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JUSTIÇA NA HISTÓRIA

O calidoscópio jurídico de Euclides da Cunha (3)

Por 

Coluna Cassio Schubsky - SpaccaEm 1907, Euclides da Cunha já tinha escrito boa parte de sua rica e variada obra, composta de artigos, poemas, ensaios, relatórios de viagem e do monumental parecer jurídico sobre o conflito Peru versus Bolívia, como vimos no artigo anterior. Era, pois, autor consagrado, engenheiro respeitado, jurista com dotes desconhecidos e membro da Academia Brasileira de Letras, autor do clássico de nascença Os sertões, publicado em 1902.

Trabalhando para o Ministério das Relações Exteriores com o Barão do Rio Branco, Euclides acabou por aproximar-se dos estudantes do Largo de São Francisco, onde estudara Rio Branco, proferindo, naquele ano de 1907, a conferência Castro Alves e seu tempo.

O Centro Acadêmico XI de Agosto, fundado pouco antes, em 1903, resolvera erguer hermas (bustos de meio corpo) dos três grandes poetas românticos brasileiros – Álvares de Azevedo, Castro Alves e Fagundes Varella. Em agosto de 1907, inaugurou, na Praça da República, com a presença do chanceler brasileiro à época, o próprio Barão do Rio Branco, a herma em homenagem a Álvares de Azevedo, recentemente transferida para o Largo de São Francisco e restaurada neste ano de 2009 (foto).

Herma de Alvares de Azevedo - DivulgaçãoPresidida pelo operoso presidente César Lacerda de Vergueiro – que mais tarde seria senador e secretário estadual de Justiça de São Paulo –, o XI resolveu convidar Euclides para pronunciar a conferência sobre Castro Alves, visando à construção da herma do poeta dos escravos. Quer dizer: a palestra seria paga e, com a arrecadação da venda de ingressos, o Centro Acadêmico se encarregaria de erguer a estátua.

Nota-se o desprendimento do grande escritor, em troca de correspondência com amigos e com os próprios estudantes, ao aceitar, humildemente, o convite. Vale notar que, na vasta obra euclidiana, foi aquela a única conferência que pronunciou. Destaque-se, também, que o autor residia no Rio de Janeiro e veio a São Paulo de trem, no expresso noturno, para falar aos estudantes de Direito em 2 de dezembro de 1907. Afinal, Euclides manteve, a vida toda, postura de estudante, um curioso por natureza, sempre em busca de aprender mais e mais.

Sucesso e prejuízo
A palestra foi um enorme sucesso de mídia, como atestam os jornais da época. Reza a lenda que o público pagante foi insuficiente e que os estudantes chegaram, inclusive, a pagar alguns comerciários para que engrossassem a audiência que ouviu o escritor no Salão Steinway, sofisticado ponto de encontro da elite paulistana na época. Ou seja: além de não ter arrecadado muito com a venda dos ingressos, o XI de Agosto ainda teria desembolsado parte dos recursos para pagar pela presença da plateia de ouvintes... O fato é que, apesar da grande repercussão do evento, herma que era bom, nada...

Capa Castro Alves e seu tempo - Euclides da Cunha - DivulgaçãoGrande valor histórico e literário possui a conferência Castro Alves e seu Tempo, que, agora em 2009, por ocasião do centenário da morte de Euclides da Cunha, está sendo republicada, em edição histórica, fruto de parceria entre a Editora Lettera.doc e a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP, com lançamento agendado para o dia 28 de setembro, às 19h, nas Arcadas. Além da íntegra da conferência de Euclides, a obra trará rica iconografia, poemas dos dois escritores, cronologia e muito mais.

E, com a venda antecipada de exemplares e as verbas de patrocínio da edição do livro, a herma de Castro Alves finalmente será erguida e fincada no Largo de São Francisco, mais de cem anos depois da realização da conferência Castro Alves e seu Tempo, que costurou, em definitivo, os grandes laços de Euclides da Cunha com o universo jurídico.

Adquira agora mesmo, antecipadamente, seu exemplar da edição histórica da conferência Castro Alves e seu Tempo, de Euclides da Cunha, e ajude a construir a herma do poeta dos escravos no Largo de São Francisco.

Acesse www.hermasdospoetas.com.br ou entre em contato com a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP para adquirir seu exemplar (a.alunosarcadas@uol.com.br ou (11) 3101-8489).

 é editor, historiador e diretor editorial da Editora Lettera.doc

Revista Consultor Jurídico, 21 de agosto de 2009, 8h06

Comentários de leitores

1 comentário

"Calidoscópio" : Não é Termo da Língua Portuguesa ! ! !

A.G. Moreira (Consultor)

Depois de muito tentar entender, descobri a origem do "termo", aqui, usado : "calidoscópio" :
.
Este termo é "castelhano" e não consta na enciclopédia Luso Brasileira ! ! !

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