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Aspiração de juiz

De Sanctis diz que seu objetivo é fazer história

Em uma entrevista descontraída à revista Joyce Pascowitch, o juiz Fausto Martin De Sanctis — que mandou prender Daniel Dantas, Kia Joorabchian, Edemar Cid Ferreira e os executivos da Camargo Corrêa —, fala de seus planos ao jornalista Claudio Tognolli, também repórter especial da Consultor Jurídico, e revela que um de seus objetivos é fazer história. Em um ato falho, o juiz ainda confunde o ministro Gilmar Mendes, seu “inimigo” público, com o também ministro Gilson Dipp, só que este do Superior Tribunal de Justiça. O juiz trocou os nomes ao falar sobre o ministro que ele mais admira.

Atualmente, o paulistano de 45 anos — que atua na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo —, reserva parte de seu tempo para concluir seu primeiro romance. Segundo o jornalista, o juiz não quer que sua literatura seja lida como a capitulação da seriedade que a tudo ele procura impor. E, ressalta, que talvez o termo nem seja apenas seriedade, mas intensidade. “Eu tento fazer tudo com intensidade. Tenho de passar para as pessoas que tento fazer o melhor e sempre intensamente, chutado jamais. Ou é para fazer, ou não se faz”, disse.

Nesta quinta-feira, os 18 desembargadores mais antigos do Tribunal Regional Federal da 3ª Região se reuniram para votar a abertura de dois processos administrativos movidos contra Fausto De Sanctis. O juiz é acusado de desrespeitar ordens de tribunais superiores ao decretar a segunda prisão do banqueiro Daniel Dantas, a despeito da decisão do STF pela soltura, e ao não determinar a suspensão da colaboração internacional após o caso Corinthians-MSI ter sido congelado no Brasil.

Leia a reportagem

“Eu quero fazer história"
Apesar de famoso, muito famoso — ou talvez por isso mesmo — o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, cuida de seu primeiro romance com desvelos de pai devotado. Afinal de contas esse paulistano de 45 anos, que mandou por duas vezes o banqueiro Daniel Dantas para trás das grades, não quer que sua literatura seja lida como a capitulação da seriedade que a tudo ele procura impor. E talvez o termo nem seja apenas seriedade, mas intensidade. “Eu tento fazer tudo com intensidade. Tenho de passar para as pessoas que tento fazer o melhor e sempre intensamente, chutado jamais. Ou é para fazer, ou não se faz”, proclama.

Fausto De Sanctis ganhou os holofotes onipresentes da mídia não só por causa da Operação Satiagraha, que levou Dantas às barras (solto depois pelo Supremo Tribunal Federal). Irremediavelmente, foram distribuídos à sua vara casos estrondosos. Como, por exemplo, as acusações de lavagem de dinheiro recaídas sobre a MSI, ex-agregada do Sport Club Corinthians Paulista, e as acusações que levaram à cadeia o banqueiro Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos. Sabendo-se metido em terreno movediço, o juiz De Sanctis fez-se um medidor profissional das próprias palavras. Pensa muitos segundos antes de responder às mais minguadas perguntas. Custa convencê-lo de que falar sobre seu livro é também um sinal de pulcritude.

“Meu livro faz eu me divertir muito. Estou criando personagens. É a história de um juiz que vai julgar um fato e esse fato vai marcar a vida dele. O livro está todo pronto na minha cabeça. Estou no oitavo capítulo, são dez, e os dois finais são os mais longos, têm várias coisas a ser resolvidas e finalizadas. O livro se chama Montoya de Sorrento. Agora preciso reler tudo. Eu deixo uma boa interrogação no prólogo, se os fatos do livro são reais ou não. Não quero fazer nada pesado não, minha ideia é contar a vida de um juiz, pessoal e profissionalmente.” Numa parte de seu Ecce Homo, o filósofo Nietzsche ensinou que “uma coisa sou eu, outra são os meus escritos”. Fausto De Sanctis preocupase que mesmo as leituras mais dadivosas de sua obra possam tentar julgá-lo não enquanto autor liberto – mas como vetusto juiz voltado a latinórios.

