itália. “Como não houve recurso do Ministério Público, infere-se que a condenação tornou-se definitiva para a acusação na data em que a sentença foi proferida”, diz Greenhalgh.
O argumento é baseado no artigo 112 do CPP. "O peticionário escolheu o Brasil para viver. Quer viver na legalidade e em plenitude com os seus direitos. É refugiado", reforça a petição de Battisti.
A condenação na Itália só transitou em julgado no dia 8 de abril de 1991, o que pode levar os ministros do STF a entenderem que a prescrição só é válida a partir de 2011. Esta tese é defendida pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e pelo advogado que defende o governo italiano, Nabor Bulhões.
“Mesmo supondo que o Ministério Público pudesse ter como prazo para apelar aquele descrito no atual Código de Processo Penal Italiano a sentença transitou em julgado para a acusação em 27 de janeiro de 1989”, rebate o advogado de Battisti.
No dia 13 de janeiro, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio político ao italiano, por entender que existe "fundado temor de perseguição”. Mas ele continua preso uma vez que o STF ainda não decidiu se arquivará ou não o processo de extradição. A decisão de Tarso gerou forte reação da Itália, gerando um incidente diplomático.
No documento, os advogados relatam ainda o risco de Battisti retornar para a Itália. “Não há dúvida sobre o risco do Peticionário sofrer perseguição e ofensa à sua integridade corporal ao retornar à Itália. Além disso, a campanha que a extrema-direita italiana, agora fez em torno do caso, atiçando o ódio contra o Peticionário, leva à certeza de que o pedido extradicional materializa inegável perseguição”.
Na quinta-feira (12/3), Antonio Fernando de Souza enviou parecer ao Supremo sugerindo que Battisti permaneça preso até que seja concluído o processo no qual a Itália pede sua extradição. Faltava apenas esse parecer para que o caso fosse a julgamento no Supremo.
Battisti está preso preventivamente desde março de 2007 no Presídio da Papuda, em Brasília. Com 52 anos, ele é ex-dirigente dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo extremista que atuou na Itália nos anos 60 e 70. Ele foi condenado à prisão perpétua à revelia na Itália por quatro homicídios cometidos pelo PAC entre 1977 e 1979. O italiano nega as acusações.
Clique aqui para ler a petição
Foto: Centro de Mídia Independente
Daniel Roncaglia é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 13 de março de 2009
Arquivo
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Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Facismo X democracia
Tarso, o Grande
Como no bem lembrado caso do MST. Tais fatos só mostram a profunda inversão de valores a que a lacaiada governista (e seus apoiadores) chegou. Matar os seguranças da fazenda não passou de uma ação "arrojada"; os homicídios na Itália não passaram de "crimes políticos".
É de lamentar onde essa manada de apedeutas quer chegar...
supresa para alguem?????????????
Sendo assim esta na hora de tirarmos as respectivas mascaras dos atuais "membros" desse show de democracia de fancaria. O caso aqui é de afinidade pura e simples resgatando nos dias atuais a simpatia vermelha de antigamente , vai dai essa trapalhada do asilo e agora a ameaça do beneficio a outro bandido italiano.
O que considero insuportavel é quererem "empurrar o pepino" no colo do Supremo que vai ganhar os holofotes sem fazer muita questão disso. De qualquer forma , "Eles" entendem de leis bem melhor do que esse gaucho adulador e politiqueiro que atualmente "ocupa" a pasta da Justiça o que é uma pena.Lembremos que "alem de tudo" o bigodudo dos pampas ainda bate palminhas para os bandidos e homicidas do MST e absolutamente NADA acontece com ele, pudera, estamos na republica dos rabos amarrados uns nos outros.QUE NOJO!
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 21/03/2009.