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Entrevista: Maria Teresa Sadek, cientista política
A autora como cientista política, se realizou pesquisas mais complexas, em algum momento por certo esbarrou com a difícil situação de ter uma massa de dados brutos, e precisar transformar em dados analisados. E certamente deve ter experiência com MANOVA e MANCOVA, análises multivariadas. Um dos softwares mais usados em estatística analítica, o SPSS, foi desenvolvido focando nas ciências sociais.
E pelo que escreve, o que expõe o faz com clareza. O escondimento, a falta de dados analisados, a falta de uma análise científica, como é a análise da estatística adequada, desfaz sofismas, desconstrói falácias e achismos.
Dei-me ao trabalho de ver as estatísticas do TJERJ, o Tribunal que se ufana o mais informatizado, mais transparente, mais eficiente do Brasil.
Não vi mais que estatística descritiva, e pior, apenas médias, e médias.
Nenhuma análise de correlação, nenhuma análise estatística de concordância, análise estatística multivariada nem pensar. São métodos que permitem identificações seguras de origem de gargalos, de problemas.
E isso desagrada? O que pode ser identificado pela estatística analítica, por certo pode ferir suscetibilidades e interesses de Desembargadores que lideram Tribunais. Antes uma dúvida, em cima da qual pode se sofismar plausibilidades, do que uma análise irrefutável, qual pode contrariar teses visceralmente defendidas como certas, e.g., dano moral cada vez mais baixo desestimula a corrida ao Judiciário. Com que base analítica se não achismo?
Maria Tereza Sadek — Basta olhar os currículos das faculdades de Direito."
Não é um problema só do Direito, no entanto é muito mais acentuado no Direito. Físicos, Engenheiros, Agrônomos tem mais facilidade para suprir suas deficiências estatísticas. Nunca deixei de ler trabalhos científicos da área biomédica, minha primeira formação, e vejo trabalhos a princípio bons que quando vão a publicação não valem nada, a análise estatística é errada, inadequada, quatro a oito grupos experimentais de médias de variáveis dependentes, com testes realizados em três momentos diferentes no tempo, e ao inves de usar a MANOVA, a MANCOVA, usam a única estatística que parecem saber, o Teste T que só é válido em uso correto tão somente para uma comparação simples de duas médias, e tão somente duas médias de variáveis dependentes entre si. Para além de dois grupos é a Análise de Variância e outros testes.
No Judiciário é crítico, no Curso de Direito nem um semestre mínimo de estatística descritiva é ministrado aos alunos. Posso garantir que se perguntar a nossos bachareis de direito a diferença entre média e mediana, ou explicar desvio padrão, variância, classe modal, distribuição normal, não vão estar preparados.
E apesar das normas do CNJ que cada Tribunal estruture o Núcleo de Gestão Estratégica onde haja um Estatístico, isto ainda é "norma que não pega" e a estatística que os Tribunais oferece é apenas descritiva, que efetivamente, sozinha, sem estatística analítica em cima dos dados, a estatística descritiva não diz muito mais que nada quando não conduz a percepções erradas. Mas enfim, convencer aos Desembargadores que no Tribunal precisa de Estatístico...
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