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25 junho 2009
IMAGENS DA HISTÓRIA
O dia em que Collor confiscou sua poupança
16 de março de 1990. Um dia após a posse de Fernando Collor de Mello como primeiro presidente da República eleito pelo voto direto em mais de 25 anos, os brasileiros tiveram uma desagradável notícia. O governo resolveu botar a mão no dinheiro de poupadores com a justificativa de combate à inflação. Coube à economista Zélia Cardoso de Mello, primeira e única mulher a comandar o Ministério da Fazenda, anunciar o Plano Brasil Novo, que passou a história simplesmente como Plano Collor. Além de uma reforma administrativa ampla, da abertura da economia, de congelamento de preços e salários, a parte mais explosiva do plano consistia no bloqueio, por 18 meses, dos saldos superiores a NCz$ 50 mil nas contas correntes, de poupança e demais investimentos. Além do confisco, a ministra anunciou ainda o corte de três zeros no valor da moeda e a substituição do cruzado novo pelo cruzeiro.
Com a medida, calcula-se que foram congelados cerca de US$ 100 bilhões, equivalente a 30% do PIB. A inflação, que no último mês anterior ao anúncio fora de 81%, caiu para a média de 5% nos meses seguintes. Mas o tiro único desferido na inflação - como prometera o presidente eleito durante a campanha eleitoral - falhou e os preços voltaram a subir logo depois.
Economista formada na USP com passagens pela inicativa privada e pelo setor público, Zélia Cardoso de Mello era praticamente desconhecida do grande público. Mas por sua curta passagem pelo governo, foi considerada a mulher que mais poder teve na história republicana do país. Para montar o plano e o confisco, ela convocou uma equipe de economistas, com Antonio Kandir e Ibrahim Eris à frente.
O próprio Fernando Collor conta em seu livro de memórias que convenceu-se da necessidade de promover o confisco depois de uma reunião com um pequeno grupo de economistas. Faziam parte do grupo o professor Mário Henrique Simonsen, que já fora ministro da Fazenda e do Planejamento, e dois de seus mais brilhantes alunos: André Lara Rezende, uma das cabeças responsáveis pela elaboração do Plano Real, anos mais tarde; e o banqueiro Daniel Dantas, que ficaria mais conhecido não propriamente por seu conhecimento das ciências econômicas. Dantas, segundo Collor, foi radicalmente contra a medida.
O confisco criou um dilema para os seus ciadores: ou mantinha-se o arrocho monetário e corria-se o risco de uma forte recessão; ou afrouxava-se o aperto e corria-se o risco da volta da inflação. Aconteceram as duas coisas: no fim de 1990, a economia havia encolhido 4%. Em setemro do mesmo ano, a inflação já voltara a 20% e continuava em alta. O fracasso do plano foi reconhecido pelo sucessor de Zélia Cardoso. Marcílio Marques Moreira, que assumiu o Ministério da Fazenda em 1991 e ficou até o impeachment de Collor, considerou “exageradas” algumas medidas do plano. Tão exageradas que viraram casos de Justiça.
À época centenas de milhares de liminares foram concedidas pela Justiça para a liberação antecipada do bloqueio. Ainda hoje, tramitam na Justiça Estadual e Federal, 550 mil ações individuais e coletivas contra os planos Bresser e Verão, ambos editados durante o governo do presidente José Sarney, e os planos Collor I e II, do governo de Fernando Collor
O Supremo Tribunal Federal vai se manifestar sobre a constitucionalidade dos planos Bresser (87), Verão (89), Collor I (90) e Collor II (91) na ação movida pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif). Os bancos defendem, no STF, que o estado tem o direito de definir a política monetária para zelar pela moeda nacional e combater a inflação. Eles argumentam que apenas implementaram os planos por determinações do Executivo.
Os bancos se defendem contra a pretensão dos correntistas e poupadores a respeito dos índices de correção da poupança aplicados por ocasião da decretação dos planos econômicos. Se os correntistas levarem a melhor, os bancos podem perder até R$ 100 bilhões, de acordo com dados da Febraban (Federação Brasileira de Banco). Se os bancos levarem a pior, a Consif já afirmou que a única alternativa será acionar o estado para tentar conseguir o ressarcimento da quantia.
Apesar do abalo provocado na economia do país e nas contas pessoais dos cidadãos, há quem considere o plano mirabolante de Zélia Cardoso como uma medida precursora que lançou as bases econômicas para o Plano Real, que cinco anos depois haveria de estabilizar de forma duradoura a economia brasileira.
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► Zélia diz que confisco era necessário
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► Collor diz que se arrepende do confisco
► Collor admite que bloqueio da poupança foi um erro
► Bancos querem definição do STF sobre planos
► STF não suspende ações sobre planos econômicos
Débora Pinho é editora da revista Consultor Jurídico e colunista da revista Exame PME.
Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 5 comentários
prefiro o Richard Smith
Collor foi um CANCER maldito para o Pais e neste caso quem passa por desinformado direitoide e o prezado pois se hoje temo o zezinho dirceu , o "delle" foi aquele repugnante gordo achacador chamado de PC Farias que depois foi devidamente "morrido"num crime que nem crianca pequena acredita. A diferenca entre elle e o nove dedos e unicamente o fator tempo pois collor teve äpenas"dois anos para meter a pata e a petralhada ja esta a 7 , fora isso sao iguais. Voce achar que tudo aquilo que ocorreu foi normal , bem mostra o seu desvio de carater , egoismo e falta de senso de coletividade. Ja perdi tempo demais contigo , va se catar o mane!
hammer eduardo (Consultor)
Meu caro, vc é tão inocente assim para não ver que ele caiu por questões políticas? Vc acha que a Globo e a Veja não ficam roxas de vergonha para verem que ele está ai na cena e pronto para falar a versão DELE da história, resgate político de uma excreção pública que não será jamais conquistada, pq tais veículos de 'imprensa' não irão aceitar que estão errados e que fabricaram a queda dele.
Se ele errou na política monetária, é uma coisa, mas pelo menos Collor não foi o lider da maio quadrilha de bandidos de toda a história do Brasil tal como o Lula é do mensalão.
Acorda! Vai estudar criticamente o contexto da saída do Collor e vai reparar que tudo foi a velha questão política.
Meu caro, Collor foi denunciado no STF por ter comprado com dinheiro público um carro Ipanema... Para com isso. O cara é empresário rico, vai perder tempo com Ipanema???
Por favor, será que não existe ninguém além de alienados que engolem tudo que Globo/Veja dizem??
FAça-me o favor;.
....
Ora, como assim: "O governo resolveu botar a mão no dinheiro de poupadores com a justificativa de combate à inflação".
Botar a mão não! Entendeu tomar uma medida drástica de controle da economia. Não vedada inclusive pela CF/88. Não praticou crime algum nisso, muito diferente, p.ex, do mensalão do queridinho Lula.
Você coloca como se o Collor tivesse pego dinheiro para ele. Ele bloqueou os valores para o Brasil. Se a medida é boa politicamente ou não, isso é uma coisa. Agora, crime não é.
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