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13 agosto 2009
IMAGENS DA HISTÓRIA
O ladrão do século que viveu à margem da Justiça

28 minutos. Este foi o tempo que Ronald Biggs e seus comparsas precisaram para assaltar um trem postal que levava 2,6 milhões de libras esterlinas, em Cheddington, na Inglaterra, no dia 8 de agosto de 1963. Preso um mês depois, e apesar de ser um componente de segunda linha da quadrilha, Biggs ficou conhecido mundialmente como o ladrão do século. Em 1964, foi condenado a 30 anos de prisão. Não foi preciso muito tempo para se livrar ao seu modo da punição imposta pela Justiça britânica. Conseguiu fugir da penitenciária em 8 de julho de 1965 depois de corromper um guarda. Escalou o muro com uma escada feita de cordas e foi para Paris, onde conseguiu um passaporte falso e fez cirurgia plástica para mudar seus traços. Em 1970, foi para a Austrália. Precisou fugir novamente após ser reconhecido por um repórter. Chegou ao Brasil no mesmo ano, onde passou mais de três décadas e enfrentou algumas batalhas judiciais.
Em 1974, quatro anos após chegar ao Brasil, Biggs foi encontrado por um repórter do jornal Daily Express. Ele estava morando no Rio de Janeiro. A Scotland Yard, polícia britânica, foi logo avisada de seu paradeiro. Ele chegou a ser detido, mas nada seria feito. Na ocasião, Biggs não podia ser extraditado, já que Brasil e Inglaterra não tinham tratado de extradição à época.
Em 1981, o ladrão do século foi seqüestrado por um grupo e levado para Barbados (Caribe). O grupo queria recompensa da Inglaterra para entregá-lo. Ele chegou a ser detido em Barbados com a alegação de violação das leis de Imigração. Como foi vítima de um crime e não estava lá de forma livre e voluntária, teve o direito de retornar ao Brasil e não à Inglaterra. Os seus advogados conseguiram que a Justiça local o devolvesse ao Brasil.
O advogado Sepúlveda Pertence, que anos mais tarde seria ministro do Supremo Tribunal Federal, defendeu Biggs. Ele foi contratado para evitar a deportação. Na época, o principal argumento foi o de que uma dançarina estava grávida de Biggs. Ele teve um filho no Brasil — Michael Biggs, que também ficou conhecido como Mike, da Turma do Balão Mágico, grupo infantil que fez sucesso nos anos 80.
A Inglaterra voltou a ter esperança em tê-lo de volta depois de assinar um tratado de extradição com o Brasil. Em 1997, no entanto, o Supremo Tribunal Federal arquivou por unanimidade o pedido de extradição feito pelo governo britânico. Na ocasião, como era presidente da Corte, o ministro Celso de Mello não se manifestou no julgamento. O ministro Sepúlveda Pertence também não votou porque tinha sido advogado de Biggs nos anos 70.
O relator do caso, ministro Maurício Corrêa, afirmou que “o tipo penal em que foi incurso o extraditando na sentença condenatória” correspondia ao roubo qualificado na lei brasileira. Mas, pela legislação, houve prescrição porque se passaram mais de 20 anos e, consequentemente, a prisão não poderia ser decretada. O ministro Marco Aurélio disse à revista Consultor Jurídico que cada caso tem suas peculiaridades, mas o “Supremo tem concedido extradição em cerca de 90% dos pedidos”.
Mesmo livre no Brasil, em 2001, Biggs resolveu voltar voluntariamente para a Inglaterra, onde teria de acertar as contas pelo que fez. Foi preso ao desembarcar em Londres e levado para a prisão de Belmarsh, onde se casou em 2002 com a brasileira Raimunda, mãe de seus filhos Michael e Ingrid. Vítima de sucessivos derrames e infartos, Biggs pediu a liberdade diversas vezes. Os pedidos foram negados.
Em junho de 2008, a defesa disse que ele já teria direito à liberdade condicional por ter cumprido um terço da condenação de 30 anos. Em junho de 2009, o secretário de Justiça britânico Jack Straw negou o pedido com o argumento de que Biggs não tinha se arrependido pelo que fez. No fim do mesmo mês, o estado de saúde se agravou e ele foi internado com pneumonia. No dia 6 de agosto, Straw resolveu, finalmente, conceder liberdade ao ladrão do século diante de seu estado de saúde. Dois dias depois, Biggs completou 80 anos.
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►A vida de Ronald Biggs
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►Ronaldo Biggs é libertado na Inglaterra
►Inglaterra teve vaidade ferida no caso Ronald Biggs
Débora Pinho é editora da revista Consultor Jurídico e colunista da revista Exame PME.
Revista Consultor Jurídico, 13 de agosto de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 2 comentários
OS LADRÕES DO BRASIL
um mero amador por comparação.........
No Brasil de hoje afogado neste verdadeiro ESGOTO a céu aberto sem nenhum controle em que MARGINAIS munidos de poderosos mandatos fazem e desfazem e o populacho impotente a tudo assiste sem nada poder fazer , digo que Biggs seria tranquilamente senador , deputado ou ate presidente , afinal ele rapidamente assimilou apos sua chegada o nauseante "jeitinho brasileiro" de saber navegar na melhor onda que passar na frente. Nunca atrapalhou ninguem no Brasil e vivia livre em Santa tereza no Rio de janeiro a tomar uma cerveja e outra enquanto vendia fotos a turistas admirados por sua relativa liberdade.
Um mero amador volto a afirmar com uma ponta de nostalgia , quem sabe se os demais "bandidos" de Brasilia se contentassem em ser "apenas" como Ele o Brasil não seria melhor? O nosso problema é que aceitamos e ate estimulamos "outros niveis" de bandidagem elegendo e reelegendo calhordas variados que fazem do "bom" bandido Biggs um mero amador, triste paiszinho o nosso...
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