Bens catalogados

Justiça baiana autoriza invasão em apartamento de viúva de ACM

A juíza auxiliar Fabiana Andréa Almeida Oliveira Pellegrino, da 14ª Vara da Família de Salvador, autorizou, na terça-feira (11/3), a entrada de oficiais de Justiça no apartamento em que morava o senador baiano Antonio Carlos Magalhães, morto em julho.

O pedido foi feito pela filha do senador baiano, Tereza Mata Pires, e por seu marido, o dono da construtora OAS, César Mata Pires. Eles querem que seja feito o levantamento de bens do senador.

Com o mandado de prisão em mãos, nove policiais militares, dois oficiais de Justiça e quatro advogados da OAS invadiram o apartamento em que agora mora a viúva do senador, Arlette Magalhães, de 78 anos. Como ela não estava em casa, a porta foi aberta por chaveiros. Eles ficaram sete horas catalogando os objetos. Entre eles, dezenas de obras de arte.

A juíza auxiliar Fabiana é mulher do deputado Nelson Pellegrino, do PT baiano. Pellegrino disse que não tem interferência sobre o trabalho da mulher.

Teresa Mata Pires é uma das herdeiras de ACM. Segundo familiares, a herança do senador é constituída em três apartamentos (um no Rio), uma casa em Brasília, obras de arte e ações do Bradesco, Banco do Brasil, Vale e Petrobras.

Arlette foi para a casa do filho, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), em Brasília, e reagiu com revolta à atitude da filha. “A agravante é que a ação de funcionários do Estado da Bahia e da Justiça recebeu o apoio logístico da Construtora OAS, cujo proprietário é parte interessada no processo”, diz o comunicado da viúva. A disputa entre ACM Júnior e o casal Mata Pires está relacionada ao controle da TV Bahia, a retransmissora da Rede Globo no Estado.

A ação entrou na Justiça no dia 5 de março. O advogado Genaro Oliveira, contratado pela família do senador, espantou-se com a velocidade do processo. “Se a Justiça brasileira funcionasse assim em todos os casos seria digna de aplausos", disse.

Em seu despacho, a juíza tinha estabelecido um prazo de 48 horas para Arlette prestar as informações requeridas por sua filha. Na segunda-feira (10/3), os oficiais tentaram citar a viúva, mas não a encontraram. Na terça, a juíza autorizou a entrada dos oficiais.

O fato repercutiu no Senado. O senador José Agripino (DEM-RN) manifestou repúdio à invasão. Outros 14 senadores do PSDB, DEM, PP, PR e PTB condenaram o episódio. Após os protestos, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, designou uma comissão para encaminhar sugestões que deverão ser adotadas pela Casa em solidariedade à família de ACM. A comissão é composta por Agripino, Arthur Virgílio (PSDB–AM) e Ideli Salvatti (PT-SC).

Últimos 3 comentários


Clique aqui para ver todos os comentários

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 20/03/2008.
14/03/2008 18:05Eduardo (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)Que a família ACM é cheia de "polêmicas" não re...
Que a família ACM é cheia de "polêmicas" não resta dúvida, mas isto ensejar uma reportage, desvirtuada dos fatos, é demais. Acredito que o termo "invasão" (entre outros) utilizadoa pelo desconhecido ou ocultado jornalista encontram-se repleto de sensacionlismo. Um dos grandes invasores do Brasil encontra-se morto, data venia, tardiamente, na minha opinião, que estrapolaria no brocardo, não deveria ter nem ter nascido para a felicidade da nação. Fora isto, ou seja, o meu subjetivismo, pois nunca conheci ninguém da família ACM, mas por serem pessoas públicas formei opinião. O que não aprecio ver em conteúdos jornalísticos, pois empobrece e perde credibilidade. o discurso serve para informar, então fica a crítica com relação ao excesso de sensacionalismo e a sugestão para o profissionalismo. Por outro lado, sempre haverá espaço nas críticas para elas as queridas opiniões.
14/03/2008 12:51Gabriel (Bacharel)O presidente do Senado deveria ter vergonha de ...
O presidente do Senado deveria ter vergonha de usar a máquina pública em solidariedade a um político que não deixou a menor saudade na Bahia, pela sua truculência e falta de escrúpulos !!!
13/03/2008 11:05Fernando Queiroz (Advogado Autônomo)Realmente o CONJUR é um site decadente e relaps...
Realmente o CONJUR é um site decadente e relapso. Ilustro com a seguinte trecho, extraído da matéria: "Com o mandato de prisão em mãos . . .". O responsável pela matéria, certamente, desconhece termos jurídicos, ou ainda, expressões que se tornaram conhecidas em face de seu uso constante. A palara mandato na frase acima, creio, estaria associado ao finado ACM, ele sim, possuidor de mandato. Ordem judicial é outra coisa, mandado. Não entendi a ordem judicial de "mandato de prisão". Quem seria detido(a) A viúva, as obras de artes. Pessoa ou objeto. O CONJUR, à expectativa de ser um site informativo-juridico(!), torna-se com suas "notícias", site humorístico.