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Semana Santa

Pai deve levar filho a eventos religiosos

O Tribunal de Pequenas Causas de Elche, no sudeste da Espanha, obrigou o pai divorciado Vicente Sanz a levar o filho de 10 anos às procissões da Semana Santa. A mãe Barbara Campos, católica, levou o ex-marido aos tribunais porque ele se recusava a ir com a criança aos eventos religiosos. As informações são da BBC Brasil.

A disputa foi parar na Justiça quando ficou decidido que a criança ficaria com o pai durante o feriado da Páscoa. A mãe alegou que o filho nunca tinha perdido uma procissão na cidade de Elche, no sudeste da Espanha, e mantinha vaga e uniforme tradicional de nazareno na procissão da Confraria da Negação de São Pedro, que sai na Sexta-Feira Santa.

A sentença foi publicada no Boletim Oficial de Elche e indica que "a decisão foi tomada considerando o bem superior da criança."

Para a juíza do Tribunal Sandra Peinado, o pai "tem de cumprir a tradição, garantindo ao menor o direito de ir aos eventos onde o lugar dele está reservado porque vinha participando há anos".

Sanz disse à imprensa espanhola que se sente "indignado" porque em 47 anos nunca lhe haviam obrigado a assistir uma procissão. Comentou ainda que nunca se incomodou com a participação do filho em eventos religiosos. “Não me oponho a ida dele. O absurdo é que me forcem a fazer uma coisa que não quero. Nem quando era criança me obrigaram", afirma.

A sentença não prevê punições - multas ou detenção - em caso de descumprimento da ordem judicial. Mas permite à mãe o direito de denunciar o ex-marido se o filho não comparecer às procissões.

Revista Consultor Jurídico, 9 de abril de 2009, 16h50

Comentários de leitores

2 comentários

E a mãe...

Macedo (Bancário)

Mas eu gostaria de saber: aonde que a mãe (que se diz tão católica), ou o que ela vai ficar fazendo, durante as procissões?

"Nem quando era criança me obrigaram..."

FELIPE CAMARGO (Assessor Técnico)

Estamos diante de dois mundos distintos. Um é o mundo do pai, que teve respeitado, desde sua meninice, o direito de não participar de um evento religioso. O outro mundo é o do seu filho. Não se sabe ao certo se a criança deseja, de fato, participar da procissão, ou se apenas estamos diante da imposição de uma tradição por parte da sua genitora. A segunda hipótese é a mais provável. Um pai pode mesmo ser constrangido a levar o filho a uma cerimônia religiosa? Depende. Depende do que se entende por "levar". Se for apenas levar a criança ao local como se deixa um filho na escola e buscá-lo ao final da aula, não vejo qualquer problema. Mas obrigar alguém a presenciar uma cerimônia de índole religiosa é atentatório à dignidade da pessoa humana, para dizer o mínimo. Imaginem, por outro lado, que o pai daquela criança fosse seguidor de uma religião cujos dogmas e liturgias fossem absolutamente contrários aos da católica e o filho decidisse trocar a tradição católica pela religião do pai. Como reagiria a mãe católica? Bem-aventuradas as crianças daquele mundo em que ninguém as obriga a crer em deuses, a rezar e a abrir mão da própria infância em nome das tradições religiosas dos pais.

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