Notícias
17 julho 2009
Briga de família
Avó de Sean Goldman pede que ele seja ouvido
A avó do menino Sean Goldman, Silvana Bianchi Ribeiro, pediu Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal para que o garoto, de nove anos, seja ouvido pela Justiça Federal sobre a sua vontade de viver no Brasil ou nos Estados Unidos, onde mora o pai biológico, David Goldman. Há uma decisão da 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro determinando a entrega da criança ao pai biológico, mas a execução encontra-se temporariamente suspensa por ordem do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Silvana sustenta que a criança, registrada como brasileira, deve ter sua vontade conhecida antes de se mudar para os Estados Unidos. “E não se diga que ele, que conta com nove anos de idade, não tem discernimento para ser ouvido ou para que a sua vontade seja considerada. Ele já alcançou a idade da razão e não só pode como tem o inelutável direito de dizer o que pensa e de influir na decisão que diga respeito ao seu futuro”, alega a avó do menino.
A defesa reclama que o juiz de primeira instância se recusou a colher o depoimento judicial de Sean no curso do processo, tirando a oportunidade de expressar a sua opinião sobre o caso, como prevê o artigo 13 da Convenção de Haia, o artigo 12 da Convenção sobre os Direitos das Crianças e também o artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
A avó diz não reconhecer a veracidade do depoimento de Sean a três peritas nomeadas pelo juiz, com a participação de assistentes técnicas apresentadas pela União e pelo padrasto do menino, João Paulo Lins e Silva. De acordo com o laudo produzido pelas peritas, o menino disse que “tanto faz” viver no Brasil com a família materna (a mãe de Sean morreu no ano passado no parto de uma menina) ou com o pai biológico nos Estados Unidos.
Segundo Silvana, em depoimento para psicóloga, transcrito por tabelião de notas, por pelo menos sete vezes o garoto mostrou vontade de permanecer no Brasil, mas o juiz desconsiderou o depoimento por não tê-lo autorizado expressamente.
A avó de Sean já fez o mesmo pedido de Habeas Corpus ao Superior Tribunal de Justiça, mas já foi negada liminar. Por isso, Silvana pede que o Supremo afaste a aplicação da Súmula 691 do STF, que impede o tribunal de apreciar HC sem que o tribunal superior tenha entrado no mérito do pedido. Argumenta que o menino está sendo submetido a constrangimento ilegal.
A ação foi direcionada para a presidência da corte, devido o período de férias forenses. Cabe ao presidente definir se o pedido liminar é urgente o suficiente para que seja analisado imediatamente. Caso não seja, o HC será distribuído para algum ministro da corte e analisado após o dia 3 de agosto, quando o tribunal retoma, plenamente, suas atividades. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.
HC 99.945
Revista Consultor Jurídico, 17 de julho de 2009
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 25/06/2009 Enquanto Justiça não decide guarda, Sean permanece no Brasil
- 20/06/2009 Notícia sobre tributo a Troncoso Peres é a mais lida da ConJur
- 18/06/2009 Juiz diz que guarda de Sean é do pai e determina transição de família
- 16/06/2009 COLUNA DO HAIDAR: o caso Sean e a política americana do Big Stick
- 13/06/2009 Leia voto de Marco Aurélio que não admitiu ADPF no caso Sean
- 12/06/2009 Juiz aplicou Convenção de Haia em caso de garoto alemão
- 10/06/2009 ADPF não deve ser admitida quando há outros recursos legítimos
- 10/06/2009 Liminar do TRF-2 garante permanência de Sean Goldman no Brasil
- 08/06/2009 União pede para participar de processo no Supremo sobre Sean Goldman
- 08/06/2009 AGENDA DA JUSTIÇA: Supremo julga exigência de diploma para jornalista
- 07/06/2009 Caso Sean: O STF analisará o nível hierárquico da Convenção de Haia
- 03/06/2009 Supremo julga guarda de Sean Goldman na próxima semana; leia a ADPF
- 02/06/2009 Supremo decide que menino Sean Goldman deve ficar no Brasil
- 01/06/2009 Justiça decide que o menino Sean deve voltar para os EUA com o pai
- 28/05/2009 DEM pede ao Supremo suspensão de dispositivos da Convenção de Haia
- 25/04/2009 Defesa de família brasileira de Sean critica Embaixada dos EUA
- 15/04/2009 Brasil foi negligente ao permitir retenção de Sean Goldman no país
- 18/03/2009 Pai de Sean apresenta suas razões ao Conselho Nacional da Criança
- 17/03/2009 Embaixador dos EUA faz lobby indevido, reclama advogado.
- 15/03/2009 EUA desrespeitam independência do Judiciário, diz OAB sobre caso Sean
- 12/03/2009 Família brasileira de Sean contesta defesa de Goldman feita pela AGU
- 10/03/2009 Guarda de Sean envolve leis brasileiras, americanas e acordo internacional
- 06/02/2009 Pai americano consegue direito de ver o filho após acordo com padrasto
Comentários
Comentários de leitores: 6 comentários
ESSA JUSTIÇA BANANEIRA, OPS, BRASILEIRA
Justiça que não decide
Mais tentativas de manipulação
O menino deve permanecer com o pai e, nunca, mas nunca mesmo, com um padrasto que despencou das alturas.
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 25/07/2009.