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CPI dos Grampos

Ex-assessor da Abin diz que não sabia da Satiagraha

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O delegado da Polícia Federal Renato Porciúncula presta depoimento à CPI das Escutas Telefônicas. Na mesa, o relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (à esquerda) e o presidente, Marcelo Itagiba - José Cruz/Agência BrasilO ex-assessor especial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o delegado da Polícia Federal Renato Porciúncula [na foto, à direita], disse nesta terça-feira (7/4) que não sabia da operação Satiagraha, alvo da CPI dos Grampos justamente por causa de parceria entre a Abin e a Polícia Federal. Em depoimento à CPI dos Grampos, o ex-assessor afirmou que não sabia dos métodos utilizados pelo delegado Protógenes Queiroz e tampouco da parceria entre o delegado e a Abin. Detalhe: Porciúncula disse que não sabia de nada, mas se classificou como “braço esquerdo” do ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, também delegado e ex-diretor geral da Polícia Federal.

O depoimento de Porciúncula deu o tom do que pode ser o esperado depoimento de Protógenes Queiroz à CPI nesta quarta-feira (8/4). Porciúncula eximiu a Abin de qualquer culpa com supostas irregularidades na Satiagraha, e jogou a responsabilidade para o colo de Protógenes, que comandou a operação. “Uma autoridade policial, quando preside uma operação, tem autonomia para peticionar formal ou informalmente em qualquer foro, e o chefe não fica sabendo”, disse o ex-assessor da Abin. “O controle da legalidade das ações é do delegado”, completou.

Apesar de alegar não ter acompanhado os trabalhos da Satiagraha, o ex-assessor da Abin confirmou que encontrou o araponga Francisco Ambrósio em uma meia-noite de sexta feira para saber se ele seria o tal “homem bomba” da operação.  À época, Porciúncula e Lacerda já tinham sido afastados em razão de supostas irregularidades cometidas na Satiagraha. “Recebi uma ligação do doutor Lacerda para acompanhar o Campana e o Paulo Maurício (diretores da Abin) num encontro com o ‘cara que sabia de tudo’”, disse Porciúncula. “Havia realmente uma preocupação, mas esse frisson foi exagerado”, completou.

O trio, segundo Porciúncula, ficou encarregado de “dar uma assombrada” em Ambrósio, ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI). “Aí eu vi que não tinha nada e liguei para o Daniel Lorenz (diretor na PF) para dizer que o cara era ‘fraco’”. Porciúncula marcou um encontro entre Lorenz e Ambrósio para o dia seguinte. Parêntesis: Porciúncula ganhou notoriedade quando ainda era diretor de Inteligência da Polícia Federal, em 2007, por usar uma BMW de quase R$ 300 mil apreendida pela PF em uma operação.

O depoimento de Porciúncula irritou os deputados da oposição. O ex-assessor da Abin minimizou as críticas, principalmente em relação ao fato de “não saber da Satiagraha”. “Não é um demérito eu não saber. Essas questões (a investigação) não eram da minha área”, justificou Porciúncula. Em resposta, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) classificou o depoimento de “paradoxal”. “É impressionante, porque conversar com o Ambrósio também não era da sua área”, disse o deputado. “O senhor é o assessor para frisson?”, completou Jungmann. Porciúncula preferiu não responder.  

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), o depoimento de Porciúncula, lotado atualmente no Ministério da Justiça, faz parte de uma estratégia do governo. “Parece que há uma blindagem do governo a respeito do senhor e do Paulo Lacerda, e uma série de procedimentos contra o delegado Protógenes”, afirmou.

Isolado, Protógenes Queiroz prometeu dar “nome aos bois” no depoimento à CPI nesta quarta. Isso, é claro, se não preferir o silêncio do Habeas Corpus que conseguiu no Supremo Tribunal Federal.

[Foto José Cruz - Agência Brasil]

 é repórter da Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 7 de abril de 2009, 19h18

Comentários de leitores

3 comentários

Toda Operação é secreta?

Quintela (Engenheiro)

É hilário como o Sr. Itagiba e o Conjur querem tratar as Operações da Policia Federal... para eles até o boy da PF deveria saber da Satiagraha!!!
Será que Itagiba e o Conjur serão indiciados por vazar informações?
E "se" Protógenes levar uma pastinha com documentos e nomes? E "se" o nome do Itagiba for ligado ao de Daniel Dantas e do Chel?
Engraçado.. não vejo reportagem aqui por causa dos "se" do Itagiba... o Editor Chefe chamou a atenção dos "se", das suposições do Juiz Fausto De Sanctis, que ainda não havia julgado... mas aqui o Conjur a "imparcialidade" é impressionante.. ainda mais num site voltado para assuntos jurídicos!
As articulações para melar a Satiagraha, livrar a cara do Dantas é algo impressionante.
Agora pergunto:
- Existe credibilidade aqui?
Mais uma vez... os leitores do Conjur são vistos como idiotas?
Sofrem de algum problema mental? Pelo visto sim!

PROTOGENES NÃO NOMINE OS BOIS, APELIDOS SÃO MENOS CHOCANTES

Bonasser (Advogado Autônomo)

É engraçado esse meu Brasil, a santa inquisição composta de dentre outras coisas, de mensaleiros e afins, desafiando o trabalho de um servidor do Estado, como Protógenes. O vexame vai ser que ao nominar esses bois, acertar em vários da CPI, esse é um risco grande. Acho bom ele usar de apelidos, será menos chocante certo?. Há uma preocupação grande em proteger o DD e alguns do governo envolvidos nesse episodio, e isso não só o Delegado sabe como esses desconfiáveis da CPI também. Seria melhor levar espingarda, pois, vai estar repleto de velhas raposas à espreita de um furinho pra incriminar mais ainda o Delegado. Em todas as CPI e a cada episodio, podemos notar de forma cristalina a falta de vergonha desses parlamentares que dizem representar a Nação; com que cara e respeito vão formular perguntas serias ao DPF, se a grande maioria esconde um rabo de palha seca. È só fazer uma retrospectiva acerca da vida dos da CPI que saberemos em que toca vai se meter o Protógenes... ele deve abrir o olho e ficar bem atento.

Sevir Rosinha é "folha corrida"

Armando do Prado (Professor)

Itagiba, servidor da Rosinha Garotinha tem com isso uma folha corrida. E pior: quer pregar moralidade!

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