Notícias
17 julho 2008
Apoio de classe
Ajufer defende posição de Gilmar Mendes no caso Dantas
A Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer) foi na contramão das posições adotadas pelas demais associações de classe. Não repudiou a atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, em determinar que o Conselho da Justiça Federal e a Corregedoria Nacional de Justiça investiguem provável desobediência do juiz Fausto Martins De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, no caso Daniel Dantas.
Os manifestos surgiram depois que o juiz De Sanctis mandou prender o banqueiro Daniel Dantas por duas vezes e o ministro Gilmar Mendes mandou soltá-lo também por duas vezes. Para Gilmar Mendes, De Sanctis desrespeitou decisão do Supremo ao mandar prender de novo Dantas. Após o episódio, muitas associações de juízes e procuradores saíram em defesa do juiz De Sanctis e muitos advogados, em defesa do ministro Gilmar Mendes.
Em nota, a Ajufer manifesta a sua preocupação com o mal-estar que se formou no Judiciário por conta do prende e solta do banqueiro Daniel Dantas. Para a associação, é preciso promover uma reflexão sobre a necessidade de se respeitar as decisões da mais alta corte do país.
A Ajufer ressalta que toda e qualquer crítica ao órgão máximo do Poder Judiciário, em especial dos atos do seu presidente, deve ser evitada “sob pena de se infirmar a própria respeitabilidade de toda a estrutura judicial, que termina por ser corroída por insurgência de seus próprios órgãos”.
Ainda de acordo com a associação, o ministro Gilmar Mendes tem uma vida marcada pela ponderação que se espera de um magistrado. A Ajufer destaca que não se pode, de maneira alguma, dar à sua decisão outra conotação que não aquela baseada na legalidade e na jurisprudência do Supremo.
A associação lembra que o foro adequado para se discutir a decisão do ministro é do próprio STF “e não a seara pública que não está afeita à técnica e, por vezes, não faz uma boa leitura do remédio, muitas vezes amargo, que representa a democracia e o Estado de Direito”.
A determinação de Gilmar Mendes de representar De Sanctis na Corregedoria do TRF-3 irritou associações de classe de juízes e procuradores. Manifestaram-se a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), a Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (ALJT) e a Associação Juízes para a Democracia (ADJ). Todas contra a decisão do ministro.
Gilmar Mendes recebeu manifesto de solidariedade de advogados por sua posição em defesa do Estado de Direito. O manifesto, assinado por mais de 170 advogados, foi entregue pelo criminalista Arnaldo Malheiros Filho durante visita que o ministro fez à redação da revista eletrônica Consultor Jurídico. Dezenas de advogados compareceram à ConJur para recepcionar e prestar solidariedade ao ministro.
Leia a nota
A Ajufer — Associação dos Juízes Federais da Primeira Região, a propósito dos últimos acontecimentos veiculados pela imprensa, envolvendo a decisão prolatada pelo Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal no caso Satyagraha, vem a público manifestar preocupação com alarido atual acerca das questões pertinentes aos fatos e propor reflexão sobre a imperiosa necessidade de se respeitarem as decisões emanadas da Suprema Corte brasileira.
Toda e qualquer crítica ao órgão máximo do Poder Judiciário, e em especial aos atos emanados do seu Presidente, deve ser evitada, sob pena de se infirmar a própria respeitabilidade de toda a estrutura judicial, que termina por ser corroída pela insurgência de seus próprios órgãos.
São esperados, e até mesmo salutares, entendimentos jurisdicionais diversos na interpretação dos mesmos fatos, mas jamais podem ser motivos de críticas ou acirramentos imponderados por aqueles cujo dever de ofício obriga a posturas equilibradas e serenas e veda quaisquer manifestações fora dos autos.
O Ministro Gilmar Mendes, de vida pública pautada pela ponderação que se espera de um magistrado, proferiu decisão lastreada unicamente na legalidade e em sólida construção jurisprudencial da Suprema Corte. O foro, pois, adequado para se discutir a decisão de Sua Excelência é o próprio Supremo Tribunal Federal e não a seara pública, que, por não estar afeita à técnica jurídica, não faz, por vezes, uma boa leitura do remédio, muitas vezes amargo, que representam a democracia e o Estado de Direito.
