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27 junho 2009
Defesa do mercado
Justiça recebeu 396 ações sobre concorrência

De 1994 a 2006, chegaram ao Judiciário 429 alegações em 396 ações cíveis na segunda instância contra práticas que colocam em risco a concorrência no Brasil. As ações tramitam nos Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais Federais, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal e questionam formação de cartéis, venda casada e abuso de poder de mercado. Os dados foram apresentados pelo advogado Bruno De Luca Drago, do Demarest & Almeida Advogados.
Apenas 7% dessas ações pedem reparação dos danos causados pela violação da livre concorrência. Isso porque, segundo Drago, a discussão é nova no país, apesar de o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor permitirem ações com este objetivo, inclusive reparação de lucros cessantes. Na Europa, há dois anos essa discussão ganhou força.
Das 429 alegações, 35% se referem a preços abusivos. Em seguida, aparecem os processos por formação de cartel (14,7%), venda casada (13,9%), infração à ordem econômica (11,6%) e abuso de poder de mercado (7,2%).
Para o advogado, o número de ações ainda é pequeno e a Lei de Defesa da Concorrência não é quase citada. A explicação para esse fato seria o alto custo do processo, a dificuldade de se encontrar evidências para instruir a ação, o desconhecimento da Lei de Concorrência e o despreparo do Judiciário para lidar com essas questões. Ele explica que qualquer consumidor pode propor uma ação.
*Texto alterado em 17/7 para correção de informação
Lilian Matsuura é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 27 de junho de 2009
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