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Pioneiro de Brasília

Morre desembargador Lúcio Batista Arantes

O primeiro juiz de Brasília, desembargador Lúcio Batista Arantes, morreu na manhã de quarta-feira (11/2) aos 90 anos. Arantes estava internado havia 20 dias na UTI de um hospital particular do Distrito Federal. “Ele foi um grande homem e a sua história se confunde com a de Brasília”, afirmou procurador do Distrito Federal, Luciano Arantes, filho mais velho do desembargador, em entrevista ao Correio Braziliense.

Lúcio Arantes nasceu em Trindade (GO) em 3 de setembro de 1918. Era casado com Bety e deixou quatro filhos - além de Luciano; Túlio Arantes, procurador-geral do DF; o advogado Leonardo Arantes e a assessora de cerimonial do Tribunal de Justiça DF Beatriz Arantes. “Era conciliador por natureza e me ensinou a sempre ouvir o outro lado”, afirmou Túlio.

O primeiro juiz de Brasília se formou na Faculdade de Direito de Goiás. Iniciou a carreira como escrituário de Goiás, em 1942. Em 1951, se tornou juiz de Planaltina, quando a cidade ainda fazia parte de Goiás. Como era o juiz mais próximo de Brasília enquanto era construída, a cidade foi para a jurisdição.

Com a inauguração da capital, foi nomeado juiz substituto da Justiça do Distrito Federal. Inicialmente, atuou no Fórum de Planaltina. Arantes tomou posse como desembargador em 1968. Na trajetória como juiz, foi presidente do Tribunal Regional Eleitoral e vice-presidente e presidente do TJ-DF (no biênio 1976/1978). O desembargador se aposentou em junho de 1988. É autor do livro Do Barro Preto do Planalto Central, em coautoria com Bento Fleury.

O corpo de Arantes foi velado no saguão do Palácio do TJ-DF na tarde de quarta e sepultado às 18h no cemitério Campo da Esperança. Cerca de 60 pessoas acompanharam o sepultamento. “A melhor herança que alguém pode deixar é o exemplo. Uma boa árvore dá bons frutos, e é o que ele deixou”, afirmou o governador José Roberto Arruda (DEM), durante o velório.

O desembargador aposentado era muito respeitado no meio jurídico do DF. O presidente do TJ-DF, Níveo Gonçalves, lamentou a morte. “Um magistrado que lutou o bom combate digno e justo. Deixa saudades e entra para a história do DF”, disse. A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF), Estefânia Viveiros, lembrou que Arantes era conhecido pela seriedade. “Era um homem muito trabalhador, que sempre apreciou suas causas com isenção”, disse.

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, divulgou nota de pesar. “A Corte Suprema do País rende todas as homenagens ao desembargador Lucio Arantes, falecido ontem. Primeiro juiz da nova capital, Dr. Lucio foi um pioneiro também nas lições de cidadania que diuturnamente ministrava onde estivesse. Como magistrado, escritor, professor de história, pai dedicado e brasileiro de alta envergadura, deixa como inestimável legado a Brasília o seu grandioso exemplo de honradez, equilíbrio e generosidade.”

Revista Consultor Jurídico, 12 de fevereiro de 2009, 18h49

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