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1 junho 2008
Macunaímas do Brasil
Justiça na região Norte é encarada como repressão e afronta
<i>“A tentativa de implantação da cultura européia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em conseqüências. (...) Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas idéias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra. (...) Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem.”</i> Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil.
Macunaíma, personagem principal do romance escrito por Mário de Andrade em 1928, representa o perfil do povo brasileiro. Tal romance relata a atração que o índio tem pela cidade grande, máquinas, a industrialização. O romance marcado por características cômicas, descreve os mitos indígenas, os folclores, as lendas e os provérbios da cultura indígena.
Ao escrever Macunaíma, a intenção de nosso digníssimo escritor modernista era simplesmente mostrar, de forma divertida e engraçada, a ausência de uma definição de cultura, destacando a sua submissão e a divisão em diferentes camadas. De forma simples, Mário de Andrade demonstrou que nosso país não tinha competência para buscar uma identidade própria e independente, necessitando buscar nos países europeus a sua identidade. Portanto, o objetivo principal de Mário de Andrade, do ponto de vista analítico, era justamente reunir os mais diversos elementos culturais presentes em nossa sociedade e chegar a um elemento que fizesse parte de um mesmo patrimônio cultural, ou seja, a uma mesma cultura.
Para prosseguir com o presente texto, imprescindível o comentário da globalização, que sob meu singelo ponto de vista, nada mais é do que a anulação de culturas, anulação de identidade nacional em razão de enriquecimento econômico.
Quando optei pela escolha do artigo em questão, “Macunaímas do Brasil”, não foi com a intenção de ofender a integridade moral dos índios que habitam nosso país. Tal escolha se deu em razão às aventuras do personagem de Mário de Andrade, uma vez que o mesmo esquece suas tradições, suas raízes, seu caráter, fato este bastante semelhante com o que vem ocorrendo em nossa sociedade.
Estamos acompanhando um conflito social bastante grave. A demarcação de terras no estado de Roraima. Tal demarcação vem gerando combates sangrentos desde 2005, envolvendo arrozeiros (não índios) e índios da região. Demarcar é o meio administrativo para demonstrar os limites do território tradicionalmente ocupado pelos povos indígenas. A Constituição Federal de 1988 é clara e incisiva quando se refere aos direitos dos índios, conforme transcrição do artigo 231 abaixo:
“Artigo 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
Charlene Cristine Weiss é estudante de Direito.
Revista Consultor Jurídico, 1º de junho de 2008
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A globalização não pode vista e entendida como ...
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A seção de comentários deste texto foi encerrada em 09/06/2008.