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16 abril 2009
Linguagem imprópria
Juiz do caso Richarlyson tem pena mantida
O Tribunal de Justiça paulista manteve a pena de censura ao juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal Central de São Paulo. Em sentença, o juiz exagerou na linguagem ao fazer alusão a possível homossexualidade do jogador Richarlyson Barbosa Felisbino, volante do São Paulo. A posição defendida na sentença judicial de que futebol é coisa para macho causou polêmica.
Os desembargadores, por 24 votos a 1, do Órgão Especial decidiram seguir o entendimento do relator, desembargador Vianna Santos, que fez reparos em voto de dezembro do ano passado. No novo voto, o relator indicou que a prescrição decidida pelo STJ só alcançaria o processo que puniu o juiz com o castigo de advertência.
“A gravidade dos autos, independente das questões anteriores, são suficientes para a aplicação da pena, por atingir a imagem do Judiciário de São Paulo”, afirmou Vianna Santos. O voto divergente ficou por conta do desembargador Barreto Fonseca que defendia a absolvição.
O juiz da 9ª Vara Criminal de São Paulo sustentou que emitir opinião contrária à homossexualidade não pode ser considerada discriminação. A maioria do colegiado do TJ-SP entendeu que o magistrado agiu com impropriedade absoluta de linguagem na sentença.
O caso
Na época, a alusão à virilidade do jogador de futebol foi manifestada em ação penal privada proposta por Richarlyson contra um dirigente do Palmeiras.
O juiz mandou arquivar a queixa-crime. O dirigente havia insinuado em um programa que o jogador seria homossexual. Na sentença, o juiz afirmou que futebol era coisa de “macho”, esporte “viril, varonil, não homossexual".
O Tribunal de Justiça abriu investigação disciplinar contra o juiz. O Órgão Especial rejeitou, por maioria de votos, a defesa prévia do juiz e decidiu pela continuidade do processo administrativo disciplinar.
A defesa do juiz sustentou que o que se pune e deve se reprimir é a discriminação à pessoa, que se caracteriza por atitude pessoal, nominal, não genérica. Segundo a defesa de Junqueira Filho, ninguém pode obrigar alguém a ser católico, evangélico, corintiano, palmeirense ou são-paulino.
Fernando Porfírio é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 16 de abril de 2009
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Comentários
Comentários de leitores: 4 comentários
Para Dr. Francisco Lobo:
Caso Richarlyson do São Paulo
Está claro neste episódio que o juiz sentenciante (e punido pela pena de censura) e o desembargador Barreto Fonseca que pede a absolvição do juiz são torcedores do Coríntians, o que não impede de serem isentos quanto a essa questão porque trata-se de absurdo com deverá ser sempre punido severamente.
Parabéns TJ!
O juiz demonstrou que não conhece futebol:nem o masculino e muito menos o feminino.
A melhor jogadora de futebol do mundo é brasileira.
Nos estádios,de uns trinta anos para cá,nas arquibancadas,têm bastante mulheres.
Se esse juiz assistisse aos jogos do Time feminino do Santos F C,veria que as Sereias são melhores do que os homens.O técnico da seleção Brasileira de futebol feminino é do Santos F C.
associada,remida,do Santos F C desde 11/09/1978 e freqüento os estádios desde 1967.
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