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6 julho 2008
Advocacia-empresa
Entrevista: Décio Freire, advogado
Se quiser manter a eficiência do atendimento, o escritório de advocacia precisa ter o mesmo nível de gestão que as empresas para as quais trabalha. Metas de crescimento e de redução de custo, técnicas de gerenciamento e otimização de recursos, aprimoramento jurídico, organização e informação têm de fazer parte da rotina de uma grande sociedade que quer primar pela qualidade. Ou seja, ser grande sem perder a qualidade e pessoalidade de pequeno.
A constatação é do advogado Décio Freire, dono do Décio Freire & Associados, escritório que começou em Minas Gerais e, hoje, possui 11 unidades atuando em tribunais de todo o país. O advogado explica que o escritório funciona como toda empresa. Tem especialistas, que não são advogados, encarregados da administração e das finanças do escritório, há programas de motivação de funcionários, o que garante a prestação de um serviço eficiente para causas simples e complexas.
Mas Décio Freire alerta: “não adianta ter uma mega estrutura, com gestão extremamente moderna, se não tiver o que oferecer ao cliente”. Como toda empresa, se o produto oferecido não for bom, a gestão não faz milagre. No caso do escritório, Décio Freire acredita que o conteúdo jurídico é fundamental.
Segundo o advogado, é preciso entender o escritório de advocacia como uma empresa e, assim como esta, comemorar seu centenário. “Procuro passar para meus advogados que não estamos no mercado como algo passageiro”, afirma.
O advogado recebeu a repórter da revista Consultor Jurídico no escritório localizado no centro do Rio de Janeiro. Contou a rotina de ir a cinco capitais por semana, responder mais de 200 e-mails por dia e cobrar insistentemente os diretores. “Sou tido até como chato”, afirma.
No anuário Análise da Advocacia 2007 o Décio Freire & Associados aparece em nono lugar no ranking dos maiores escritórios do país. O escritório tem 208 advogados, distribuídos em 11 unidades, que tocam 33 mil ações. “No primeiro semestre de 2008 foram realizadas 6.580 audiências, o que dá uma média de 60 por dia útil”. E como não perder audiência ou prazo? “Aí que entra a absoluta necessidade de uma gestão altamente profissional”.
Leia a entrevista
ConJur — O escritório trabalha com empresas. Também atua como uma empresa?
Décio Freire — Nos últimos oito anos, o escritório cresceu muito. Credito esse desempenho a duas situações: conteúdo técnico e gestão. Não adianta ter uma mega estrutura, com gestão extremamente moderna, se não tiver o que oferecer ao cliente. A primeira coisa é ter o produto. No nosso caso, ofereceremos um trabalho de advocacia altamente especializado. Mas, hoje, não tem como advogar para grandes empresas, mesmo tendo grande conteúdo jurídico, se não acompanhar a evolução em relação à gestão.
ConJur — O escritório tem que focar na gestão?
Décio Freire — Sim. A gestão dentro do escritório de advocacia pequeno, médio ou grande é tão importante quanto para qualquer outra empresa. O escritório tem que andar no mesmo nível de desenvolvimento de gestão que as empresas para as quais ele atua, se não acaba por prejudicar a eficiência do atendimento. As empresas buscam resultados. A advocacia passou a ser para a empresa ferramenta muito importante em seu desenvolvimento. Através da advocacia é que a empresa vai deixar de pagar o que não deve e recuperar o que devem a ela. Isso tudo aliado a uma advocacia preventiva, ou seja, que vai evitar que o problema aconteça. Além disso, a empresa exige um relatório extremamente atualizado em relação a andamentos processuais. Um escritório que não tem isso, não consegue atendê-la. Precisa de uma análise de contingenciamento não só baseada na possibilidade de êxito, mas um estudo real de risco de cada ação.
ConJur — E quem administra o escritório, administrador ou advogado?
Décio Freire — Há o administrador da área administrativa e da área financeira, um profissional altamente capacitado com especialização em economia e finanças. Desde 2001, a área administrativa e financeira do escritório não é tocada por advogados e sim por especialistas. A área jurídica também é muito organizada em termos estruturais.
ConJur — Como é a estrutura?
Décio Freire —Temos 11 unidades e atuamos em mais de 33 mil ações judiciais em todas as áreas, focadas basicamente em empresas. As ações são divididas em núcleos: menos complexas, mais complexas e as emblemáticas. Isso não quer dizer que damos menos importância às menos complexas. É apenas uma questão de estruturação interna. Temos o Grupo de Acompanhamento Processual (GAP), formado por 15 advogados seniores que cuidam, exclusivamente, de 800 dessas 33 mil ações, tidas como mais complexas. Além disso, há outras 200, consideradas emblemáticas, tratadas pessoalmente por mim. E é exatamente a gestão que faz a motivação da equipe, motivo pelo qual o fato de uma ação ser menos complexa não significa que terá um atendimento menos profissional. Claro que o advogado júnior quer chegar a sênior, este, por sua vez, quer chegar a titular de contrato, que quer chegar a gerente de área, que quer chegar a gerente de unidade. Por fim o gerente de unidade quer chegar a diretor regional.
Marina Ito é correspondente da Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.
Revista Consultor Jurídico, 6 de julho de 2008
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