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Fonte de financiamento

Equity Kickers ajudam a fomentar o mercado de capitais

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O mercado de capitais cada vez mais tem se mostrado como uma interessante fonte de financiamento para as empresas brasileiras. Essa afirmação encontra respaldo nos levantamentos relativos ao ano de 2007, que apontaram as operações de mercado de capitais como responsáveis por 2/3 do total de recursos captados pelas companhias.[1]

Dentre as formas de captação de recurso via mercado de capitais, a operação de IPO, sigla que reflete a expressão em inglês Initial Public Offering, referente às emissões primárias de ações, foi a que mais se destacou no ano passado, apresentando um aumento de 140,9% comparado ao mesmo período de 2006. No total foram 64 companhias que decidiram abrir seu capital durante todo o ano, captando mais de R$ 39 bilhões.[2]

Ressalte-se, todavia, que os números de 2008 não refletem o mesmo otimismo, conforme se depreende pela leitura do mercado nacional que, mesmo após vivenciar a conquista do ‘investment grade’ pelo Brasil, vive um momento de quase desaparecimento de IPOs em decorrência, dentre outros motivos, da crise financeira americana.

Independente disso, a verdade é que para crescerem as empresas inegavelmente precisam de recursos e o ingresso ao mercado de capitais é uma atraente alternativa ao tradicional aporte de capitais por parte dos acionistas, à reinversão de lucros e até mesmo às linhas de crédito clássicas.

As operações de IPO exigem, dentre outras coisas, a participação do Coordenador da Oferta, representado na figura de um banco de investimento, cuja responsabilidade reside, fundamentalmente, em coordenar a operação, distribuindo e colocando publicamente os valores mobiliários objeto da Oferta.

Nesse passo, e acompanhando a boa maré das companhias novatas no mercado de capitais, os bancos de investimento também tiveram um significativo incremento em seus resultados no ano de 2007. Especialistas de mercado estimam que os valores recebidos por esses bancos no mesmo período somaram uma importância aproximada de U$ 2 bilhões.[3]

Um dado que chama atenção é que do total recebido pelos bancos, uma parte é formada pela comissão, relativa ao valor auferido pela prestação dos serviços de coordenação, distribuição e colocação dos valores mobiliários, e outra parte se refere aos ganhos dos bancos advindos de opções de compra das ações embutidas em empréstimos pré-IPO.

A esses empréstimos pré-IPO tem-se designado “equity kickers”. Portanto, essa expressão em inglês é utilizada para se referir ao empréstimo concedido à companhia, pouco antes de abrir seu capital, com a intenção de capitalizá-la, favorecendo seu IPO no mercado.

Desde que os IPOs viraram moda, os bancos têm sido criativos nas formas adotadas para esses créditos pré-IPOs, sendo diversos os instrumentos de crédito utilizados, incluindo empréstimos bancários tradicionais, cédulas de crédito bancário, debêntures, notas promissórias comerciais, certificados de depósito bancário, entre outros.

Informações da CVM confirmam que do total de IPOs realizados em 2007 nem todos utilizaram equity kickers, contudo, chegaram a somar mais de R$ 1 bilhão as operações que foram alavancadas com esses empréstimos[4].

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 é advogada especialista em mercado de capitais.

Revista Consultor Jurídico, 26 de julho de 2008, 0h00

Comentários de leitores

1 comentário

Dra.Angélica, Seu artigo mostra como é impo...

Josean Mendonça (Prestador de Serviço)

Dra.Angélica, Seu artigo mostra como é importante o Mercado Mobiliário para a economia e para que se cumpra a função social das empresas. Josean Mendonça

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