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22 março 2008

Fim da dor

Morre francesa que teve eutanásia negada pela Justiça

A francesa Chantal Sébire, de 52 anos, foi encontrada morta na quarta-feira (19/3) em sua casa, informou o Ministério do Interior da França. Na segunda-feira (17/3), o Tribunal de Grande Instância de Dijon (leste da França) havia negado a Chantal o direito à eutanásia, confirmando a posição da Procuradoria-Geral.

A professora de escola, que tinha três filhos, sofria de um tumor nasal incurável que estava se alastrando para o cérebro. Ele causou sérios danos como uma cegueira progressiva e fortes dores. A doença, conhecida como estesioneuroblastoma ou neuroblastoma olfativo, teve 200 casos registrados no mundo em 20 anos.

A mulher morava em Plombières-les-Dijon (leste da França). As causas da morte ainda não foram determinadas, segundo informações da agência AFP.

A mulher entrou na Justiça pedindo a eutanásia, apelando humanidade aos juízes. Chantal também tinha escrito ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, que sugeriu que aguardasse outra opinião médica.

O pedido — o primeiro desse tipo registrado na França — foi negado porque os juízes aplicaram a legislação francesa sobre cuidados paliativos, de 2005. De acordo com a norma, o doente poderia optar por permanecer em um coma induzido que pudesse reduzir sua dor até o momento da morte natural.

A legislação foi aprovada depois de um caso que emocionou a opinião pública, o de um tetraplégico de 22 anos que morreu com a ajuda da própria mãe e de seu médico.

Antes da sentença do tribunal, Chantal tinha declarado que estava disposta a cumprir seu desejo de morrer dignamente. Levantou a possibilidade de ir à Suíça, um dos países europeus que autoriza a eutanásia ativa junto a Holanda e Bélgica.

Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2008

Comentários

Comentários de leitores: 2 comentários

27/03/2008 21:56 yuka (Outros)
É desejo de TODOS ter uma vida feliz e ao final...
É desejo de TODOS ter uma vida feliz e ao final desta uma morte sem sofrimento. Há alguns que defendem ferreamente a vida a qualquer custo indiferentes ao sofrimento de outras que sofrem dores inimagináveis e que estão fora de qualquer possibilidade terapêutica. É sempre muito cômodo defender a vida "atrás de uma mesa",argumentando ser "inconstitucional", "contra a igreja", discursos inúteis já que , de que vale a vida quando so sofrimento resta? Praticamos eutanásia (que significa "a boa morte") em nossos queridos animais de estimação mas não em nossos semelhantes. Com eles sabe-se a hora de parar. Chega de falatório interminável. É hora de dar dignidade e alívio aos que sofrem. Chega de academicismos e de rigidez. Não deve haver espaço para fanatismos,de inflexibilidades ou de parcialismos neste assunto que interessa a todos nós.
22/03/2008 11:42 Embira (Advogado Autônomo - Civil)
Desde que o Dr. Jiménez de Asúa publicou os trê...
Desde que o Dr. Jiménez de Asúa publicou os três ensaios contidos no livro “Liberdade de amar e direito de morrer”, houve grande evolução, para o bem ou para o mal, no primeiro quesito, mantendo-se quase inalterado o segundo. O relacionamento amoroso e o casamento sofreram profundas transformações, mas, a eutanásia continua a sofrer férrea resistência religiosa. Outro espanhol, porém, brindou-nos com obra similar: trata-se de Alejandro Amenábar, diretor do filme “Mar Adentro”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. É a estória de um tetraplégico que, preso a uma cama, luta pelo direito de morrer. Vale a pena assistir.

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