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Grampo supremo

Folha: Servidores da Abin dizem que Lacerda é vítima de complô

Para o presidente da Associação de Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), Nery Kluwe de Aguiar Filho, a revelação do grampo contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, é resultado de um complô contra o delegado Paulo Lacerda — afastado da direção do órgão de inteligência.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o representante dos agentes secretos diz que o grampo da conversa entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), publicado pela revista Veja na semana passada, é privado. Ou seja, não foi feito por agentes da Abin. Segundo ele, “os interessados” em espionar Mendes “são os mesmos que desafiaram a autoridade jurisdicional no âmbito da Satiagraha”.

Leia a entrevista do servidor à Folha

Folha — A Abin é a principal suspeita do grampo. Qual é sua opinião?

Nery Kluwe de Aguiar Filho — Estamos vivendo um complô contra um alvo determinado, o dr. Paulo Lacerda, que quando dirigiu a polícia prendeu mais de 6 mil pessoas, principalmente criminosos de colarinho branco. Com ele, a Abin iniciou um processo de estruturação.

Folha — Quem está por trás disso?

Kluwe — Os interessados são os mesmos que desafiaram a autoridade jurisdicional no âmbito da Operação Satiagraha. A minha convicção hoje é de que esse grampo é privado ou clandestino. O grampo legal da Satiagraha encerrou-se e foi relatado muito antes da data desse grampo. Não há a mínima condição de ter sido oficial.

Folha — E a origem do grampo?

Kluwe — Esses sistemas são auditáveis. Se foi por empresas telefônicas, é fácil saber. Se foi pelo sistema da PF, o Guardião, também. Mas se for maleta fica difícil. O Lacerda sempre disse para fazermos o que a lei nos permite. Essa questão das interceptações virou um descontrole total. Na PF virou moda valer-se do grampo para constituir prova, está perdendo sua capacidade investigativa. É preciso ressaltar que, no caso da Abin, qualquer ação deve ser autorizada e registrada. Quando saímos para conversar com uma fonte, temos que fazer relatório disso. Hoje, 80% da produção de informação da Abin provém de fontes humanas.

Folha — Como vocês receberam as críticas do ministro Nelson Jobim?

Kluwe — Ficamos estupefatos. Nós temos convicção de que essa prática não pode ser atribuída a nós. Há uma resistência no meio militar em relação à Abin. Eles têm hegemonia na área de informação interna. Para nós, de que valeria ouvir o ministro do Supremo? Nada. O clima aqui dentro é de indignação, mas de tranqüilidade porque essa arapongagem é própria de órgãos de regimes de exceção, não é da nossa alçada.

Folha — A Abin é mal utilizada?

Kluwe — A Abin tem que aprender a lição e sair da atividade de inteligência interna, que é a demanda principal do GSI. Quando reúnem-se três sindicalistas, dois líderes do MST para iniciar uma marcha, o GSI aciona a Abin para acompanhar isso. O GSI tem essa demanda de segurança interna, de segurança pública, de defesa, ambiental e militar. Os serviços modernos atuam na inteligência externa, na contra-inteligência, na proteção das autoridades e no contra-terrorismo. A solução é nos libertar dessas demandinhas internas. Só com a inteligência externa, ninguém poderá nos culpar. Não há mudança porque o pessoal do SNI ainda está na direção. Por isso 70% de nossas atividades são internas. Somos obrigados até a procurar boi no pasto e a vigiar invasão de estudante em reitoria.

Revista Consultor Jurídico, 6 de setembro de 2008, 13h51

Comentários de leitores

10 comentários

AH!! Lembra do cara que mandou Maluf pra cadeia...

Quintela (Engenheiro)

AH!! Lembra do cara que mandou Maluf pra cadeia por 40 dias? Delegado Protógenes Queiroz e o Juiz De Sanctis! (Não ficou preso definitivamente por que o estado de direito assiste criminosos de colarinho branco!) Sabe por que Maluf foi preso? Por que um cara chamado Paulo Lacerda mudou a cara da Policia Federal! Coincidência? Não é não!

João, qual o outro nome que você daria ao que e...

Quintela (Engenheiro)

João, qual o outro nome que você daria ao que está acontecendo com a ABIN e o Paulo Lacerda? O Gilmar Mendes não deu a ele o beneficio da dúvida. Numa decisão autoritária deu um ultimado ao Presidente da República para "acabar com a grampolandia"! Bem característico de um estado de direito! O equipamento que a ABIN possui não faz escuta telefônica, o equipamento apenas identifica se a linha está ou não grampeada. Esses equipamento podem ser adquiridos por qualquer pessoa, basta ter dinheiro e um pouco de influencia. Se o traficante do morro consegue comprar granadas e fuzis militares... Imagine o que Daniel Dantas consegue comprar! O STF Americano avisou que se Maluf pisar nos EUA vai ser preso! E com algemas meu amigo! Sabe por que? por que lá tem estado de DIREITO! Aqui o estado “de direito” é pra criminoso do colarinho branco! Aqui a justiça é corrupta e só se mobiliza em favor de criminoso do colarinho branco! Veja o vídeo, veja a cara de felicidade do promotor mandando o recado pro Maluf. Dá até pra ler o pensamento dele... “Aqui não é o Brasil não! Aqui vagabundo vai preso!” http://br.youtube.com/watch?v=DlrHsPYxFME&feature=related Enquanto isso, o Sr. Maluf, Celso Pita, Naji Narras, Daniel Dantas.. e outras centenas de vagabundos gozam do estado de direito que o SFT assegura para eles. AH!! Maluf tem mais 40 processos julgados. Por que não vai preso???

Por falar em quadrilha, como é que anda a vida ...

olhovivo (Outros)

Por falar em quadrilha, como é que anda a vida daqueles 40 sem o Ali Babá?

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