Em nada contribuem a irresignação e as discussões estéreis e impróprias para a preservação da imagem impoluta e respeitável do Supremo Tribunal Federal, de seu Presidente e de todos os seus órgãos, manchando a tradição libertária e democrática da máxima Corte constitucional do Estado Brasileiro e da própria história do País.
Charles Renaud Frazão de Moraes
Presidente
Revista Consultor Jurídico, 17 de julho de 2008
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 17/07/2008 Juíza rejeita pedido de prisão contra Dantas por espionagem
- 17/07/2008 Juiz se recusou a prestar informações sobre Dantas ao STF
- 17/07/2008 Senador quer acesso a inquérito da Operação Satiagraha
- 17/07/2008 Delegado não seguiu a boa prática investigativa
- 17/07/2008 Algema é para casos extremos, sustenta defesa de Cacciola
- 16/07/2008 Leia o relatório do delegado Protógenes Queiroz
- 16/07/2008 PF devassa conversas entre advogada e cliente
- 16/07/2008 Aasp sai em defesa do Estado Democrático de Direito
- 16/07/2008 Juiz aceita denúncia contra o banqueiro Daniel Dantas
- 16/07/2008 Lei do abuso de autoridade deve punir divulgação de escutas
- 16/07/2008 Para MPF, Protógenes não deve sair de investigação
- 16/07/2008 Jornalista e policial não devem misturar seus papéis
- 16/07/2008 CPI dos Grampos aprova convocação de Daniel Dantas
- 16/07/2008 Entenda como os negócios de Dantas o levaram à cadeia
- 16/07/2008 Notícias da Justiça e do Direito nos jornais desta quarta
- 15/07/2008 Erros da Polícia Federal prejudicam investigações
- 15/07/2008 Lula e Gilmar Mendes querem mudar lei de abuso de autoridade
- 15/07/2008 Protógenes Queiroz deixa investigação sobre Daniel Dantas
- 15/07/2008 Sociedade protagoniza debate sobre decisão do STF
- 15/07/2008 Adiada decisão sobre convocação de Dantas e Nahas
- 15/07/2008 Delegados manifestam apoio a De Sanctis e Queiroz
- 15/07/2008 Para juízes, ministro tentou desestabilizar De Sanctis
- 15/07/2008 Associação Juízes para Democracia defende independência
- 15/07/2008 Reginaldo de Castro divulga carta de apoio a ministro
- 15/07/2008 Soltura de Dantas é caso típico de supressão de instância
- 14/07/2008 Leia relatório da PF sobre a caça a Daniel Dantas
- 14/07/2008 De Sanctis diz que faria tudo de novo, se fosse necessário
- 14/07/2008 Desembargadora pede que MPF investigue grampo de seu telefone
- 14/07/2008 Ex-presidente da Brasil Telecom se entrega à PF
- 14/07/2008 Supremo quer garantir direitos fundamentais para todos
- 14/07/2008 Ministro Gilmar Mendes visita redação da ConJur
- 14/07/2008 Supremo evita arbítrio dos que se julgam justiceiros
- 14/07/2008 Fadesp divulga nota em apoio ao ministro Gilmar Mendes
- 14/07/2008 Gilmar acertou ao afirmar Estado Democrático de Direito
- 13/07/2008 Juíza recorre ao MP para apurar origem de grampo
- 13/07/2008 Juízes do Trabalho divulgam nota em apoio a De Sanctis
- 13/07/2008 Presidente do Supremo é o libertador da República
- 13/07/2008 Judiciário não pode ser emparedado por contrariar clamor
- 13/07/2008 No mês que prendeu Dantas, PF fez outras 11 operações
- 12/07/2008 Associação dos delegados da PF critica Gilmar Mendes
- 12/07/2008 Conamp divulga nota em apoio a De Sanctis e De Grandis
- 12/07/2008 Presidente do STF tem razão quando critica prisões
- 11/07/2008 Advogados defendem decisão do presidente do Supremo
- 11/07/2008 Presidente do TRF-3 faz discurso pacificador em caso Dantas
- 11/07/2008 Juízes repudiam reclamação de Gilmar contra De Sanctis
Comentários
Comentários de leitores: 26 comentários
Caros Comentaristas, 01. O ministro Gilmar M...
Bem ao contrário caro jornalista barbosa. Basta...
Vejo que comentaristas que exaltam a nota da AJ...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 25/07/2008.