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9 janeiro 2008

Comentário dos comentários

Vale uma reflexão sobre as mortes envolvendo membros do MP

Por Carlos Brickmann

A avalanche de opiniões contrárias ao artigo “Disque MP para matar” traz alguns pontos comuns (obviamente, não vou comentar a outra avalanche, de opiniões favoráveis: apenas direi que gosto muito delas). O primeiro é que, aparentemente, o texto foi lido com o fígado, não com o cérebro. E raciocínio não é função hepática.

1 – Acusa-se o colunista de condenar antes de julgar. Mas em nenhum momento, excetuando-se o caso do promotor que matou a esposa grávida e foi condenado pela Justiça, formulou-se qualquer juízo de valor. Há várias perguntas e apenas uma constatação: a de que uma série de casos de morte envolve pessoas da mesma profissão, três desses por arma de fogo, e que isso vale uma reflexão.

2 – Em outras profissões, como o jornalismo, também há gente conhecida que matou e está livre. É verdade – e isso, aliás, já foi abordado criticamente por este colunista, na época dos acontecimentos. Há o jornalista que matou a namorada. Mas o argumento lembra aquela antiga história do relatório que condenava a situação dos direitos humanos na União Soviética. Os soviéticos respondiam: “E a discriminação racial no Alabama?” Uma não justifica a outra; que se condenem ambas. Mas não há, no caso do jornalista, uma série de mortes envolvendo profissionais do mesmo ofício. Nem há evidências de tratamento menos duro aos envolvidos. Este colunista conhece dois delegados que foram presos por porte ilegal de arma. O promotor que usou a arma ilegal não sofreu constrangimento.

3 – O texto não tem base jurídica. Não tem, mesmo: este colunista não é jurista. Mas que há uma série de casos, isto há; como negá-la?

4 – Este colunista trabalhou com Paulo Maluf. Trabalhou, sim; assessorou sua vitoriosa campanha à Prefeitura paulistana, em 1992. Alguém estará contestando a decisão das urnas? Alguém estará irritado com o bom trabalho de comunicação por mim efetuado e que integra o conjunto de fatores que o levou à vitória? E que é que tem a ver a eleição para a Prefeitura paulistana, há 16 anos, com os tiros mortais de agora?

5 – O Ministério Público é muito importante. É mesmo, sem qualquer dúvida. E por isso mesmo precisa manter-se inatacável, sem aparência de abusos, sem prerrogativas que se assemelhem a privilégios.

Este colunista conhece poucos promotores e gosta de alguns deles. Jamais viu Dráusio Barreto andar armado; nem imaginaria que o dr. Hélio Bicudo, seu antigo colega de Redação, pudesse portar uma arma. O deputado estadual Fernando Capez certamente não anda armado. E qualquer um deles, caso utilizasse a prerrogativa de andar armado, usaria a arma legal, a arma para ele designada.

Uma coisa que promotores e advogados ensinaram a este jornalista é que, se a Lei é falha, não deve ser desobedecida, mas modificada. Se as armas legalmente destinadas aos promotores são ineficientes, que haja modificação nos dispositivos legais. Contornar a Lei não é uma atitude correta – especialmente se o responsável pelo jeitinho for também o Guardião da Lei.

Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e especialista em gerenciamento de crises.

Revista Consultor Jurídico, 9 de janeiro de 2008

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Comentários

Comentários de leitores: 53 comentários

15/01/2008 17:24 magist_2008 (Juiz Estadual de 1ª. Instância)
Tentar consertar dizendo que não escreveu o que...
Tentar consertar dizendo que não escreveu o que foi escrito fica pior.E antes de falar em raciocínio com o fígado, é bom lembrar que o raciocínio sem o prévio conhecimento do assunto respectivo é como querer alcançar o horizonte.
14/01/2008 12:37 GLAYSTON (Delegado de Polícia Federal)
O fato de um promotor andar armado e outro desa...
O fato de um promotor andar armado e outro desarmado, não torna um melhor do que o outro ou vice-versa, talvez o articulista quisesse comentar o fato de mais uma autoridade ter sido morta em uma grande cidade. Aí diria que a criminalidade impera e que talvez tivesse sido o crime organizado que matou o promotor e falaria dos promotores que conhecia e que apesar de terem lutado contra o crime e ameaçados estavam vivos e blá, blá, blá....
11/01/2008 14:06 LuísADV (Advogado Associado a Escritório - Administrativa)
Promotora MMELLO Li todas os seus comentário...
Promotora MMELLO Li todas os seus comentários e concordo com todos eles, principalmente no que se refere as atitudes das corregedorias com uns e com outros "amigos do rei" ou de sangue real. Acho até porque não sou de nenhuma oligarquia juridica, puxa-saco e estou em uma Promotoria "caixa-prego" que nem recém passado em concurso abraçaria a causa (e estou aqui por que quero). Espero que um dia isso mude, mas até lá sigo defendendo a INSTITUIÇÃO MP, se tem pessoas que erraram que paguem por seus erros e, como já disse, eu teria o prazer de buscar a punição adequada de pessoas que maculam a imagem de uma instituição, que, ao meu ver, é essencial aos Poderes de Estado.

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