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15 outubro 2008
Colaboração indevida
Diretor da PF diz que ação da Abin na Satiagraha foi ilegal
A ação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha foi “ilegal e desnecessária”, pois não seguiu os parâmetros previstos no Manual de Gestão Operacional da Polícia Federal. A afirmação é do diretor da Divisão de Inteligência da Polícia Federal, Daniel Lorenz de Azevedo, antes de prestar depoimento na CPI das Escutas Telefônicas, na Câmara dos Deputados.
“Foi a única operação em que realmente não se cumpriu o que estava bem delineado nesse manual, e deu no que deu. Essa é a grande frustração, isso nos deixa profundamente chateados, irritados, porque não é assim que nós trabalhamos”, declarou Lorenz.
Ele defende que a utilização de escutas telefônicas é importante para a investigação policial, mas deve ser utilizada como complementação da análise. “Para a polícia, muitas vezes a boa análise de um extrato telefônico é mais significativo que um diálogo”. E completou dizendo que seria uma leviandade acreditar que hoje em dia o crime organizado não saiba que os telefones utilizados podem estar grampeados.
A falta de preservação da privacidade das pessoas presas, também foi uma falha apontada pelo diretor. “Existem formas de conduzir as pessoas no carro sem que elas possam ser vistas ou filmadas, e assim você preserva a privacidade dessas pessoas, e isso não foi feito”
Daniel Lorenz de Azevedo ainda reconheceu que mesmo trabalhando no prédio em que estava a equipe responsável pela operação, não tinha conhecimento da participação de agentes da Abin nas investigações. “Para mim, era normal, todo dia que entrava na sala, via alguém diferente, mas, dentro de uma relação de confiança com o delegado Protógenes Queiroz, eu julgava que eram colegas que tinham chegado de outros estados”.
Nesta quarta-feira (15), o diretor Daniel Lorenz de Azevedo prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, na Câmara dos Deputados. A sessão durou quatro horas e vinte de três minutos.
Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2008
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Comentários de leitores: 5 comentários
Há uma distinção - ainda que tênue - entre a na...
Pouco sei sobre a pessoa do delegado Daniel Lor...
Quem esse diretor representa? Claro que só ele ...
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