Notícias
3 junho 2008
Cinco por meia dúzia
TJ do Rio devolve lista sêxtupla por ter apenas cinco nomes
A Constituição determina que a lista sêxtupla enviada pelo Ministério Público ou pela Ordem dos Advogados do Brasil para preencher a vaga do quinto constitucional, como o próprio nome diz, tem de apresentar seis nomes. Com esse fundamento, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mandou devolver, na segunda-feira (2/6), a lista enviada pelo MP para preencher vaga de desembargador, que continha apenas cinco nomes.
A maioria dos desembargadores entendeu que o Ministério Público tem de enviar a lista com seis nomes. Por isso, optaram pela devolução da lista. O órgão poderá preencher a vaga com o nome de outro candidato e mandar a lista à apreciação do TJ do Rio.
O desembargador Luiz Zveiter, que foi nomeado para o TJ fluminense por meio do quinto constitucional da Advocacia, abriu a divergência. Ele explicou que sete pessoas concorreram às vagas abertas pelo edital do MP. Duas desistiram. Logo, a culpa pela falta de um nome não foi do Ministério Público. “Acho que pode escolher”, afirmou.
A desembargadora Valéria Maron entendeu no mesmo sentido. “Cinco é maior que três. Temos que enviar a lista com três nomes para o governador”, argumentou. O desembargador Mota Filho acompanhou a divergência. Os três foram vencidos. A maioria dos desembargadores votou a favor da devolução, mas deixaram claro que não estavam rejeitando a lista. Apenas a devolveram para que a exigência constitucional fosse cumprida.
Calmon de Passos, professor da Universidade Federal da Bahia e procurador de Justiça aposentado, diz que, em tese, se as normas legais foram respeitadas e há apenas cinco candidatos, trata-se de motivo de força maior e o TJ pode votar a lista. Um estado pequeno, explicou, pode ter poucos membros para concorrer à vaga.
Situação diferente é se tivesse existido manipulação por parte do MP, que não permitiu que mais candidatos em condições concorressem às vagas. Segundo os desembargadores do TJ fluminense, não foi o caso. Para o desembargador Roberto Wider, a devolução é uma questão de cortesia.
Marina Ito é correspondente da Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.
Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2008
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 02/06/2008 TJ paulista renova cinco cadeiras do Órgão Especial
- 28/05/2008 Futuros ministros são aprovados em sabatina no Senado
- 21/05/2008 AMB questiona no Supremo a forma de composição do STJ
- 15/05/2008 OAB nacional perde mais uma na disputa por vaga no STJ
- 14/05/2008 Lula indica Mauro Luiz Campbell para ministro do STJ
- 14/05/2008 Candidato do quinto será sabatinado na Assembléia de SP
- 12/05/2008 OAB vai ao Supremo para garantir sua vaga no STJ
- 10/05/2008 OAB recorre ao STF para garantir votação da lista sêxtupla
- 07/05/2008 STJ escolhe concorrentes a três vagas de ministro
- 07/05/2008 Supremo vai decidir impasse entre OAB e STJ
- 01/05/2008 Para OAB do Rio, tribunal não pode rejeitar lista de quinto
- 01/05/2008 Tribunal tem direito de escolher membros do Quinto
- 28/04/2008 Para OAB, STJ tem de preencher primeiro vaga da advocacia
- 28/04/2008 STJ define na próxima semana novos ministros
- 24/04/2008 OAB vai ao Supremo contra STJ na segunda-feira
- 22/04/2008 Muita gente aposta no caráter lotérico do Judiciário
- 20/04/2008 Administramos o tribunal como se fosse uma grande empresa
- 17/04/2008 OAB processará STJ para impedir votação de outras listas
- 16/04/2008 STJ mantém decisão que rejeitou lista do quinto da OAB
- 10/04/2008 Para Supremo, TJ-SP agiu certo ao devolver lista da OAB
- 09/04/2008 Advogado inadimplente pode votar em lista do quinto
- 07/04/2008 Quinto constitucional é antídoto para Estado policial
- 06/04/2008 Quinto é sistema democrático e não pode acabar
- 06/04/2008 Justiça é muito barata para quem não tem razão
- 30/03/2008 Sem hierarquia e unidade, Poder Judiciário não existe
- 27/03/2008 Ministro promete resolver logo impasse da lista da OAB
- 19/03/2008 Escolha da lista do quinto no TJ paulista tem novo impasse
- 09/03/2008 É difícil dizer ao cliente que ação vai levar oito anos
- 25/02/2008 Comissão do STJ decidirá o que fazer com lista da OAB
Comentários
Comentários de leitores: 0 comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 11/06/2008.