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Hora de contratar

Como os escritórios escolhem novos advogados

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Em que o escritório repara na hora de contratar um estagiário ou um novo advogado? E o que o candidato a estagiário precisa oferecer quando sai em busca de uma colocação num escritório? A ConJur conversou com alguns dos principais escritórios de advocacia para saber o que eles exigem na hora de trazer novos talentos para dentro de casa. As opiniões divergem. Para uns, é mais saudável contratar um estudante de Direito e acompanhar a formação profissional na empresa. Para outros, a atenção é toda voltada para o profissional de mercado, com alguma experiência.

Para o coordenador da comissão de recrutamento do escritório Pinheiro Neto Advogados, Maximilian Paschoal, “o estagiário não é mão-de-obra barata, é o futuro da empresa”. O advogado afirma que o estudante que entra na empresa se tornará, com tempo e paciência, parte do quadro societário. “Hoje, 95% dos sócios da empresa são de estudantes que começaram muitos jovens e, com os anos, passaram a comandar o escritório.” De acordo com Paschoal, “a empresa não contrata trainees. O foco é na formação interna de nossos advogados”. Segundo ele, é possível identificar o perfil dos que farão carreira dentro do Pinheiro Neto e os que vão buscar outras empresas.

Para descobrir o perfil mais adequado, devem ser aplicados filtros bem objetivos. Os candidatos que enfrentam o acirrado processo seletivo do Demarest & Almeida Advogados sentem o rigor desse filtro. O escritório, que conta com cerca de 180 estagiários, contrata um número enorme também de profissionais por ano e precisa ter a síntese do que busca nas mãos.

Orlando Di Giacomo, advogado do Demarest, afirma que, mesmo quando um candidato chega com especialização em determinada área, é importante acompanhá-lo no dia-a-dia e oferecer-lhe opções na evolução do trabalho. “Damos a este profissional, normalmente, ajuda de custo para ele se manter em cursos fora do país, mas a bolsa é ele quem consegue.” Esse incentivo acaba funcionando também para criar identificação e vínculos entre o candidato e o escritório.

Outra forma de identificação acontece através dos valores construídos pelo candidato ao longo de sua vida e os do escritório. Nisso aposta o L.O. Baptista Advogados. Para a empresa, vale muito mais o profissional que esteja disposto a absorver a identidade do escritório do que o especializado, mas com comportamento e verdades imutáveis. “Nossa orquestra é afinada por valores, pela troca. Nós damos nossa identidade e o profissional nos passa a dele”, ressalta Sueli de Freitas Veríssimo Vieira, advogada do L.O.. Ela destaca que o que se busca é uma mistura de técnica aliada a valores, ao comportamento dos candidatos.

Desempenho escolar é outro dado que os escritórios costumam levar em conta. Sacha Calmon, do escritório Sacha Calmon Mizabel Derzi Consultores Advogados, é enfático ao falar sobre os profissionais que busca: “Queremos o cremè de la creme”. Calmon afirma que os egressos das melhores escolas, com as melhores notas e com um bom conhecimento geral são os preferidos pela empresa. Por ano, são contratados aproximadamente 20 estagiários e 12 trainees. “Pelo custo benefício, no final do contrato, é mais vantajoso contratar um trainee.” O escritório não exige uma especialização na hora da contratação do trainee, acreditando que isso aconteça naturalmente com o passar do tempo.

No Sampaio Ferraz Advogados, conhecimentos de economia são bem vindos. “É algo desejável”, afirma Tércio Sampaio Ferraz Jr., um dos responsáveis pelo escritório paulistano. Ferraz concorda que a pessoa pode se especializar no cotidiano e na escola. “Buscamos o profissional que mostre capacidade de pesquisa e, principalmente, a inteligência para estudar e oferecer soluções”, afirma.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 31 de agosto de 2009, 10h42

Comentários de leitores

1 comentário

"Muita paciência"

Lucas Hildebrand (Advogado Sócio de Escritório)

Essa "muita paciência" exigida muitas vezes traduz um contrato aleatório de longuíssima duração, sem nenhuma garantia. A álea, contudo, é atribuída apenas ao "novo talento", nunca à prestigiosa banca, de modo que muitas vezes vale mais investir em um escritório próprio. Ao menos os riscos poderão reverterão em lucro proporcional.

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