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12 junho 2009
Punição a promotores
Conamp tenta barrar aprovação de lei na Câmara
Os representantes do Ministério Púbico iniciam, na próxima semana, uma mobilização em todo o país contra o projeto de lei do deputado Paulo Maluf (PP-SP), conhecido como "Lei da Mordaça". A proposta estabelece penas para autores de ações públicas e populares quando o juiz da causa julgar que houve má-fé, perseguição política ou intenção de promoção pessoal no processo aberto pelos promotores. O movimento será encabeçado pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp). A informação é da Agência Brasil.
O presidente da entidade, José Carlos Consenzo, disse à Agência Brasil que uma das formas de pressão para derrubar o projeto de lei será a atuação direta nos municípios dos 15 mil promotores espalhados por todo o país. “Será um trabalho na base. O promotor vai atuar na comunidade mostrando que o parlamentar eleito [no exemplo, Paulo Maluf, eleito por São Paulo] atua [na Câmara dos Deputados] em causa própria”, afirmou.
Outra frente do movimento é espalhar pelo país outdoors pelas cidades “para mostrar à sociedade os problemas de se retirar prerrogativas dos promotores". Consenzo ressaltou que a mobilização vai contar com apoio de outras entidades, como Transparência Brasil, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), entre outras.
Nesta semana, a matéria recebeu o apoio de líderes partidários, como Cândido Vaccarezza (PT-SP), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), José Aníbal (PSDB-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Fernando Coruja (PPS-SC), para que tramite em regime de urgência.
Essa tramitação, no entanto, depende ainda da aprovação em plenário de 257 deputados. Apesar de não ser consenso na bancada do PT, o líder Cândido Vaccarezza considera o projeto de lei “plausível”. Para ele, uma vez explicada a proposta aos deputados não haverá problema na sua aprovação pela Casa.
Sobre a atuação dos promotores nas comunidades locais para barrar o projeto de lei, Vaccarezza não acredita que “promotores de boa-fé entrem neste movimento”. Outros deputados, entretanto, não acreditam numa tramitação fácil da matéria.
O corregedor Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), por exemplo, admite que a proposta de Maluf é polêmica. “Isso não foi conversado no partido. De fato, não é uma coisa simples e não vejo como votar rápido. E por que pressa?”, perguntou.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) considerou que a Câmara dará “um tiro no pé” caso aprove o projeto de lei. Segundo ele, já existe uma mobilização do PV, PSOL e PPS para, se for o caso, tentar obstruir a apreciação da proposta, se for aprovada urgência em plenário. “Dificilmente [o projeto] será aprovado, pois necessita do apoio de 257 deputados para tramitar em urgência e, depois, ainda ser submetido a uma segunda apreciação [de mérito]”, lembrou Gabeira.
Revista Consultor Jurídico, 12 de junho de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 5 comentários
Sr. Promotor SE (Promotor de Justiça de 1ª. Instância)
A QUEM INCOMODA A ATUAÇÃO DO MP?
Verberam os abusos do MP (como se isso fosse a regra), mas esquecem que (eventuais) desvios de conduta são verificados em TODAS as instituições, mesmo porque são formadas por seres humanos, em toda a sua diversidade.
Sou, com muito orgulho, membro do MP, e - diferentemente do que se apregoa - conheço casos de colegas que foram punidos por falta disciplinar, na forma da lei. Não posso dizer que foram várias tais ocorrências, mesmo porque, como já dito, o desvio de conduta, na nossa instituição como em outras, não é a regra, mas a exceção.
Talvez os colegas advogados que se manifestam aqui, afirmando que "[...] jamais se viu um promotor ou procurador punido por abuso praticado contra o cidadão", assim o façam pelo mesmo motivo que poderia me levar a dizer que nenhum advogado é punido pela OAB, por transgressão disciplinar: completo desconhecimento de causa.
Manifestações maniqueísticas e desarrazoadas com as quais nos deparamos diurturmamente contra a instituição do Ministério Público nos conduz à seguinte indagação: A quem incomoda a atuação do MP?
Será que a sociedade ganha com a aprovação de um lei permeada de conceitos vagos que tem como único propósito manietar a função ministerial?
É legítimo e moral que propostas legislativas desse jaez partam de parlamentar que é réu em inúmeras demandas propostas pelo "Parquet", ainda sob a apreciação do Poder Judiciário?
Com o perdão da redundância, é lícito legislar em causa própria?
A QUEM INCOMODA A ATUAÇÃO DO MP?
Verberam os abusos do MP (como se isso fosse a regra), mas esquecem que (eventuais) desvios de conduta são verificados em TODAS as instituições, mesmo porque são formadas por seres humanos, em toda a sua diversidade.
Sou, com muito orgulho, membro do MP, e - diferentemente do que se apregoa - conheço casos de colegas que foram punidos por falta disciplinar, na forma da lei. Não posso dizer que foram várias tais ocorrências, mesmo porque, como já dito, o desvio de conduta, na nossa instituição como em outras, não é a regra, mas a exceção.
Talvez os colegas advogados que se manifestam aqui, afirmando que "[...] jamais se viu um promotor ou procurador punido por abuso praticado contra o cidadão", assim o façam pelo mesmo motivo que poderia me levar a dizer que nenhum advogado é punido pela OAB, por transgressão disciplinar: completo desconhecimento de causa.
Manifestações maniqueísticas e desarrazoadas com as quais nos deparamos diurturmamente contra a instituição do Ministério Público nos conduz à seguinte indagação: A quem incomoda a atuação do MP?
Será que a sociedade ganha com a aprovação de um lei permeada de conceitos vagos que tem como único propósito manietar a função ministerial?
É legítimo e moral que propostas legislativas desse jaez partam de parlamentar que é réu em inúmeras demandas propostas pelo "Parquet", ainda sob a apreciação do Poder Judiciário?
Com o perdão da redundância, é lícito legislar em causa própria?
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