Maleta de grampo

Abin tem equipamento para fazer escuta, diz laudo do Exército

Laudo encaminhado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, à CPI dos Grampos atesta que sete dos 15 equipamentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) têm poder de realizar grampos telefônicos. Um deles tem função única e exclusiva de realizar escuta telefônica em aparelhos fixos. Outros dois precisam ser usados em conjunto com receptores.

A reportagem da jornalista Ana Paula Scinocca, do jornal O Estado de S. Paulo, revela que o levantamento e a auditoria, mantidos em sigilo, foram assinados por três militares de alta patente. Já integrantes da CPI suspeitam que a Abin possa ter adquirido equipamentos de grampo por meio de cartão corporativo. Para esclarecer a dúvida, e com base em auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União, deputados prometem pedir que o Ministério Público Federal que investigue o caso.

Outros documentos sigilosos também estão em poder da CPI. Entre eles, o que mostra quais equipamentos foram comprados pela Abin, através da Comissão de Compras do Exército, em Washington, em 2005. Na próxima semana, a CPI deve pedir ao Ministério da Defesa os dados referentes a 2006, 2007 e 2008.

A Abin não pode fazer interceptação telefônica nem mesmo com autorização judicial. A Constituição, em seu artigo 5, inciso XII, diz que as quebras de sigilo só podem ocorrer para fins de investigação criminal. A Lei 9.296, que regulamentou esse inciso, diz que só autoridades policiais poderão fazer grampos e, sempre, autorizados pela Justiça. Na lei que criou a Abin, também não há previsão de que a agência possa fazer escutas de qualquer natureza, mesmo ambiental.

A polêmica em torno da realização de escutas veio à tona, em setembro, com a revelação de que conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi grampeada.

Em agosto, ao depor na CPI, o então diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda (atualmente afastado), negou que a agência realizasse escutas telefônicas. "A Abin, por não ter o mandato legal de realizar escutas telefônicas, aboliu completamente esse tipo de conduta. Então, nós não temos nem telefônica, nem ambiental, nem em qualquer outro tipo de comunicação", afirmou Lacerda.


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25/11/2008 20:51Quintela (Engenheiro)É CONJUR novamente quebrando a cara! "Segund...
É CONJUR novamente quebrando a cara! "Segundo a Folha Online apurou, a conclusão dos técnicos do Exército é semelhante à da Polícia Federal, ou seja, que os equipamentos da Abin só poderiam fazer interceptações em linhas analógicas. A conversa entre Mendes e Demóstenes foi feita em linhas digitais de telefones fixos e depois foi transferida para um celular" Quando vocês vão começar a trabalhar sério? Denuncia se faz com fundamento, para mim isso é politicagem e fofoca da pior espécie! http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u471548.shtml
24/11/2008 18:51Republicano (Professor)O que o MP está esperando? Não dá para agüentar...
O que o MP está esperando? Não dá para agüentar o tanto que o MP está "afastado" dos fatos envolvendo escutas clandestinas.Não se tem notícias de qualquer denúncia. O que está acontecendo com o princípio da obrigatoriedade?
24/11/2008 15:49Ramiro (Estudante de Direito)Não deveria me manifestar, no entanto como o fi...
Não deveria me manifestar, no entanto como o fiz antes, indicando sites onde vendem equipamentos que a ABIN disse nunca ter, insinuando não existirem, vale a pena fazer algumas colocações. Primeiro, a capacidade técnica do exército para periciar este tipo de aparelhagem, óbvio ululante... http://www.ime.eb.br/ Simplesmente o vestibular mais difícil do Brasil. Pareia com o ITA. O doutorado abaixo é único no Brasil em engenharia. http://www.ime.eb.br/index.php?option=com_content&task=view&id=299&Itemid=142 Na área de computação o IME tem um corpo técnico bem formado. http://www.ime.eb.br/index.php?option=com_content&task=view&id=343&Itemid=427 Logo soaria falacioso afirmar que "o Exército não teria know-how e capacidade técnica para perícia de tais equipamentos de escutas". O que temos são elementos que nos garantem um bom motivo para suspeição em relação a ABIN, que já foi se enrolando em dizer que não existiam tais maletas de grampear celulares e fazer escutas ambientais. A COPPE-UFRJ também teria tal competência, no entanto temos questões de Estado e de Governo em jogo, logo é razoável que seja o Exército e não uma universidade que faça as análises. Quanto a um fato, suspeição, elementos de suspeição não significam pressuposição de culpa. E há tempo para esta história ser esclarecida. No mais o Governo investe mal. Se criassem para o Estudo de Direito um Centro de Pesquisa como o www.impa.br, ou www.lncc.br, ou www.cpbf.br, fazendo uma remissão ao Professor Sérgio Niemeyer, que fosse ensino e pesquisa com forte ênfase também em lógica. Poderia vir no mesmo contexto um grande centro irradiador de ciência forense, tão vital ao bom exercício do Direito.