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Clareza nas letras

Lei fixa tamanho mínimo para letra em contrato de adesão

O presidente da República em exercício, José Alencar, sancionou na segunda-feira (22/9) a Lei 11.785/08. Ela altera o parágrafo 3º do artigo 54 do Código de Defesa do Consumidor para determinar que os contratos de adesão sejam redigidos em termos claros e com, no mínimo, corpo de letra tamanho 12. A lei foi publicada nesta terça-feira (23/9) no Diário Oficial da União.

Apesar do código já exigir que os contratos fossem redigidos de forma legível, não havia um padrão mínimo de medida a ser observado para o tamanho da letra, informa a Agência Brasil.

De acordo com o diretor-executivo do Procon de São Paulo, Roberto Pfeiffer, a falta de normatização em relação ao tamanho da letra do texto resultava em contratos com letras pequenas a ponto de dificultar a identificação dos direitos e obrigações constantes no contrato.

“Já se entendia que, se o contrato fosse redigido em letras que impedissem a compreensão, o contrato poderia ser invalidado”, disse. “Se o consumidor pode ler melhor, pode compreender melhor”, acrescentou.

Os consumidores também podem pedir a substituição de palavras expressas no contrato que não entendam. “Se não for trocada e o caso chegar a um juiz, ele pode interpretar formalmente que o consumidor não tinha conhecimento do que era dito no contrato”, explicou Roberto Pfeiffer.

Bruno Boris, advogado especializado em direito das relações de consumo do escritório Fragata e Antunes Advogados, diz que Lei 11.785/08 não acrescenta nada de novo ao Código de Defesa do Consumidor. Para ele, essa lei é inócua. “Ela [lei] retira do magistrado a possibilidade de analisar determinadas circunstâncias do caso concreto”, acrescentou.

Segundo o especialista, a lei certamente não trará grandes avanços para o equilíbrio das relações entre fornecedores e consumidores. “Ela simplesmente deixou mais claro o que já existe no Código de Defesa do Consumidor desde 1990, nada mais”, finalizou.

Leia a lei

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI 11.785, DE 22 DE SETEMBRO DE 2008.

Altera o parágrafo 3º do artigo 54 da Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990 — Código de Defesa do Consumidor — CDC, para definir tamanho mínimo da fonte em contratos de adesão.

O VICE PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE D A REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Artigo 1º parágrafo 3º do artigo 54 da Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990 – Código de Defesa do Consumidor – CDC, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Artigo 54

§ 3º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor.

Artigo 2º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de setembro de 2008; 187º da Independência e 120º da República.

JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA

Tarso Genro

José Antonio Dias Toffoli

Revista Consultor Jurídico, 23 de setembro de 2008, 21h49

Comentários de leitores

6 comentários

Concordo com Marco Aurélio et alii. Quem elabor...

Lauro (Advogado Autônomo)

Concordo com Marco Aurélio et alii. Quem elaborou o projeto-de-lei não entende de edição eletrônica de textos. Dimensão "12" para qual "font"? Aliás, já passou da hora de se estabelecer, como norma técnica, não somente o tipo (ou tipos) de letra a ser utilizada em documentos judiciais (e cartorários,em geral), mas principalmente a dimensão do papel (legal, letter, A4) onde são impressos tais documentos.

Deveria ser obrigatório, também, o uso de letra...

Medeiros (Advogado Autônomo)

Deveria ser obrigatório, também, o uso de letras legíveis NAS BULAS DOS REMÉDIOS !!!!!!!!!!!

Bem, acho que não adianta continuar a teorizar....

Marco Aurélio Gomes Cunha (Outros)

Bem, acho que não adianta continuar a teorizar. Só o tempo dirá se algo muda ou não. Continuo pensando que irá ajudar, que houve um pequeno avanço. Vejamos como serão os casos concretos, e a jurisprudência daqui uns 2 anos. Particularmente, tenho certeza de que letras miúdas desestimulam a leitura, e que eventuais artifícios para fraudar o cumprimento da lei, como utilizar letra 12 de fontes naturalmente já pequenas, como expôs o G1, ou que normalmente não são padrão em contratos ou no dia-a-dia das nossas instituições, será muito mal vista pelos operadores do Direito. É bem possível que implique em TACs com o MP, multas dos Procons e condenações no Judiciário.

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