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7 abril 2009

CPI dos Grampos

Ex-assessor da Abin diz que não sabia da Satiagraha

Por Filipe Coutinho

O delegado da Polícia Federal Renato Porciúncula presta depoimento à CPI das Escutas Telefônicas. Na mesa, o relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (à esquerda) e o presidente, Marcelo Itagiba - José Cruz/Agência BrasilO ex-assessor especial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o delegado da Polícia Federal Renato Porciúncula [na foto, à direita], disse nesta terça-feira (7/4) que não sabia da operação Satiagraha, alvo da CPI dos Grampos justamente por causa de parceria entre a Abin e a Polícia Federal. Em depoimento à CPI dos Grampos, o ex-assessor afirmou que não sabia dos métodos utilizados pelo delegado Protógenes Queiroz e tampouco da parceria entre o delegado e a Abin. Detalhe: Porciúncula disse que não sabia de nada, mas se classificou como “braço esquerdo” do ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, também delegado e ex-diretor geral da Polícia Federal.

O depoimento de Porciúncula deu o tom do que pode ser o esperado depoimento de Protógenes Queiroz à CPI nesta quarta-feira (8/4). Porciúncula eximiu a Abin de qualquer culpa com supostas irregularidades na Satiagraha, e jogou a responsabilidade para o colo de Protógenes, que comandou a operação. “Uma autoridade policial, quando preside uma operação, tem autonomia para peticionar formal ou informalmente em qualquer foro, e o chefe não fica sabendo”, disse o ex-assessor da Abin. “O controle da legalidade das ações é do delegado”, completou.

Apesar de alegar não ter acompanhado os trabalhos da Satiagraha, o ex-assessor da Abin confirmou que encontrou o araponga Francisco Ambrósio em uma meia-noite de sexta feira para saber se ele seria o tal “homem bomba” da operação.  À época, Porciúncula e Lacerda já tinham sido afastados em razão de supostas irregularidades cometidas na Satiagraha. “Recebi uma ligação do doutor Lacerda para acompanhar o Campana e o Paulo Maurício (diretores da Abin) num encontro com o ‘cara que sabia de tudo’”, disse Porciúncula. “Havia realmente uma preocupação, mas esse frisson foi exagerado”, completou.

O trio, segundo Porciúncula, ficou encarregado de “dar uma assombrada” em Ambrósio, ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI). “Aí eu vi que não tinha nada e liguei para o Daniel Lorenz (diretor na PF) para dizer que o cara era ‘fraco’”. Porciúncula marcou um encontro entre Lorenz e Ambrósio para o dia seguinte. Parêntesis: Porciúncula ganhou notoriedade quando ainda era diretor de Inteligência da Polícia Federal, em 2007, por usar uma BMW de quase R$ 300 mil apreendida pela PF em uma operação.

O depoimento de Porciúncula irritou os deputados da oposição. O ex-assessor da Abin minimizou as críticas, principalmente em relação ao fato de “não saber da Satiagraha”. “Não é um demérito eu não saber. Essas questões (a investigação) não eram da minha área”, justificou Porciúncula. Em resposta, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) classificou o depoimento de “paradoxal”. “É impressionante, porque conversar com o Ambrósio também não era da sua área”, disse o deputado. “O senhor é o assessor para frisson?”, completou Jungmann. Porciúncula preferiu não responder.  

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), o depoimento de Porciúncula, lotado atualmente no Ministério da Justiça, faz parte de uma estratégia do governo. “Parece que há uma blindagem do governo a respeito do senhor e do Paulo Lacerda, e uma série de procedimentos contra o delegado Protógenes”, afirmou.

Isolado, Protógenes Queiroz prometeu dar “nome aos bois” no depoimento à CPI nesta quarta. Isso, é claro, se não preferir o silêncio do Habeas Corpus que conseguiu no Supremo Tribunal Federal.

[Foto José Cruz - Agência Brasil]

Filipe Coutinho Ã© repórter da Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 7 de abril de 2009

Comentários

Comentários de leitores: 3 comentários

8/04/2009 10:08 Quintela (Engenheiro)
Toda Operação é secreta?
É hilário como o Sr. Itagiba e o Conjur querem tratar as Operações da Policia Federal... para eles até o boy da PF deveria saber da Satiagraha!!!
Será que Itagiba e o Conjur serão indiciados por vazar informações?
E "se" Protógenes levar uma pastinha com documentos e nomes? E "se" o nome do Itagiba for ligado ao de Daniel Dantas e do Chel?
Engraçado.. não vejo reportagem aqui por causa dos "se" do Itagiba... o Editor Chefe chamou a atenção dos "se", das suposições do Juiz Fausto De Sanctis, que ainda não havia julgado... mas aqui o Conjur a "imparcialidade" é impressionante.. ainda mais num site voltado para assuntos jurídicos!
As articulações para melar a Satiagraha, livrar a cara do Dantas é algo impressionante.
Agora pergunto:
- Existe credibilidade aqui?
Mais uma vez... os leitores do Conjur são vistos como idiotas?
Sofrem de algum problema mental? Pelo visto sim!
8/04/2009 01:34 Bonasser (Advogado Autônomo)
PROTOGENES NÃO NOMINE OS BOIS, APELIDOS SÃO MENOS CHOCANTES
É engraçado esse meu Brasil, a santa inquisição composta de dentre outras coisas, de mensaleiros e afins, desafiando o trabalho de um servidor do Estado, como Protógenes. O vexame vai ser que ao nominar esses bois, acertar em vários da CPI, esse é um risco grande. Acho bom ele usar de apelidos, será menos chocante certo?. Há uma preocupação grande em proteger o DD e alguns do governo envolvidos nesse episodio, e isso não só o Delegado sabe como esses desconfiáveis da CPI também. Seria melhor levar espingarda, pois, vai estar repleto de velhas raposas à espreita de um furinho pra incriminar mais ainda o Delegado. Em todas as CPI e a cada episodio, podemos notar de forma cristalina a falta de vergonha desses parlamentares que dizem representar a Nação; com que cara e respeito vão formular perguntas serias ao DPF, se a grande maioria esconde um rabo de palha seca. È só fazer uma retrospectiva acerca da vida dos da CPI que saberemos em que toca vai se meter o Protógenes... ele deve abrir o olho e ficar bem atento.
8/04/2009 00:18 Armando do Prado (Professor)
Sevir Rosinha é "folha corrida"
Itagiba, servidor da Rosinha Garotinha tem com isso uma folha corrida. E pior: quer pregar moralidade!

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