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Mercado da bola

Arquivado inquérito contra agente de atletas

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Encontra-se arquivado no Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo) o Inquérito Policial que envolve o agente de jogadores Lee Yue Hung Joseph, o time paulista Corinthians e outras duas pessoas. Lee é acusado pelo engenheiro Edson Lopes de supressão de documento particular, estelionato e de formação de quadrilha junto com o clube. O parecer do Ministério Público pedia o arquivamento do inquérito por falta de provas. A defesa de Lopes disse que vai se manifestar junto à Procuradoria-Geral do estado de São Paulo.

Lopes afirma que foi enganado por Lee e por um diretor do Corinthians — não identificado por ele — quando se interessou em investir em novos jogadores de futebol. Segundo ele, existe uma máfia para enganar empresários no Corinthians.

O imbróglio começou em dezembro de 2005, quando Lopes decidiu investir dinheiro no mercado da bola. Nessa época, conheceu Francisco Gervásio Primo, um dos conselheiros do Palmeiras, e Robson Ferreira, prestador de serviços da Kirin Soccer. Esta empresa gerencia jogadores de futebol, como Marcelinho Paraíba e Hernandes — ambos tem passagem pela seleção.

O dono da empresa é Lee Yeu Hung Joseph, agente habilitado pela Fifa para negociar contratos de jogadores. Gervásio, Robson Ferreira e Lee estariam mais tarde envolvidos em inquérito policial movido pelo engenheiro.

Edson Lopes dispunha de R$ 150 mil para investir em jogadores. Lee explicou para o engenheiro que ele poderia aplicar o dinheiro em três jogadores, R$ 50 mil em cada um, o que lhe daria direito a ter 20% do passe de cada um, percentual máximo que a Fifa permite para um investidor.

O agente disponibilizou uma lista de quatro jogadores para que Lopes escolhesse três e afirmou que iria usar os seus contatos para que esses jogadores participassem da categoria de base do Corinthians. O engenheiro fez a escolha dos atletas e, com pressa para que eles disputassem logo os campeonatos que viriam, fechou um contrato verbal com Lee. E pagou os R$ 150 mil.

Os jogadores participaram do Corinthians, mas não vingaram. O único que deu certo foi justamente o que não foi escolhido por Lopes. Ele foi vendido para um clube europeu. O engenheiro se viu no meio de um prejuízo e resolveu cobrar de Lee a participação nos lucros da venda do jogador. O agente disse que este atleta não tinha qualquer contrato com a Kirin Soccer, além do que não fazia parte dos jogadores que Lopes escolheu para investir.

Foi quando o engenheiro decidiu encaminhar notícia-crime ao 78º Distrito Policial, localizada no bairro Jardins, em São Paulo. Edson Lopes acusa Lee de supressão de documento particular, por não ter apresentado documentos sobre a formalização do contrato. O empresário também é acusado junto com Robson Ferreira e Gervásio de estelionato por terem praticado uma suposta fraude, dando prejuízo para ele. Os três e mais um diretor do Corinthians, que não teve nome informado na denúncia, são acusados também de formação de quadrilha.

No rol de testemunhas, a defesa de Edson Lopes elenca nomes conhecidos do futebol: Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, Alberto Dualib, presidente do Corinthians de 1993 até 2007 e o presidente do Palmeiras de 2007 até 2008, Affonso Della Monica Netto.

Todos, durante o depoimento, deram o mesmo depoimento. Diserram que não conhecem Edson Lopes e nem Lee Yue Hung Joseph. Dualib afirma que o jogador que foi vendido para a Europa nunca passou pelo Corinthians.

Um Habeas Corpus pedindo o arquivamento do inquérito movido pelos advogados de Robson Ferreira e Lee, Omar Tahan e Nilson Cruz dos Santos, diz que o engenheiro “inconformado com o justo resultado do relatório, em absurda tese que desde já rejeita-se, pois caluniosa na medida que insiste no esforço em fazer crer que o jogador vendido à Europa fazia parte do acordo entre as partes, quando sabidamente não fazia”. A defesa diz que é absurda a oitiva de pessoas como Dualibi que não contribuíram em nada para o esclarecimento dos fatos.

Como prova do acordo, os advogados apresentaram um e-mail em que o investidor Edson Lopes diz a Robson Ferreira parar de “enrolar”, pois são “treis” [sic] e não “hum” [sic] jogador.

A 51º promotora de Justiça da capital, Maria Teresa, afirma em parecer que não houve contratos ocultados, já que as partes ainda estavam discutindo as cláusulas, segundo e-mails trocados. Ela também disse que houve um consentimento do investidor em efetuar o pagamento, assim descartando a possibilidade de estelionato. E já que esses dois crimes não aconteceram, também fica extinta a formação de quadrilha. Com o parecer, o Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária arquivou o inquérito policial no dia 15 de janeiro de 2009.

Inquérito Policial 050.07.077987

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 4 de fevereiro de 2009, 18h08

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