O juiz federal mais famoso do país foi um juiz estadual um ano e dois meses. Está na magistratura federal desde 17 de outubro de 1991. Resolveu ser juiz por idealismo. “Fui procurador do estado e advogado público, trabalhei em vendas antes disto, estudava à noite na FMU. Fiz doutorado na USP e especialização na UnB. Ser juiz é algo muito complexo: quando você é advogado, pode requerer o que quiser, dentro e fora da lei. Cabe ao juiz aquela postura desafiadora que é dizer o que pode e o que não pode fazer. Ser juiz é um desafio jurídico: o magistrado faz a jurisprudência, não apenas a segue.”

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Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2009, 13h24

Comentários de leitores

10 comentários

Parabéns Sr. Juiz Fausto Martin De Sanctis!

Quintela (Engenheiro)

Já entrou para história, como o Juiz que disse não ao corporativismo, a corrupção do judiciário.
Entrou para história como o Juiz que enfrentou a ditadura do STF, onde o Sr. Gilmar Mendes faz o que quer e bem entende!
Na gestão Gilmar Mendes, o Supremo se transformou em uma fábrica de dossiês, começando com o factóide das escutas ambientais, o grampo sem áudio nunca apareceu!
O Presidente do STF, o Sr. Gilmar Mendes, acusou sem provas!
Sustentou uma acusação grave sem provas!
Chamou a Policia Federal de antro de Gangsteres! Ofendeu uma instituição séria sem a menor cerimonia.
Chamou o Presidente "as falas"... muito grosso, mal educado! Arrogante!
Acusou a ABIN de grampear criminosamente, de burlar as leis.
Já Daniel Dantas, esse sim... utilizou a KROLL para grampear e corromper, mas esse é inocente! Tal qual o Sr. Paulo Maluf que tem 4 processos parados no STF.
Nos EUA o Sr. Maluf já está CONDENADO por crimes financeiros, por TENTAR usar o sistema financeiro americano para lavar, isso mesmo, para LAVAR o dinheiro ROUBADO no Brasil, da prefeitura e do estado de São Paulo. Mas segundo o STF.. ele é inocente!
Dos vários processos que o MP movem contra o Sr. Maluf 4 ou 5 estão TODOS parados no STF e assim vai ficar enquanto o STF for o STF dos banqueiros e dos poderosos.
Parabéns Sr. Juiz Fausto De Sanctis!
Deus o abençoe!
* Outros preferem entrar para a história como o cara que deu 2 HB relâmpagos em menos de 24 horas para livrar a cara do banqueiro bandido.

O verdadeiro objetivo: a FAMA!

BATMAN (Advogado Autônomo - Criminal)

A judicatura é um ofício sério e discreto, cujo único objetivo deve ser fazer JUSTIÇA.
Como demonstra claramente, o Exmo. Sr. Dr. Fausto de Sanctis tergiversou o objetivo precípuo de sua função e busca a FAMA - não a JUSTIÇA -, ainda que para alcançá-la tenha que desrespeitar a lei e as garantias individuais.
Que fosse então um ator, um cantor, ou qualquer coisa assim, mas não um juiz.

O verdadeiro objetivo: a FAMA!

BATMAN (Advogado Autônomo - Criminal)

A judicatura é um ofício sério e discreto, cujo único objetivo deve ser fazer JUSTIÇA.
Como demonstra claramente, o Exmo. Sr. Dr. Fausto de Sanctis tergiversou o objetivo precípuo de sua função e busca a FAMA - não a JUSTIÇA -, ainda que para alcançá-la tenha que desrespeitar a lei e as garantias individuais.
Que fosse então um ator, um cantor, ou qualquer coisa assim, mas não um juiz.

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