Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Escolas de Direito

FGV Direito Rio ensina aluno a ser empreendedor

Por 

A FGV Direito Rio, no Rio de Janeiro, vai formar a sua primeira turma de bacharéis este ano. Nesse final de curso, os alunos podem optar por qual setor querem se aprofundar: a advocacia privada ou o serviço público — advocacia e Poder Judiciário. Neste sábado (31/1), a Consultor Jurídico publica reportagem sobre a faculdade como parte da série Escolas de Direito.

Assim como a FGV Direito em São Paulo, o curso da FGV Direito Rio tem duração de cinco anos. Os três primeiros são em tempo integral. No último ano de faculdade, se o estudante optar por advocacia pública e Poder Judiciário, terá disciplinas como Evolução, Reforma e Aperfeiçoamento da Justiça ou Gestão Administrativa e Política das Instituições Jurídicas Públicas.

“A preocupação é formar um novo profissional para esse setor. Não é para preparar aluno para concurso público”, explica o coordenador do curso, Evandro Menezes de Carvalho. Segundo ele, a ideia da faculdade é fazer com que o aluno entenda de gestão, saiba da necessidade de agilidade pelos órgãos públicos, tenha iniciativas e seja empreendedor. “É desse profissional dentro do Judiciário e do Ministério Público que o Brasil está precisando.”

O estudo da advocacia privada tem foco na área empresarial. O coordenador conta que a escola dá ênfase em arbitragem e negociação. Mesmo a parte penal tem um viés econômico.

A preocupação da faculdade na formação do aluno é quase uma crítica ao modo como é feito o Exame de Ordem. “Nosso aluno tem uma liberdade de reflexão extremamente elevada em relação aos alunos que foram doutrinados. Ele não é treinado para uma avaliação de marcar X”, afirma Evandro Menezes. Mesmo assim, a faculdade oferece para o aluno um programa online com prova simulada da OAB. 

Método moderno

Para o projeto de ensino dar certo, a faculdade depende do empenho dos alunos. Eles contam com um material didático próprio, elaborado pelos professores, que deve ser lido antes da aula. As apostilas trazem o conteúdo do que será discutido, indicação de livros e textos. Se não houver a preparação, o aluno não conseguirá acompanhar as discussões em sala.

“A escola fornece todos os meios para que seus alunos sejam os melhores profissionais no mercado de trabalho”, diz o estudante Eduardo Oliveira. O coordenador do curso, Evandro Menezes, afirma que o estudante é incentivado a ter boas notas. Isso pode lhe garantir vagas em disciplinas oferecidas pela pós-graduação.

Outro desafio da escola é ter professores que trabalham com um ensino cujo método é diferente daqueles adotados por faculdades onde eles próprios se formaram. A maioria é jovem. “Um dos objetivos é investir em profissional que a escola não formou, que aprendeu Direito de uma forma diferente”, diz Evandro Menezes.

A tecnologia não fica de fora. A escola mostra-se antenada aos novos meios de produção de conhecimento. Ela estimula, por exemplo, os alunos a participarem, junto com os professores, do WikiDireito, uma espécie de Wikipedia do curso. O WikiDireito fica disponível no site da FGV Direito e reúne conceitos do Direito. É alimentado pelos próprios alunos e professores. 

A faculdade procura ensinar ética para os estudantes. O aluno que é pego colando nas provas não perde apenas os pontos na avaliação e um certo descrédito junto ao professor. Ele é enviado a um Comitê de Ética e pode sofrer sanção pelo comportamento.

Mão na massa

Além da prática jurídica nas áreas de Direito Penal, Civil e Trabalhista, exigência da OAB, o aluno da FGV Rio é obrigado a ter contato com Direito Constitucional, Tributário, Administrativo e Empresarial. Isso é feito em práticas simuladas durante os dois últimos anos do curso.

Na faculdade, os alunos ainda vivenciam o Direito como ele é na vida real. No semestre passado, os estudantes elaboraram um memorial de amicus curiae que foi apresentado pelo Grupo Arco-Íris na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 132, em tramitação no Supremo Tribunal Federal. A ADPF discute a equiparação jurídica no plano civil das uniões estáveis homossexuais.

“A ideia é fazer diferença na hora de o aluno ir ao mercado. Ele aprende a não fazer peças que todo mundo faz e nem copiar os vários modelos de petição disponíveis na internet. É lógico que uma ação de alimentos é importante para uma pessoa, mas queríamos algo que transcendesse a perspectiva individual”, explica o coordenador do Núcleo de Práticas Jurídicas, Thiago Bottino. “Para um aluno de graduação, poder participar de uma discussão de alto nível é um negócio fantástico. Vi alunos trabalharem no final de semana, empolgados, para fazer, em seis meses, uma petição.”

A faculdade, que vai formar sua primeira turma no final de 2009 e recebe, anualmente, 100 alunos, ocupa dois andares do prédio da Fundação Getúlio Vargas na Praia de Botafogo. É dirigida pelo professor Joaquim Falcão, que atualmente integra o quadro de conselheiros do Conselho Nacional de Justiça. Estudar na FGV pode custar até R$ 1.900 por mês. Segundo Evandro Menezes, a faculdade também oferece bolsas. “Aluno bom não deixa de estudar na FGV Rio.”

 é correspondente da Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 31 de janeiro de 2009, 8h59

Comentários de leitores

1 comentário

Exame OAB

PM-SC (Advogado Autônomo - Civil)

Curso de direito desse modo, lembra os mesmos rigores curriculares exigidos pela "Sorbonne" onde, para tantas personalidades, concedeu também graduação a Joseph Ratzinger - Papa Bento XVI - Sumo Pontífice.
Com efeito, é de se imaginar que os graduados em direito pela FGV, por certo, não darão os vexames que estão acontecendo atualmente em alguns casos, com registro de baixo nível apurado em exames exigidos pela OAB a fim de que o bacharél possa postular em juízo com alta sabedoria e destacado profissonalismo.

Comentários encerrados em 08/02/2009.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.