Notícias
16 julho 2008
Direito protegido
Cacciola não deve ser algemado quando chegar ao Brasil
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Humberto Gomes de Barros, decidiu que o ex-banqueiro Salvatore Cacciola não deve ser algemado quando chegar no Brasil. A liminar garante ainda o direito do ex-banqueiro de se comunicar reservadamente com seus advogados assim que desembarcar no Rio de Janeiro. Extraditado, Cacciola já saiu de Mônaco e está em Paris.
Além desse pedido, a defesa de Cacciola, representada pelos advogados Carlos Eli Eluf, Guilherme Eluf, Allan Bousso e Luiz Fernando Cardieri, já entrou com outros dois HC no STJ para que seja suspenso o decreto de prisão preventiva e para anular o pedido de extradição.
O ex-banqueiro foi processado e condenado a 13 anos de prisão por fraude financeira e desvio de dinheiro público. Ele é acusado de ter causado, em 1999, perdas equivalentes a US$ 1,2 bilhão. Na época, Salvatore Cacciola era dono dos bancos Marka e FonteCindam.
Cacciola estava foragido do país desde 2000, quando deixou o país e se refugiou em Milão, na Itália, onde nasceu. Ele foi detido em 15 de setembro de 2007 em um hotel em Mônaco e está preso desde então. As autoridades brasileiras negociam a extradição do ex-banqueiro desde outubro de 2007. No dia 4 de julho, o príncipe Albert de Mônaco autorizou a extradição de Cacciola para o Brasil, confirmando o parecer favorável da Justiça do Principado.
Na sexta-feira (11/7), o Comitê contra a Tortura e Maus Tratos da ONU impôs mais uma derrota a Salvatore Cacciola, ao rejeitar o pedido de suspensão imediata da extradição. O comitê admitiu julgar o mérito da questão, mas o prazo para isso acontecer pode se estender por até dois anos. A defesa havia alegado à ONU que Cacciola poderia sofrer tratamento degradante na prisão no Brasil.
No primeiro pedido de Habeas Corpus, os advogados alegam que a prisão do ex-banqueiro implicaria em cumprimento antecipado da pena porque a apelação ainda não foi julgada. Também afirma que há excesso de prazo na prisão porque a jurisprudência limita a preventiva em 81 dias. Só em Mônaco, Cacciola está preso há 10 meses. Outro fundamento é de que o risco de fuga não impede a liberdade, conforme decisões já tomadas pelo STJ e Supremo Tribunal Federal.
O segundo pedido de HC é contra a extradição — pedido já negado pelo governo de Mônaco e pela ONU. O argumento é o de que há risco para a integridade física de Cacciola no Brasil. Esse HC chegou ao STJ depois da decisão do Supremo Tribunal Federal, do dia 9 de julho, que reconheceu não ser competente para julgar o caso do ex-banqueiro.
De acordo com o ministro Gilmar Mendes, o Supremo não pode julgar o caso, “tendo em vista ser o Superior Tribunal de Justiça o órgão competente para processar e julgar, originariamente, pedidos de Habeas Corpus quando o coator for ministro de Estado (artigo 105, I, “c”, da Constituição)”.
HC 111.111, HC 111.112 e HC 111.320
Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 16 de julho de 2008
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 16/07/2008 Cacciola quer chegar ao Brasil sem algemas e camburão
- 14/07/2008 Defesa de Cacciola recorre mais uma vez contra prisão
- 11/07/2008 Comitê da ONU rejeita recurso de Salvatore Cacciola
- 09/07/2008 HC de Cacciola é arquivado e processo volta para o RJ
- 08/07/2008 Cacciola recorre à ONU para evitar retorno ao Brasil
- 04/07/2008 Cacciola vai ao Supremo para tentar evitar prisão
- 25/06/2008 Mônaco rejeita recurso contra extradição de Cacciola
- 17/06/2008 Cacciola não consegue derrubar prisão preventiva no STJ
- 16/04/2008 Justiça dá parecer favorável à extradição de Cacciola
- 01/04/2008 Cacciola será interrogado pela Justiça italiana
- 18/03/2008 Salvatore Cacciola deve continuar em prisão preventiva
- 03/03/2008 Cacciola tem prisão mantida por não juntar cópia
- 11/02/2008 Cacciola tenta revogar um dos mandados de prisão
- 04/01/2008 STJ nega intimação pessoal para defesa de Cacciola
- 28/11/2007 Advogado de Cacciola diz que não pediu Habeas Corpus
- 23/11/2007 Compare os mandados de prisão diferentes de Cacciola
- 22/11/2007 Supremo manda para STJ pedido de liberdade de Cacciola
- 22/11/2007 Adiada audiência que iria definir extradição de Cacciola
Comentários
Comentários de leitores: 37 comentários
Advogado que alegar "risco de fuga" no caso des...
interessante nossa justiça. O cacciola fica pr...
O Cacciola já fugiu uma vez, pois lhe foi permi...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 24/07/2008.