Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Senhas da Polícia

Juiz De Sanctis responderá no CNJ por quebra de sigilo

Por 

O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) entrou com representação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça contra o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Motivo: as senhas que o juiz forneceu a agentes da Polícia Federal no curso da Operação Satiagraha e que permitiam que os policiais tivessem acesso aos dados cadastrais e ao histórico de ligações de qualquer cidadão que tem telefone.

Para o deputado, o ato do juiz fere frontalmente a garantia de sigilo de dados e das comunicações prevista no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. Jungmann disse à revista Consultor Jurídico que não se pode admitir essa hipótese porque o sigilo das informações é garantia fundamental.

“Liberar uma senha universal de acesso aos dados faz cair por terra o meu, o seu e o direito ao sigilo de todos os cidadãos”, disse o deputado. A prática de fornecer senha para os policiais nas investigações foi revelada por reportagem do jornal Folha de S. Paulo, há um mês.

Embora a Lei de Interceptações Telefônicas não preveja tal procedimento, a notícia informou que os juízes de primeira instância têm autorizado o uso de senhas pela Polícia Federal a fim de que seus agentes entrem diretamente no sistema, entendendo que isso agiliza as investigações.

A prática revelada pela reportagem foi bastante criticada por advogados. Ao tomar conhecimento da notícia, o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, disse que “é verdade que o livre bisbilhotar da vida das pessoas facilita a investigação penal, mas essa mesma tese é usada por aqueles que admitem a tortura como método válido para obter a confissão de um crime”.

Em nota divulgada na ocasião, o juiz De Sanctis não negou a prática de dar senhas de acesso aos bancos de dados das operadoras telefônicas para a PF. De acordo com o juiz, “não teria sentido que, a cada ligação telefônica suspeita, fosse necessário requerer em juízo a expedição de ofício a uma determinada concessionária de serviço público para obtenção de dados cadastrais, sob pena de inviabilizar e tumultuar, desnecessariamente, a investigação”.

O juiz federal também explicou que a “decisão judicial deferindo a obtenção de senhas deixa claro que a autorização é pessoal e intransferível, fornecida apenas para agentes policiais federais determinados e para a investigação em curso, sendo de sua responsabilidade a utilização indevida do mecanismo”.

As senhas permitem consulta aos cadastros completos de assinantes e usuários, através de pesquisas por nome, CPF, CNPJ e número de linha de telefone. Também permite consulta ao histórico de chamadas. A utilização das senhas não permite que os policiais ouçam as conversas. O que eles podem fazer com os dados é mapear todas as chamadas feitas e recebidas por determinado número ou pessoa.

A autorização sempre é dada apenas para os números investigados, mas como as senhas não têm restrição de uso, em tese, os policiais podem mapear as ligações e obter os dados de qualquer cidadão.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 8 de setembro de 2008, 17h48

Comentários de leitores

47 comentários

Parabéns ao Nobre Deputado, que está, con sua a...

Comentarista (Outros)

Parabéns ao Nobre Deputado, que está, con sua ação, defendendo a hierarquia funcional e o respeito ao Estado Democrático de Direito. No demais, o que é inexplicável é que ninguém ainda (de direito, é claro) se propôs a pedir a exoneração e prisão do desobediente recalcitrante. Mas, como estamos no Brasil, não devemos esperar isso...

SEGURANÇA NACIONAL ESTA EM CHEQUE, ABIN & PF SA...

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) (Comerciante)

SEGURANÇA NACIONAL ESTA EM CHEQUE, ABIN & PF SABEM DISSO ! O Executivo reconhece. O Legislativo endossa. O judiciário garante. Assim sendo se limpa o dinheiro se justifica a origem e o destino “sem levantar suspeitas”. Havendo impasses de ordem fiscal e tributaria imediatamente é acionado a CVM e o BC. Havendo litígios de ordem Jurídica ao tribunal competente para dirimir, o STF. Ambos se acionados, viabilizam e dão legitimidade na “forma da Lei” as operações. Daí eles não quebrarem o sigilo dos Bancos e Fundos de Pensão (Captadores). Daí eles não autorizarem as buscas no Banco Central (Certificadores e Expedidores). Daí o silêncio comprometedor da CVM (Órgão Fiscalizador). Daí a declaração purgatória do STF quando inquirido pela Policia Federal em Brasília... - Se abrirmos os computadores dos Fundos e do Banco Central o País vai ficar ingovernável...! - Ingovernável...? - Claro...! - Sem Poder Judiciário não há nação que se sustente. Ainda que se mude o Presidente...!

Pobre De Sanctis, foi bisbilhotar a nata da eli...

Acadêmico de Direito (Estudante de Direito)

Pobre De Sanctis, foi bisbilhotar a nata da elite financeira do país; Imediatamente o Presidente da mais alta Corte do País, ATROPELOU literalmente: o TRF, o STF e quem mais estava no frente, para atender ao Sr. Daniel Supremo Dantas; E de quebra, despejam em suas costas a responsabilidade por "todos os males do mundo", como se não tivesse extrapolado em muito as competências do STF contidas no art. 102, I, d da CF. Pois, pelo que se sabe o Sr. Daniel Supremo Dantas não é "autoridade" ali descrita.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 16/09/2008.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.