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13 março 2008

Guerra dos poderes

PT reclama do ministro Marco Aurélio no CNJ

Por Maria Fernanda Erdelyi

A bancada do PT na Câmara dos Deputados quer enquadrar o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, no Conselho Nacional de Justiça. O deputado Maurício Rands (PE-PT) argumenta que o ministro tem se manifestado sistematicamente com excesso sobre programas do governo. “O julgador tem de ter certa sobriedade nos seus pronunciamentos”, disse. Uma petição assinada por mais de 60 deputados federais foi protocolada na manhã desta quinta-feira (13/3) no CNJ. Dirigida ao ministro Cesar Asfor Rocha, corregedor nacional de Justiça, a reclamação pede abertura de procedimento administrativo contra o ministro e aplicação das penalidades compatíveis.

De acordo com a reclamação, o ministro Marco Aurélio vem ocupando os meios de comunicação de massa para criticar programas e iniciativas do governo, como o "Bolsa Família". A petição refere-se especificamente ao “Programa Territórios da Cidadania”, uma serie de ações de assistência social promovidas pelo governo.

Segundo a bancada do PT, o ministro tachou o programa de eleitoreiro e sugeriu, de maneira indireta, que a oposição poderia questioná-lo na Justiça. “Traz-se à baila a necessidade de que os integrantes da magistratura nacional se conduzam com o necessário equilíbrio e eqüidistância em suas manifestações públicas, principalmente nas entrevistas aos meios de comunicação”, critica o deputado Maurício Rands. Para o partido, o ministro ofendeu o artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman).

Liberdade de falar

Irônico, o ministro Marco Aurélio rebateu prontamente as críticas. “Eu não sabia que incomodava tanto. Evidentemente, não estão me aplaudindo. Se eu estivesse estimulando práticas à margem da lei, talvez não tivesse a representação. Se eu aplaudisse a concessão de benesses em ano eleitoral, contrariando a lei, talvez mandassem fazer um busto com a minha imagem para ser colocado na Praça dos Três Poderes”.

Na época, o ministro explicou que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral era sua obrigação chamar a atenção para programas do governo que pudessem ferir a lei eleitoral. Esse ano tem eleições municipais e a legislação restringe a ação dos governos em várias áreas, inclusive na social.

O ministro recebeu a notícia da reclamação com absoluta tranqüilidade e ainda fez brincadeiras. “Vamos ver o que o CNJ vai dizer. Quem sabe ele me afaste das funções? Estou precisando mesmo descansar", disse.

Ele não tem dúvidas que o pedido ao CNJ é uma tentativa de cercear sua liberdade de expressão. “Eu acho graça. O que eu vejo nisso é uma vertente extremada, cerceando a liberdade de expressão. Os novos ares constitucionais não viabilizam essa ótica, esse modo de pensar”.

De acordo com Marco Aurélio a divergência é salutar e as instituições precisam funcionar com espontaneidade. “É um direto do partido entrar com a representação. Ele deve sopesar como essa representação vai ser encarada pela sociedade, principalmente quando ela tem a intenção de emudecer o presidente do TSE", concluiu.

Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 13 de março de 2008

Comentários

Comentários de leitores: 23 comentários

24/03/2008 12:34 Nicoboco (Advogado Autônomo)
Existe uma ideologia esquerdista meio estapafúr...
Existe uma ideologia esquerdista meio estapafúrdia, inversora de valores: neste país é permitido/aceitável roubar, desde que se roube menos que o antecessor...
20/03/2008 15:27 Bira (Industrial)
Absurda a proposta ou será uma mera metamorfose?
Absurda a proposta ou será uma mera metamorfose?
18/03/2008 13:19 dinarte bonetti (Bacharel - Tributária)
A ira dos comentaristas, e sua quase unanimidad...
A ira dos comentaristas, e sua quase unanimidade, me assustam. Se a Justiça ainda prevalece, porque impedir um partido politico de buscar satisfaçao contra um Ministro que tem demonstrado dia apos dia, sua especial predileçao contra esse partido? O pessoal daqui parece que esquece das falcatruas dos outros. A necessidade desesperada de se atacar o PT e o presidente Lula, vao as raias da insanidade. Soltar Cacciolas é coisa normal. Um roubo magistral, de valor imensuravel, ate hoje mal explicada a conivencia da justiça ao, afoitamente, dar soltura... E o ministro Aurelio, ao se justificar, deveria mandar soltar ao menos todos que roubaram para escapar da fome. Victor Hugo, em "Les miserables", aprofundou a analise do tema. Qual a logica que justifica essa predilecao por ricos e poderosos? Pobre nao merece tambem prisao decente? Os votos do ministro-voto vencido, sao sempre uma nao liçao. Ou os demais sao incompetentes e nao entendem a profundidade do raciocinio do Aurelio? Coloco aqui uma voz discordante da classe dos advogados,com essa quase unanimidade burra.

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