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11 agosto 2009
Reforma do CTB
Só vai preso quem resolver colaborar com a polícia
No Brasil, só vai preso quem quer. Isso só ocorre no país, pelo menos no que se refere ao sujeito que resolver dirigir veículo automotor sob a influência de álcool. Todo o problema iniciou com a tão propagada reforma do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ela havia sido levada a efeito para tornar mais severa a punição do delito de embriaguez ao volante, mas o tiro saiu, literalmente, pela culatra.
Verdadeiramente, é inacreditável que o novo texto do artigo 306 do CTB haja sido elaborado e revisado pelo nosso Congresso Nacional, por homens públicos que, além de serem, em tese, bem preparados, são muito bem pagos para elaborarem as leis que regem o nosso país. Depois da alarmada reforma, a situação ficou a seguinte: “se você for flagrado conduzindo veículo em estado de embriaguez alcoólica e aceitar soprar o bafômetro, ou seja, se você aceitar colaborar com a polícia, você deverá ser preso. Agora, se você não aceitar colaborar com a polícia, não poderá ser preso, pois ninguém poderá obrigá-lo a soprar o bafômetro, já que o nosso sistema constitucional não lhe obriga a produzir provas contra si mesmo”. A situação é, simplesmente, essa, sem mais, nem menos.
A “questio iuris”, gênese de todo o problema, é que o Legislador, certamente por desatenção, inseriu no novo texto do artigo 306 do CTB, que tipifica o delito de embriaguez ao volante, a expressão “estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas”, ou seja, para a perfeita tipificação do delito, é necessário comprovar que o condutor estava dirigindo com a mencionada concentração alcoólica. Assim, ainda que o condutor embriagado esteja cambaleando, com forte hálito alcoólico, vestes desalinhadas, falar pastoso, etc., se ele disser não ao convite que lhe for feito para submeter-se ao exame de dosagem alcoólica, impossível será a sua prisão em flagrante.
Com a reforma do CTB, a prova testemunhal, antes válida, não surte mais qualquer efeito na ordem penal. Agora, só vai preso que quer, ou seja, quem resolver colaborar com a polícia, submetendo-se ao teste de dosagem. Assim, o Delegado de Polícia é obrigado a prender quem colabora e a liberar quem não colabora. Absurdo. Foi desta forma que o nosso legislador, frente aos trágicos números de acidentes com mortes no trânsito brasileiro resolveu contribuir com a sociedade, ao lado, é claro, de outras contribuições tais como os atos secretos, o nepotismo e os altíssimos salários dos parlamentares. É, com um Congresso desses, realmente ninguém precisa de inimigo.
Roger Spode Brutti é delegado de Polícia Civil da Delegacia de Delitos de Trânsito de Santa Maria/RS, mestre em Integração Latino-Americana (UFSM), especialista em Direito Penal e Processual Penal (ULBRA), em Direito Constitucional Aplicado (UNIFRA), em Segurança Pública e Direitos Humanos (FADISMA), professor designado de Direito Constitucional, Direito Processual Penal e Direito Penal (ACADEPOL/RS) e membro do Conselho Editorial da Revista IOB de Direito Penal e Processual Penal
Revista Consultor Jurídico, 11 de agosto de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 5 comentários
PIADA PRONTA!
Aliás é comum o nosso legislador ser "engraçado".
Esse é o país da piada pronta!!
E viva a política partidária como um fim em si mesmo!!
violencia travestida de legalidade - parte 2
como se diz ai no sul , é um "pega-ratão"
Esta lei em tese é ate bastante interessante mas o lado "casa grande e senzala" do Brasileiro prevaleceu pois o lado truculencia total norteou a discussão que praticamente não houve . Esta lei foi feita na calada da noite e assinada provavelmente sem sequer ser lida por parte daqueles "genios" de Brasilia que tantas "alegrias" tem nos dado atraves dos noticiarios nas ultimas semanas.
Nos Estados Unidos por comparação ( ja que adoramos macaquear as coisas erradas deles) , o Cidadão vai a um bar e pode beber o que couber no estomago , se entrar em seu carro , dirigir direitinho sem fazer "M" , respeitar os sinais , usar a seta , não fechar ninguem e nem tiver nenhuma atitude suspeita, a "puiça" deles não dará a minima, entretanto caso se envolva em algum acidente , ai sim o couro come e muito! Aqui no Brasil maravilha , a segurança publica literalmente INEXISTE porem no meu violentissimo Rio de Janeiro, especie de Bagdá tropical, todas as noites , mormente nos finais de semana , o estado parasita , corrupto , inoperante e avido de dinheiro monta cinematograficas blitzes para coagir o Cidadão a soprar bafometros , usam ate nobres Cadeirantes para aumentar o clima de constrangimento, tem ate balão gigante escrito "lei seca" ( provavel dica da policia de Lisboa). O cara que for pego é quase arrancado do carro e forçado a participar de forma constrangedora deste circo moderno do absurdo. CONTINUA A SEGUIR..............
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