Notícias
3 maio 2008
Montanha de processos
Juizados deveriam ter rito mais simplificado, diz advogado
Por tratar de questões de valor econômico baixo e de pequena complexidade, os Juizados Especiais passaram a beneficiar, além da população de baixa renda, pessoas da classe média alta. Por isso, tem sido muito procurado e a tendência é que a demanda aumente. Se a lei não simplificar o processo, os Juizados ficarão inviáveis. A opinião é do presidente da Comissão de Juizados Especiais Estaduais (Ceje), da OAB do Rio de Janeiro, Sérgio Fisher. Um dos problemas apontado pelo advogado é a transformação da audiência de conciliação em instrução e julgamento.
Segundo Fisher, o advogado vai para o Juizado atuar em uma audiência de conciliação na parte da manhã e não sabe se terá que ficar o dia todo por lá. Isso porque a conversão da conciliação em instrução e julgamento, caso as partes não cheguem a um acordo, pode acontecer ou não no mesmo dia e tal decisão não é comunicada imediatamente.
Questionado se o valor baixo das indenizações permitidas nos Juizados (no máximo 40 salários mínimos) não faz com que as empresas sejam negligentes com seus serviços, Fisher explica que o limite é de indenização. “Quando há liminar de descumprimento de decisão, a multa não tem limitação”, afirmou. Segundo Fisher, os juízes têm aplicado multas rigorosas.
O desembargador Thiago Ribas, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e atual presidente da Comissão Estadual dos Juizados Especiais (Cojes), credita o problema do volume de processos nos Juizados ao sucesso do instituto.
Para Ribas, além de beneficiar a classe mais pobre, os Juizados passaram a atrair as classes média e média alta. “A pessoa prefere entrar com a ação no Juizado, pois é mais rápido e só permite um recurso”, constata. Ribas também entende que um dos problemas foi a execução do processo que corre no Juizado não ter sido prevista na lei que o criou.
Lista negra
O TJ fluminense lança todo mês a lista das 30 empresas mais acionadas nos Juizados Especiais. Em 2007, a Telemar liderou a lista com quase 43 mil processos, seguida da concessionária de energia elétrica do Rio, Ampla, com mais de 25,5 mil ações, e da operadora de celular Vivo, com pouco mais de 23 mil (veja a lista completa).
Ribas afirmou que a idéia da criação da lista foi fazer com que as próprias empresas mais acionadas tomassem providências para melhorar seus serviços e resolver os conflitos. “Deu resultado”, garante. Um dos sistemas implantados para agilizar a solução dos conflitos foi o Expressinho. Funcionários da Telemar ficam disponíveis em alguns Juizados para resolver, através de um acordo, o problema com o consumidor. O pedido é feito oralmente, diante do funcionário e de um mediador, e o acordo é homologado pelo juiz.
Marina Ito é correspondente da Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.
Revista Consultor Jurídico, 3 de maio de 2008
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 27/04/2008 OAB do Rio discute situação de Juizados Especiais
- 26/04/2008 Justiça não é responsabilidade apenas do Judiciário
- 22/04/2008 Muita gente aposta no caráter lotérico do Judiciário
- 20/04/2008 Administramos o tribunal como se fosse uma grande empresa
- 17/04/2008 É preciso enxugar mais a legislação processual
- 07/04/2008 Excesso de recursos e devedor irresponsável prejudicam execução
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Se a discussão é a simplificação do processo co...
É claro que se o advogado vai a audiência sem s...
"Segundo Fisher, o advogado vai para o Juizado ...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 11/05/2008.