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Gaza em guerra

Israel e palestina não merecem simpatias ou antipatias

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 Há na literatura mundial um livro denominado Sem olhos em Gaza, cuja primeira divulgação, feita em 1936, permite reflexões sobre a cegueira humana. O título, na Internet, é corrompido, porque o que se localiza é Cem olhos em Gaza, ou seja, uma centena de olhares dirigidos a tal destino. Pelo sim ou pelo não, o que existe nos endereços da mídia eletrônica é curioso. Veja-se, por exemplo, a expressão “Cem olhos por um olho”. Fica tudo muito esquisito, sabendo-se, entretanto, que o livro Sem olhos em Gaza foi escrito em 1936 por Aldous Leonard Huxley, autor, entre outras obras, de Admirável Mundo Novo. A corruptela do título do livro vem a calhar enquanto se analisa a tragédia envolvendo a guerra entre israelitas, de um lado, e palestinos, do outro, tudo dizendo com dezenas de mísseis caseiros desfechados pelo “Hammas” e o contragolpe certeiro, preciso e violentíssimo praticado por Israel.

Parece que os ataques palestinos não são oficiais, mas sim, produtos de esforços não estatais (fatos discutíveis), sabendo-se, entretanto, que os israelitas têm na agressão ou reação o esforço do Estado enquanto tal. A briga se perde na antigüidade. Convenha-se, entretanto, que os judeus, a partir do esforço monumental que lhes permitiu obter e conquistar, mantendo-o, território adequado à constituição de um Estado-Nação, decidiram-se em demonstrar por pensamentos, palavras e ações, não estarem mais dispostos a carregar no peito a tatuagem advinda, há dois mil anos atrás, do sacrifício de Cristo.

Não se faça qualquer apreciação sobre a oportunidade ou não da mudança de atitude, mas é preciso notar o óbvio: há, no mundo todo, esforço concentrado de masculinização dos herdeiros de tal discutível herança. Obviamente, Israel é, hoje, uma nação guerreira, com exército bem aparelhado e máquinas de guerra muito produtivas, notando-se que, na tradição hebraica, a raça se perpetua pelo ramo materno. Dentro do contexto, existe uma espécie de descendência à maneira das “Amazonas”. Isso vem dos tempos de Pompeu Magnus e Nero.

No fim das contas, expurgando-se os sofrimentos multimilenares impostos a esse povo, sem descuramento dos campos de concentração de Berna e Dachau, entre outros, os judeus constituem um povo entre muitos, não valendo a respeito simpatias ou antipatias. Vê-se, no entanto, que há, no mundo inteiro, reações cada vez mais concentradas sobre a agressividade com que o Estado de Israel está a praticar retaliações àqueles que vêm, do lado palestino, desfechando mísseis indiscriminadamente contra o território judaico.

Dentro de tal contexto, o presidente Shimon Peres e o premier Ehud Olmert devem estar carregando, querendo ou não, o castigo correspondente à morte de duas ou mais centenas de crianças palestinas, não valendo dizer que ambos não determinaram tal conseqüência. A situação é muito simples: embora não se cuide, aqui, do denominado “Efeito Borboleta”, sabem os dois, mais alguns, inclusive aqueles que apertam os gatilhos, que há infantes morrendo no outro lado, não se justificando o argumento no sentido de que os palestinos não sabem proteger seus filhos. Afirmativa desse teor beira a loucura moral.

Presidentes e ministros podem enlouquecer. Há exemplos análogos na história da humanidade. De qualquer forma, valeria ampliação de foto publicada na imprensa mundial mostrando o cadáver de uma garota com seus 10 ou 11 anos, sustentada no colo de um adulto e chorada por muitos circunstantes. É fotografia para que cada um dos dois carregue sob o travesseiro ou pendure na sala de visitas da casa de cada qual. Dir-se-á que a guerra é assim. Isso vale a título de desculpa, talvez, mas obriga que os líderes da carnificina ensangüentem a fronte, ajoelhados, no muro das lamentações, em Jerusalém, pedindo perdão a Maomé. O profeta Mohamed sabe das coisas. Há de perdoar, inclusive, assassinos de crianças. Consulte-se o Alcorão. Os rabinos, bons intérpretes, olhando as crianças defuntas, hão de encontrar a solução.

No tocante aos palestinos, escrevi certa vez, já há muito, que sempre há de sobrar alguém atrás das dunas, o dedo no gatilho, aguardando tempo certo para a vingança. Há, aliás, episódio bíblico de sobrevivência: a criança, dentro de um cesto, é arrastada na correnteza do rio e recolhida pela rainha. No episódio, ainda prevalente, acautelem-se os israelenses agressores. Gaza tinha, segundo cálculos razoáveis, cinqüenta mil petizes já desnutridos. Meninos e meninas constituem quase 50% da população de Gaza, isto é, 600 mil jovens. Haja guerra! Ou então, extermine-se a população infantil da Palestina.

 é advogado criminalista em São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 11 de janeiro de 2009, 8h00

Comentários de leitores

7 comentários

Dúvida sobre as mortes de crianças

ERocha (Publicitário)

"o castigo correspondente à morte de duas ou mais centenas de crianças palestinas"
- Perai, as vítimas civis não chegam a 200 segundo os jornais, como existe mais de 200 mortes de crianças?

continua

Matrix (Outros)

1) No Oriente Médio são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Essa defesa chama-se represália.br/2) Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isso se chama ''terrorismo''.br/3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama ''legítima defesa''.br/4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama ''Reação da Comunidade Internacional''.

continua

Matrix (Outros)

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama ''Neutralidade jornalística''.
12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são ''Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade''.

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