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O assessor que sabia javanês

Brasil não tem de importar a luta entre israelenses e palestinos

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Entre as tradições da diplomacia brasileira, há duas mais fortes do que todas as outras:

1 — O Itamaraty, nosso Ministério das Relações Exteriores, é extremamente profissional e competente, um celeiro de quadros de excelente qualidade para todas as áreas do governo;

2 — Os curiosos que se arvoram em diplomatas sempre dão errado, mesmo quando assumem com a fama de gênios. São como “O Homem que Sabia Javanês”, de Lima Barreto: valem enquanto não aparece ninguém que fale javanês de verdade e fique demonstrado que não entendem nada.

A fauna de curiosos que atrapalharam a diplomacia brasileira é rica. Envolve um ex-presidente que, embaixador em Portugal, teve como principal feito a construção de um galinheiro na residência oficial, para fornecer-lhe a matéria-prima essencial para o frango à mineira; e, transferido para a Itália, morando no magnífico palácio Doria Pamphili, não se sentia bem e passou a maior parte do tempo no Brasil.

Houve um general de pijama, que fez parte da Junta Militar de 1969 (aquela que o deputado Ulysses Guimarães imortalizou com o nome de “Os Três Patetas”), que foi embaixador em Paris.

Outro general, chefe dos subterrâneos das informações, virou embaixador em Lisboa — obrigado, Portugal, pela paciência que teve conosco!

Aritgo publicado na Folha de S. Paulo desta quinta-feira (8/1).

Apoiar a eleição de Evo Morales, que logo depois de tomar posse ocuparia militarmente as instalações da Petrobras?

Apoiar a eleição de Rafael Correa, cujo maior sonho é não pagar o que deve ao Brasil?

Ficar ao lado dos narcoterroristas das Farc, que a Colômbia atacou em território equatoriano?

Tentar importar para nosso país a luta entre israelenses e palestinos — justo aqui, onde árabes e judeus convivem bem entre si, brasileiros que são?

Intervir na política interna de um país vizinho, fornecendo gasolina para que o presidente venezuelano Hugo Chávez pudesse derrotar os grevistas da Petroleos de Venezuela e apoiando sua polêmica decisão de fechar a TV oposicionista?

Vestir-se com roupas de colonizador inglês na Índia para esperar, na selva colombiana, uma libertação de reféns que não ocorreu?

Nada disso é Itamaraty: nossos diplomatas não fazem papel ridículo.

Tudo isso é Marco Aurélio Garcia, o estranho especialista em política latino-americana que jamais escreveu nenhuma obra sobre o assunto, mas conseguiu se transformar em conselheiro do presidente Lula.

Garcia, é bom que se recorde, não se limita às atividades paradiplomáticas: foi também aquele que fez o famoso “top, top”, o obsceno “top, top” para comemorar o fato de que não era o governo o responsável pelo acidente da TAM que matou 199 pessoas — isso enquanto o país, de luto, não tinha como aceitar nenhuma comemoração.

E é Marco Aurélio Garcia que, tomando partido numa luta com a qual o Brasil nada tem a ver, dá total razão aos palestinos do Hamas.

A briga é deles, não nossa; mas Garcia conseguiu convencer Lula de que o Brasil pode ter êxito onde Estados Unidos, França, Rússia, Inglaterra e ONU falharam.

O Brasil, como país neutro, como ponto de convergência de árabes e judeus, poderia ter um papel importante na busca da paz. Mas, tomando partido, perdeu quaisquer condições de influir na região.

Há poucos dias, o presidente Lula afastou Marco Aurélio Garcia da função de palpiteiro-mor de política externa, mas o manteve como assessor.

Entretanto, sua influência sobre o presidente é tamanha, ou foi tamanha, que as coisas que diz são tomadas internacionalmente como o pensamento de Lula. É ruim para o presidente, é ruim para o Itamaraty, é pior para o Brasil.

Talvez a solução fosse enviá-lo para a França, onde estudou, e onde estão os trotskistas que, há 40 anos, influenciaram sua cabeça stalinista.

O ex-primeiro-ministro alemão Konrad Adenauer tem uma frase clássica, que é impossível não citar aqui: “O bom Deus, que limitou a inteligência humana, bem que poderia ter limitado também a estupidez”.

 é jornalista, consultor de comunicação e especialista em gerenciamento de crises.

Revista Consultor Jurídico, 8 de janeiro de 2009, 11h31

Comentários de leitores

11 comentários

Falta de aplicação, de elaboração, de observaçã...

ZÉ ELIAS (Advogado Autônomo)

Falta de aplicação, de elaboração, de observação das Leis.É um problema não só do Brasil, mas também pelo mundo afora. A impunidade reina magestosa. Até quando? Esses probelmas, para quem raciocina, não terão solução em nenhum lugar do mundo, enquanto o mundo for mundo. Quem viver, não verá!

Eu não sei javanês, nem muito menos de relações...

Matrix (Outros)

Eu não sei javanês, nem muito menos de relações internacionais. Sei que assassinos de crianças, sejam eles judeus, palestinos ou nazistas, devem ser punidos, de acordo com as leis internacionais. Tenho certeza que em muito breve, esses assassinatos serão julgados e seus mandantes condenados por crime de guerra. O que Israel está fazendo é um crime contra a humanidade, não só contra o povo palestino. O massacre (por razões óbvias) está acontecendo durante a transição no governo dos EUA e deve terminar com a posse de Obama. A classe média norte-americana, assim como nós, também não fala javanês e está manipulada pela mídia. Quando perceber o que está acontecendo forçará seu governo a frear Israel. Enquanto isso, para ficarmos longe dessa sujeira, o melhor a fazer é expulsar o embaixador de Israel.

Esta certo o brasil não deve se meter, deixe el...

jose brasileiro (Outros)

Esta certo o brasil não deve se meter, deixe eles se matarem. Logo aqueles paises vizinhos terão seus artefatos nucleares e aih, cada um jogara um bombinha no colo do outro. Depois disso, o mundo tomara conta do que esta mais preocupado ou seja o petroleo que esta debaixo da terra. Tomara somente que deus ou outro nome, que coloque juizo na cabeça daqueles que podem pacificar aquela região, antes que chegue ao ponto de nunca mais ter retorno.

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