País sob escuta

Ministro Asfor Rocha critica banalização dos grampos

O novo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Cesar Asfor Rocha, é entusiasta da criação da Central de Grampos pelo Conselho Nacional de Justiça. Para o ministro, que toma posse da Presidência do STJ nesta quarta-feira (3/9), a banalização de decisões que mandam interceptar conversas telefônicas exige um acompanhamento.

“Hoje, a investigação começa com a escuta telefônica. Isso está errado”, disse. Para o ministro, os grampos são um meio de investigação válido, mas que só podem ser autorizados “quando se tem indícios veementes da prática de um ilícito e tem de ser bem delimitada”.

De acordo com Asfor Rocha, deve haver também um limite bem definido para a duração de uma escuta. Interceptações que duram anos, para ele, “deixa de ser investigação e vira devassa”. O ministro disse que não se pode presumir que determinada pessoa é criminosa porque recebeu uma ligação de um investigado. “E, hoje, se A liga para B, logo mandam escutar B. E se B liga para C, coloca C sob escuta também. Não pode funcionar assim.”

O ministro brincou: “Dias atrás conversava com meu assessor e ele disse: ‘Resolvi lá aquele negócio’. Eu respondi: ‘E eu lá tenho negócios com você. Explique o que quer dizer negócio’. Brinquei com o fato, mas é trágico reconhecer que todos estamos vulneráveis”. Para Asfor Rocha, o grampo da conversa do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) revelou isso.

O CNJ vem discutindo detalhes para a criação da chamada Central do Grampo, que seguirá os moldes do modelo proposto pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que controla o número de interceptações telefônicas determinadas pela Justiça. A idéia é aprovar a resolução até a terça-feira (9/8), em reunião do Conselho. Há um consenso de que as decisões judiciais que determinam as interceptações são, em geral, genéricas e têm problemas de fundamentação.


Rodrigo Haidar é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

2 comentários




A seção de comentários deste texto foi encerrada em 11/09/2008.
4/09/2008 11:37Armando do Prado (Professor). O jornal nacional anuncia com invulgar entusi...
. O jornal nacional anuncia com invulgar entusiasmo que o Ministro de Tudo Nelson Jobim vai depor na CPI dos Amigos de Dantas, presidida pelo deputado serrista Marcelo Itagiba. . Jobim tem uma bomba: a Abin comprou uma máquina de grampear e com isso fazer relatórios ao Presidente da República. . Isso é inacreditável ! . Isso é inadmissível ! . Isso é um Estado Policial ! . Imaginem uma organização estatal de inteligência fazer e identificar grampos. . A CIA não faz isso. . A KGB não faz isso. . O Mossad não faz isso. . Só no Brasil se imagina que esse absurdo seja possível ! . É por isso que o Exército brasileiro não tem canhão. . É por isso que a Marinha brasileira não tem navio. . É por isso que a Força Aérea não tem avião. . O Ministro da Defesa não permitiria tal atentado à Democracia. . O Ministro de Tudo é como o Supremo Presidente do Supremo: polícia, grampo e algema só em preto, pobre e p ... . É assim que funciona uma Democracia. Paulo Henrique Amorim
3/09/2008 14:31Luiz P. Carlos (((ô''ô))) (Comerciante)Ando meio pensativo depois dessa historia de gr...
Ando meio pensativo depois dessa historia de grampo. Me parece que a tal globalização aliada a alta tecnologia, internet, etc. Vem como solução para os corruptos do colarinho branco, haja visto como eles tem se preocupado ultimamente em amordaçar a rede mundial. Penso que eles agora estão feridos de morte, pois se de fato e de direito conseguir amordaçar, não vão conseguir coibir a pirataria paralela que deverá ser exercida em contra partida. Esse é um pensamento que deveria ser levado em conta e bem analisado por quem gosta e conhece os caminhos do divam.